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    Flávio Bolsonaro vai acabar com split payment da reforma tributária, diz Daniella Marques

    Cotada para ocupar um ministério na área social de um eventual governo Flávio Bolsonaro ( PL ), a ex-presidente da Caixa Daniella Marques afirmou nesta terça-feira (6) que, se eleito, o senador vai acabar com o split payment, sistema previsto na reforma tributária . Leia mais (10/07/2026 - 14h15)

    Folha de S.Paulo
    7 de outubro de 2026 às 17:15
    Flávio Bolsonaro vai acabar com split payment da reforma tributária, diz Daniella Marques
    Homem de terno cinza e camisa branca gesticula com as mãos durante fala em coletiva ao ar livre. Ao fundo, outras pessoas observam, com árvores desfocadas ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Cotada para ocupar um ministério na área social de um eventual governo Flávio Bolsonaro ( PL ), a ex-presidente da Caixa Daniella Marques afirmou nesta terça-feira (6) que, se eleito, o senador vai acabar com o split payment, sistema previsto na reforma tributária .

    O senador Flávio Bolsonaro concede entrevista à imprensa após encontro com caciques do PP e do União Brasil - Sergio Lima/AFP · Sergio Lima/AFP
    O senador Flávio Bolsonaro concede entrevista à imprensa após encontro com caciques do PP e do União Brasil - Sergio Lima/AFP · Sergio Lima/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A ferramenta que faz a separação e recolhimento automático do tributo nas operações entre duas empresas está prevista para funcionar no segundo semestre de 2027, de forma opcional . Seu uso garante ao comprador de um insumo a devolução do imposto pago na aquisição. Também deve ajudar a reduzir a sonegação e a alíquota dos novos tributos.

    Daniella falou sobre o tema entrevista ao canal do jornalista Claudio Dantas no YouTube. Para defender a revogação do split payment, ela citou como exemplo uma venda no cartão —meio de pagamento no qual, na verdade, o split não vai funcionar.

    "Ele além de taxar, de aumentar o IOF, ele foi lá e tira o último fôlego do cara, que é um capital de giro entre ele vender, receber, porque recebe no cartão, ele já vai taxar na frente. De forma simplificada, é isso", afirmou Marques.

    Simulação de split payment no pagamento à vista de uma empresa a um fornecedor - Folhapress · Folhapress
    Simulação de split payment no pagamento à vista de uma empresa a um fornecedor - Folhapress · Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Essa daí eu vou homenagear Carlos Bolsonaro [senador eleito pelo PL] e Adolfo Sacshida [economista que também faz parte da campanha de Flávio Bolsonaro], que já pautaram esse governo e foram muito vocais, foram implacáveis contra o 'split payment', que simplesmente asfixia o capital de giro do pequeno, que já está asfixiado", disse a também ex-presidente da Caixa .

    Questionada se iria acabar com o split, ela afirmou: "claro que sim". Uma decisão nesse sentido, no entanto, não depende só do governo federal. Precisaria também aval do Comitê Gestor formado por estados e municípios.

    Especialistas no tema questionam a tese do impacto no fluxo de caixa das empresas. A separação do imposto na hora do pagamento só ocorre nos casos em que o tributo ainda não foi quitado —em geral, quando o fornecedor recebe o dinheiro em prazo inferior a 60 dias.

    Diagrama mostra o fluxo do split payment: pagador paga R$ 100, do qual R$ 20 vão para RFB & CGIBS como impostos e R$ 80 para o fornecedor. Retenção automática de 25% de CBS + IBS é aplicada.
    Diagrama mostra o fluxo do split payment: pagador paga R$ 100, do qual R$ 20 vão para RFB & CGIBS como impostos e R$ 80 para o fornecedor. Retenção automática de 25% de CBS + IBS é aplicada. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na operação à vista, o split não acontecerá ou será parcial se a empresa tiver crédito.

    O split na operação entre empresas também não representa arrecadação antecipada para os cofres públicos. O dinheiro se torna crédito para quem fez o pagamento, e pode ser utilizado imediatamente para quitar outro tributo no sistema de apuração construído para a reforma.

    A ferramenta também não funciona nas vendas do varejo para pessoas físicas, nem nas operações com cartões e não se aplica ao MEI (Microempreendedor Individual).

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Se o split não for implantado, as empresas que quiserem garantir seu crédito poderão utilizar outro mecanismo, a RAD, uma guia de pagamento que permite o recolhimento dos tributos pelo adquirente. Essa ferramenta já está pronta para funcionar em 1º de janeiro e é descrita como uma espécie de "split manual", com emissão operação a operação.

    Apesar de não ser obrigatório, o uso do split pode ser de interesse de alguns contribuintes. Atualmente, o crédito de tributos (PIS/Cofins e ICMS) é tomado pelo comprador com base no valor informado na nota fiscal, mesmo que o fornecedor não recolha o dinheiro. Para CBS e IBS, o crédito depende da quitação do imposto.

    As buscas pelo termo split payment disparam na internet nos últimos meses, mas as respostas têm trazido mais desinformação do que esclarecimentos .

    Trilili Urna Eletrônica
    Trilili Urna Eletrônica — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Flávio Bolsonaro disse nesta quarta sobre "discutir" o IVA, imposto sobre valor agregado criado pela reforma tributária , e criticou a alíquota do novo tributo, que pode chegar a 28% mas ainda não foi divulgada oficialmente pelo governo.

    Sem dar detalhes de uma nova proposta para reduzir a carga do IVA, Flávio prometeu também uma desoneração da folha de pagamento. As duas medidas teriam impacto fiscal bilionário.

    "Ninguém sabe até agora qual o valor do IVA oficial, porque quando o governo anunciar, ele perde voto", disse o senador a jornalistas em Brasília, após reunião com caciques do União Brasil e do Progressistas.

    "Eu acho que além até da neutralidade, a gente tem que buscar um jeito de reduzir a carga tributária. Eu vou buscar reduzir a carga tributária sobre a folha de pagamento", completou.

    Como mostrou a Folha , a campanha de Flávio Bolsonaro já havia prometido reduzir a carga tributária do IVA , mas sem esclarecer como isso seria possível, já que uma redução passa por enfrentar subsídios patrocinados por lobbies de setores específicos aprovados no Congresso Nacional.

    Segundo o senador Rogério Marinho ( PL -RN), coordenador da campanha, a alíquota poderia chegar a 21% sem os subsídios concedidos a setores específicos –ele não explicou quais mudanças faria para atingir esse índice e nem quais subsídios poderiam ser cortados.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/10/flavio-bolsonaro-vai-acabar-com-split-payment-da-reforma-tributaria-diz-daniella-marques.shtml.

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    O senador Flávio Bolsonaro concede entrevista à imprensa após encontro com caciques do PP e do União Brasil - Sergio Lima/AFP · Sergio Lima/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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