Flávio cobra voto de Cármen Lúcia a favor de investigação contra Moraes
Candidato afirmou que voto contrário pela ministra seria "muito ruim para sua história"

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) cobrou a ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) Cármen Lúcia por um voto favorável à abertura de uma investigação formal contra o também ministro Alexandre de Moraes em eventual julgamento no plenário da Corte.
“ Carmen Lúcia, o Brasil está aguardando para ver como vai ser o seu voto na semana que vem, se a senhora vai autorizar que o Alexandre de Moraes seja formalmente investigado, ou se a senhora vai passar a mão na cabeça dele “, disse o candidato neste domingo (6) em transmissão ao vivo nas redes sociais.
“ Com tudo isso que já veio à tona, vai ficar muito ruim para sua história, para sua biografia “, completou.

Na decisão em que retirou o sigilo sobre a ação que apura mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, e Moraes, Mendonça sugeriu que a análise do caso seja feita pelo plenário da Corte.
De acordo com apuração da CNN Brasil , o relator tem a intenção de levar o relatório ao plenário ainda nesta semana . Apesar da vontade do ministro, cabe ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, definir uma data para que os magistrados analisem o relatório e decidam por dar aval a uma eventual apuração formal contra Moraes.
Ainda na fala de Flávio, o senador questiona se a ministra será “contra a impunidade” ou vai proteger seu “coleguinha de plenário”.

“Eu queria ver aquela Cármen Lúcia de dez anos atrás, que era contra a censura. […] Como é que ela, que sempre se disse uma defensora da democracia, da liberdade, que sempre foi contra a impunidade, como é que ela vai se colocar agora? se ela vai proteger o Brasil, a democracia e o próprio Supremo Tribunal Federal, ou se a Cármen Lúcia vai proteger o Alexandre de Moraes, porque é seu coleguinha de plenário e acha que ele também tem que estar acima da lei”, disse o candidato.
O relatório da PF, que intensificou a crise na última semana, foi formulado a partir de dados obtidos no celular de Vorcaro, apreendido pela PF na operação Compliance Zero , e revela uma suposta proximidade entre Alexandre Moraes e o ex-banqueiro .
De acordo com o documento, em conversas com Moraes às vésperas de sua prisão, Vorcaro chegou a perguntar ao ministro sobre sair do país e expressou “gratidão” ao magistrado . “Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você “, disse o ex-dono do Master.

A investigação da PF ainda mapeou uma série de encontros que ocorreram entre fevereiro de 2024 e agosto de 2025 .
A tensão institucional ainda atinge o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues , que são suspeitos de trabalhar para conter o avanço das investigações sobre o banco .
Paulo Gonet também apareceu nas mensagens do relatório em conversa com Vorcaro , intermediada pelo advogado Ciro Soares . As conversas aconteceram entre abril de 2024 e junho de 2025 e mencionavam viagens, uísque, charutos e até o envio de fotos de Gonet ao lado de Ciro Soares .

Quanto a Andrei Rodrigues , o diretor-geral da PF é citado na conversa entre Daniel Vorcaro e Moraes , na qual o ex-banqueiro questiona ao ministro sobre a possibilidade de reverter as investigações contra o Master pelo intermédio de Andrei .
Na última quinta-feira (3), Moraes, através do inquérito das Fake News , acusou Mendonça de praticar improbidade administrativa e abuso de autoridade durante a relatoria do Caso Master . Na decisão, o ministro ainda pediu ao presidente da Suprema Corte, Edson Fachin , a abertura de ação contra o colega de magistratura por ter atuado fora do regimento jurídico .
Fachin, por sua vez, declarou que a resposta institucional à crise da Corte será “ firme, proporcional e rigorosa “. No pronunciamento, o presidente da Corte disse que nenhuma autoridade está acima da Constituição e nenhum “interesse” pode se sobrepor à defesa do Estado Democrático de Direito. O ministro também afirmou que a gravidade dos fatos não justifica medidas fora das regras jurídicas .

“Não haverá precipitação, mas tampouco omissão. A resposta institucional será firme, proporcional e rigorosa”, disse o presidente do Supremo.
Ainda na quinta-feira, Fachin deu um prazo de cinco dias para manifestação de Moraes, Mendonça, Andrei Rodrigues e Gonet sobre a crise envolvendo o caso Master.
A partir dessas manifestações, o presidente do STF deverá reunir as explicações dos envolvidos e analisar a regularidade das apurações, para então definir os próximos passos podendo ou não levar a questão ao plenário da Corte .

"Guerra interna": como a crise no STF repercute na imprensa internacional | CNN AGORA


Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/politica/flavio-cobra-voto-de-carmen-lucia-a-favor-de-investigacao-contra-moraes/.

O canidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e a ministra do STF Cármen Lúcia • Arte CNN/Foto 1: Agência Senado | Foto 2: Roberto Castello · • Arte CNN/Foto 1: Agência Senado | Foto 2: Roberto Castello — Foto: CNN Brasil
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