Flávio Bolsonaro sobrevive a escândalos e se alavanca no STF em eleição para vingar o pai
Escalado para vingar o pai, Jair Bolsonaro ( PL ), nas urnas e na Justiça, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), 45, chega ao primeiro turno neste domingo (4) empatado tecnicamente com o presidente Lula ( PT ) após ter sobrevivido, ao menos por ora, a escândalos passados e recentes, como sua relação com o dono do Banco Master , Daniel Vorcaro . Leia mais (10/03/2026 - 23h00)

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Escalado para vingar o pai, Jair Bolsonaro ( PL ), nas urnas e na Justiça, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), 45, chega ao primeiro turno neste domingo (4) empatado tecnicamente com o presidente Lula ( PT ) após ter sobrevivido, ao menos por ora, a escândalos passados e recentes, como sua relação com o dono do Banco Master , Daniel Vorcaro .

A escolha de Flávio, feita para manter o poder político dentro do clã, foi recebida com descrédito na direita e no centrão . O PT chegou a ver vantagem em disputar com o "filho 01" por acreditar que ele não seria competitivo. Hoje, porém, aliados do senador celebram o que veem como resiliência, ainda que admitam que boa parte de sua força é reflexo do antipetismo.
Para o candidato do PL, o adversário nesta eleição não era apenas Lula, mas seus "amigos no Judiciário", em referência sobretudo aos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino , acusados pelo bolsonarismo de rasgar o direito para beneficiar o petismo .
Se, por um lado, decisões judiciais foram apontadas por Flávio como prejudiciais, como no debate cancelado pela TV Globo , por outro, a crise ética sem precedentes que eclodiu no STF , com Moraes e outros ministros acusados de envolvimento com Vorcaro, serviu para alavancar seu discurso antissistema e tirá-lo das cordas pelo caso " Dark Horse ".

A eleição agravou a divisão interna do STF. Em relação à ala que seus aliados consideram lulista, Flávio não escondeu seu objetivo de eleger maioria no Senado para promover impeachment. Ao mesmo tempo, ignorou a ligação de Vorcaro com ele próprio e com os escolhidos pelo seu pai para a corte: Kassio Nunes e André Mendonça.
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No seu programa eleitoral, Flávio afirmou que Lula "decidiu governar ao lado de uma parte do Supremo Tribunal Federal que descumpriu a lei".

Na quinta-feira (1º), seguindo a estratégia de voto útil na reta final , pediu: "Me dê seu voto de revolta. Com todo respeito aos outros concorrentes, somente Flávio Bolsonaro tem condições de vencer o Lula já no primeiro turno".
Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado mostra o senador empatado tecnicamente com Lula. O atual presidente registra 45% das intenções de votos válidos, ante 42% de Flávio . A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos.
A candidatura de Flávio foi selada em dezembro de 2025 dentro da prisão na Polícia Federal , onde o ex-presidente começava a cumprir sua pena por tentativa de golpe de Estado após a derrota de 2022.

A partir daí, Flávio insistiu na figura do "Bolsonaro moderado", num difícil equilíbrio entre se livrar da rejeição do pai sem perder a mobilização da direita radical. Na mesma semana em que anunciou ter sido escolhido candidato, o senador se definiu como o "Bolsonaro vacinado" , em oposição ao ex-presidente negacionista da pandemia de Covid-19.
Na tentativa de se firmar como um democrata, Flávio também aprimorou a tática bolsonarista de descredibilizar o Supremo, desta vez fustigando ministros específicos, em vez da instituição, e associando sua ruína moral a Lula.
Apesar de tentar apontar diferenças com Bolsonaro, Flávio buscou se colocar como seu principal herdeiro político e recorreu a marcas deixadas por ele , como a estética verde e amarela, as lives semanais e as motociatas.
Na campanha, levantou dúvidas sobre as urnas , negou o aquecimento global e deu seguimento à subserviência do pai em relação aos Estados Unidos de Donald Trump , enquanto cresce o receio de intervenção americana na eleição .
A plataforma política do grupo também foi exposta nas promessas de Flávio de conceder perdão aos condenados pelo ataque golpista de 8 de Janeiro, em especial a seu pai , e "decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo".
Integrantes da campanha apontam o boato em torno da retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida como um baque tão duro quanto o escândalo do filme "Dark Horse" em homenagem a Bolsonaro.
Em maio, a revelação pelo site The Intercept de que Flávio pediu a Vorcaro dinheiro para bancar a produção americana atingiu o senador quando sua pré-campanha ainda estava desacreditada, isolada e sob alvo de fogo amigo.
A suspeita da Polícia Federal de que essa verba tenha sido desviada para financiar a vida do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos EUA levou a operações contra os envolvidos no filme e pôs Flávio, que chamava Vorcaro de irmão, na condição de investigado em inquérito no STF .
A revelação interrompeu a trajetória de alta de Flávio nas pesquisas e transformou a convenção do PL, em julho, em uma linha de chegada diante da ameaça de que sua candidatura não resistisse.
A decisão de Bolsonaro, inelegível, de escolher o filho para substituí-lo em vez de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ou Michelle Bolsonaro (PL) voltou a ser questionada. Em reação, o governador e ex-primeira-dama se restringiram a um apoio protocolar a Flávio.
O senador passou a campanha assombrado pelo rumor de que viriam à tona imagens íntimas e por antigas acusações, como a denúncia de rachadinha operada por Fabrício Queiroz , a compra de imóveis com dinheiro vivo e a homenagem ao miliciano Adriano da Nóbrega .
Michelle ainda expôs os conflitos familiares e políticos do bolsonarismo ao dizer que havia sido maltratada e desrespeitada pelo enteado. Para tentar diminuir a rejeição do eleitorado feminino, agravada pela madrasta, Flávio precisou reforçar o papel da mulher, Fernanda Bolsonaro, e o dele próprio como "pai de menina".
A campanha de Flávio também buscou durante meses uma candidata a vice mulher para minimizar a acusação de machismo.
Os partidos do centrão, porém, rejeitaram se coligar com o PL e restou a Flávio uma chapa isolada com o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice — escolhido de última hora pelo papel de "justiceiro" contra a farra de descontos ilegais no INSS e pelas acusações contra Lulinha .
Flávio também se propôs a falar do "Brasil real" para criticar o governo federal não só pela segurança pública, mas também pelo endividamento das famílias —sem explicar o que ele próprio fará com as bets , em caso de vitória.
A rejeição do governo Lula 3 favoreceu o bolsonarista, que atrelou sua campanha ao novo e à mudança. Mas, para além de palavras de ordem, há dúvidas sobre como seria um governo Flávio. O candidato se limitou ao que a população queria ouvir: linha dura contra bandidos e nenhum detalhe sobre quais benefícios ou serviços serão afetados pelo prometido tesouraço à moda do argentino Javier Milei .
Olhar para trás em busca dessas respostas também não ajuda. Em quatro mandatos como deputado estadual e um como senador, Flávio não aprovou projetos ou teve marcas relevantes , apesar de usar sua atuação na Comissão de Segurança como vitrine.
Já como candidato, ele propôs uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) para acabar com a reeleição a presidente, em um aceno a Tarcísio na disputa de 2030 . O projeto mantém o mandato de quatro anos, mas abre brecha para que o Congresso, onde a direita deve ser majoritária, estenda o período.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/10/flavio-bolsonaro-sobrevive-a-escandalos-e-se-alavanca-no-stf-em-eleicao-para-vingar-o-pai.shtml.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, ergue uma fotografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu pai, durante carreata em Goiânia - Sergio Lima - 27.set.26/AFP · Sergio Lima - 27.set.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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