Flávio Bolsonaro negocia o tribunal dos sobreviventes
Flávio Bolsonaro ( PL ) ainda não ganhou a eleição, mas ele e os integrantes de sua campanha agem como se o candidato já estivesse sentado na cadeira de presidente da República. Leia mais (10/07/2026 - 18h28)

Jornalista em Brasília, onde acompanha os principais acontecimentos econômicos e políticos há mais de 25 anos
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Flávio Bolsonaro ( PL ) ainda não ganhou a eleição, mas ele e os integrantes de sua campanha agem como se o candidato já estivesse sentado na cadeira de presidente da República.
Fazem reuniões a portas fechadas e acertam o futuro de quem vai ou não sobreviver aos escândalos do Master, do INSS e afins.
Negociam quem vai entrar ou não na lista dos impichados no STF (Supremo Tribunal Federal), prometem mudanças nebulosas para o que o candidato chama de "redemocratização" da Constituição e articulam indicações ao tribunal com base no elenco de senadores e deputados eleitos no domingo — um plantel de dimensões históricas.

Além de desenhar uma agenda para um eventual governo, a campanha tenta pegar carona na indignação do eleitor com a corte e conseguir mais um impulso na reta final da eleição.
Envolvido no caso Master pela revelação de pagamentos a seu filho e de relações com advogados contratados pelo banco, Kassio Nunes Marques não esperou o resultado das eleições para sinalizar que cogita anular a condenação de Jair Bolsonaro e permitir a sua soltura.
O ministro diz que a decisão será tomada após o segundo turno para evitar "interferir no processo eleitoral".
É cautela de fachada. A atuação de Kassio espanta , não somente porque ele é o presidente do TSE , que deveria cuidar da disputa com zelo máximo, mas também porque esse sinal influencia o voto.
Aliás, o ministro tem a ganhar com um eventual impeachment de Alexandre de Moraes num governo de direita : ele é o primeiro na fila para a presidência do STF caso o algoz de Bolsonaro esteja fora do páreo.
Kassio foi um crítico vocal do que se chamou de "ativismo do Judiciário" a favor de Lula no primeiro turno. Esse mote impulsionou votos dos candidatos de direita e, segundo especialistas, foi decisivo para a vantagem de Flávio.
Erra feio quem diz que o ativismo favoreceu só o lado de Lula. É possível incluir na lista os ministros do STF André Mendonça e Luiz Fux , além de Kassio. Decisões do trio sobre investigações ou sobre a campanha tiveram efeito direto na disputa.
Enquanto Flávio continua surfando no clima anti-STF, perguntar o que fará em caso de vitória no segundo turno soa, para aliados, quase como ofensa.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/adriana-fernandes/2026/10/flavio-bolsonaro-negocia-o-tribunal-dos-sobreviventes.shtml.

Flávio Bolsonaro durante evento do PL em Brasília - SERGIO LIMA/AFP · SERGIO LIMA/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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