Flávio Bolsonaro ignora aliança com Milei ao defender produtores de leite contra argentinos e uruguaios
O senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro ( PL ) afirmou nesta terça-feira (6) que vai combater a prática de dumping nas exportações de leite em pó da Argentina e do Uruguai para o Brasil, se for eleito, para "fazer justiça". Leia mais (10/06/2026 - 22h50)

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Brasília O senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro ( PL ) afirmou nesta terça-feira (6) que vai combater a prática de dumping nas exportações de leite em pó da Argentina e do Uruguai para o Brasil, se for eleito, para "fazer justiça".

"Me comprometi também com as práticas de dumping que foram identificadas, que estão entrando aqui no Brasil, [em] especial no setor do leite. O governo vai fazer sua parte não para fazer protecionismo, mas para fazer justiça", disse.
A declaração ocorreu após reunião com deputados federais e senadores da bancada ruralista, de quem recebeu apoio na disputa contra o presidente Lula (PT). Flávio se comprometeu com todos os pedidos da bancada e disse que, se for presidente, o grupo poderá indicar o ministro da Agricultura.
Em junho deste ano, o Gecex (Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior), órgão colegiado que trata da política aduaneira e tarifária, concluiu que existe prática de dumping nas importações de leite em pó produzido na Argentina e no Uruguai. A investigação foi aberta a pedido da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária), que apontava dano à indústria local. A conclusão do Gecex poderia levar à aplicação de taxas por um período de cinco anos, o que deveria tornar os importados mais caros, estimulando as compras internas de leite em pó. A conclusão da Gecex, no entanto, foi pelo adiamento na aplicação dessas medidas até que o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) avalie potenciais impactos sobre o abastecimento, a inflação de alimentos, os custos industriais e as cadeias consumidoras. O tema também está na agenda do Mercosul. A ata do encontro mais recente dos países do bloco aponta que o representante uruguaio considerou positiva a decisão brasileira e declarações do presidente Lula de se manter aberto ao diálogo.

As delegações argentina e uruguaia registraram, no entanto, preocupação com o prazo para a avaliação do impacto por parte do Brasil. Disseram também que a aplicação de medidas antidumping poderiam ter caráter proibitivo e gerar incertezas para os operadores econômicos do bloco.
Flávio promete se aliar ao presidente da Argentina , Javier Milei , em caso de vitória e diz se inspirar na política econômica dele para promover um "tesouraço" no Brasil. No domingo (4), o argentino lotou suas redes sociais com ataques a Lula e manifestações de apoio ao candidato do PL. Em uma das postagens, o ultraliberal trazia uma foto de Jair Bolsonaro (PL) com os dizeres: "Hoje é por ele".
No final de julho, Milei foi ao evento de lançamento de campanha de Flávio no Brasil e chamou o presidente Lula de "lixo socialista". A ofensa abriu uma crise que desembocou em um rebaixamento inédito das relações bilaterais entre Argentina e Brasil.


Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/agro/2026/10/flavio-bolsonaro-ignora-alianca-com-milei-ao-defender-produtores-de-leite-contra-argentinos-e-uruguaios.shtml.

O candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) em entrevista à imprensa ao lado de Tarcísio de Freitas (Republicanos) nesta terça (6) - Gabriela Biló/Folhapress · Gabriela Biló/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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