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    Flávio Bolsonaro faz inflexão no discurso sobre STF e fala em proteger corte, mas mantém contradições

    O senador Flávio Bolsonaro (PL) , candidato à Presidência, aproveita a grave crise que enfrenta o STF (Supremo Tribunal Federal) para mobilizar o eleitorado a partir de uma estratégia que o posiciona como alguém que individualiza as críticas às condutas dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino e que tenta proteger a credibilidade da Corte. Leia mais (09/11/2026 - 12h00)

    Folha de S.Paulo
    11 de setembro de 2026 às 15:00
    Flávio Bolsonaro faz inflexão no discurso sobre STF e fala em proteger corte, mas mantém contradições
    Homem com camiseta amarela com a frase 'Meu partido é o Brasil' fala ao microfone e gesticula com a mão direita levantada. Mulher ao lado aplaude, vestindo jaqueta bege e boné preto. Fundo desfocado e céu nublado. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O senador Flávio Bolsonaro (PL) , candidato à Presidência, aproveita a grave crise que enfrenta o STF (Supremo Tribunal Federal) para mobilizar o eleitorado a partir de uma estratégia que o posiciona como alguém que individualiza as críticas às condutas dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino e que tenta proteger a credibilidade da Corte.

    O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, em comício do 7 de Setembro na avenida Paulista - Bruno Santos - 07.set.2026/Folhapress · Bruno Santos - 07.set.2026/Folhapress
    O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, em comício do 7 de Setembro na avenida Paulista - Bruno Santos - 07.set.2026/Folhapress · Bruno Santos - 07.set.2026/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O posicionamento de imagem de Flávio, que a poucas semanas do primeiro turno busca o voto do eleitor independente , carrega contradições.

    A principal delas é que, ao mesmo tempo em que dizem querer proteger o STF, o filho de Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados chamam de "farsa" e "perseguição" o julgamento que condenou o ex-presidente pela tentativa de golpe em 2022 —uma decisão colegiada, que não coube apenas a Moraes e Dino. Na prática, Flávio promete anular a condenação com um indulto.

    As conversas suspeitas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro , do Master, se tornaram uma bala de prata para que os bolsonaristas voltassem a criticar o ministro e colocar em xeque as decisões do inquérito do golpe.

    Flávio Bolsonaro fez ato político de 7 de Setembro na avenida Paulista
    Flávio Bolsonaro fez ato político de 7 de Setembro na avenida Paulista — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Já Dino é atacado por ter derrubado a decisão do ministro André Mendonça que afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e por ter deflagrado uma operação que apura eventual desvio de recursos parlamentares para entidades ligadas a Karina Gama, produtora do filme "Dark Horse", sobre a vida de Bolsonaro, que também recebeu recursos de Vorcaro a pedido de Flávio.

    O filho de Bolsonaro é formalmente investigado no inquérito do Supremo que apura se houve lavagem de dinheiro e corrupção no financiamento para a produção do filme. Flávio vem negando qualquer irregularidade e trata o caso como um negócio privado.

    As críticas aos ministros do STF agora vêm acompanhadas da tônica de proteção à instituição. No comício de 7 de Setembro , na avenida Paulista, o senador afirmou que era preciso "proteger o STF do Alexandre de Moraes". "Aquela laranja podre não pode contaminar toda a corte."

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No mesmo ato, o pastor Silas Malafaia pediu o afastamento de Moraes e afirmou que não queria pregar vingança nem descredibilizar o Supremo. "Precisamos de instituições fortes. Desgraçar o Supremo é arrebentar com a democracia e a República", disse.

    No dia 2 de setembro, Flávio afirmou que era necessário "fazer uma defesa intransigente do Supremo Tribunal Federal". "E, para que o Supremo resgate a sua credibilidade, o Moraes tem que sair."

    Ao longo da campanha, o senador tem lembrado que, se eleito, poderá fazer quatro novas indicações ao Supremo. Além da vaga antes ocupada por Luís Roberto Barroso , aposentado no ano passado, os ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes devem deixar o STF nos próximos quatro anos devido à aposentadoria compulsória.

    BRASILIA, DF,  BRASIL,  05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    BRASILIA, DF, BRASIL, 05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Se Flávio for eleito, e indicar quatro nomes, serão seis os ministros que terão chegado à corte pelas mãos da família Bolsonaro — a maioria entre os 11 . André Mendonça e Kassio Nunes Marques foram indicados por Bolsonaro.

    Para o advogado Fábio de Sá e Silva , professor de estudos brasileiros Universidade de Oklahoma (EUA) e pesquisador de temas como Justiça e democracia, as revelações envolvendo Moraes têm o potencial de mobilizar eleitores não bolsonaristas, "que se incomodam, com razão, com as informações que vieram a público".

    Ainda assim, afirma, não se deve acreditar que Flávio e aliados estão preocupados com a proteção ao Supremo. "Há evidências de que não se pode esperar lealdade ao STF ou às instituições por parte do bolsonarismo, dado o histórico de manifestação em relação aos poderes da Suprema Corte, especialmente quando utilizados de forma contrária aos seus interesses", diz.

    O professor afirma que, durante a pandemia da Covid-19 , o Congresso e o Supremo foram hostilizados por Bolsonaro e seus apoiadores, que lutavam contra o distanciamento social.

    "Já se falou em fechar [o Supremo], já se mandou juízes pedirem para sair. Não há razão para acreditar que isso ficou no passado", afirma Sá e Silva. Em 2018, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) disse que bastava "um soldado e um cabo" para fechar o STF .

    Flávio prometeu reiteradas vezes, que, se eleito, Bolsonaro, hoje em prisão domiciliar, irá entregar a ele a faixa presidencial.

    O ex-presidente foi condenado em setembro de 2025 a 27 anos de prisão pela tentativa de golpe, em julgamento da Primeira Turma do Supremo. O placar foi de 4 votos a 1 —apenas o ministro Luiz Fux divergiu. Se decidiram pela condenação, além de Moraes e Dino, a ministra Cármen Lúcia e o ministro Cristiano Zanin.

    Ao final, o então presidente da corte, Luís Roberto Barroso, compareceu à sala da turma para defender a condenação e dizer que acreditava que o país estava "encerrando os ciclos do atraso" na sua história.

    Em junho daquele ano, antes do julgamento e de ter anunciado que concorreria à Presidência, Flávio afirmou à Folha que o candidato da direita deveria ser alguém que não apenas prometesse conceder um indulto a Bolsonaro, mas que estivesse disposto a cumpri-lo, caso o Supremo o julgasse inconstitucional. O senador mencionou que, neste caso, poderia haver o "uso da força".

    Em seu plano de governo, ele promete devolver ao Supremo seu papel de Corte Constitucional para "restabelecer o equilíbrio entre os Poderes, que é a base da democracia". O candidato parte do princípio de que a instituição acumulou um volume de funções excessivo, o que, segundo ele, gerou "insegurança jurídica" e "instabilidade democrática".

    Entre as propostas para lidar com esse tema, está permitir que parlamentares sejam julgados por instâncias inferiores, "para que exerçam seus mandatos com mais altivez", e limitar as decisões monocráticas da Corte.

    Ainda que agora sinalize que o problema está em Moraes e Dino, há pouco mais de um mês Flávio defendeu não apenas o impeachment dos dois, mas também de Zanin. Para o senador, os três cometeram crime de responsabilidade ao julgar seu pai.

    Flávio disse que Bolsonaro foi julgado por seus inimigos: Moraes, "inimigo público e declarado", Dino, "até ontem ministro da Justiça de Lula", e Zanin, "até ontem advogado do Lula".

    Neste cenário, André Mendonça , que ocupou a Advocacia-Geral da União e o Ministério da Justiça no governo Bolsonaro, é aclamado por bolsonaristas após ter revelado as mensagens entre Moraes e Vorcaro. Na última semana, em meio às promessas do grupo de proteção à credibilidade da instituição, Mendonça se tornou um elemento de mobilização político-eleitoral.

    O ministro, que é evangélico, gravou um vídeo agradecendo as orações dos apoiadores e foi elogiado nas redes sociais pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) , que afirmou que ele é "escolhido" e "ungido do Senhor".

    Na avenida Paulista, na segunda-feira (7), Mendonça ilustrou um boneco inflável gigante. Também foi homenageado com os dizeres "Força, Mendonça", em camisetas verde e amarelas produzidas a mando do prefeito Ricardo Nunes (MDB) , que tem se engajado na campanha de Flávio.

    Além de Moraes, Dino e Zanin, o filho de Bolsonaro também já defendeu o impeachment de Barroso, em julho de 2023, depois que o ministro afirmou que "nós derrotamos o bolsonarismo".

    Aproveitando-se do léxico progressista de defesa da democracia, Flávio agora também afirma que é vítima de uma tentativa de "golpe" por parte de Dino.

    "Eu quero ganhar as eleições nas urnas, no voto, e o Lula quer ganhar no tapetão", afirmou o senador na quarta-feira (9) . Na quinta (10), Flávio disse que é o "último obstáculo" para que o país não se torne uma ditadura e que vai "resgatar a democracia".

    Não é só o filho de Bolsonaro que conta com o poder de reformar o Supremo, caso eleito. O PL também está focado na eleição de uma grande bancada no Senado , capaz de pautar o impeachment de ministros.

    "As falas sobre Alexandre [de Moraes] trazem um benefício concreto a curto prazo [para Flávio]", afirma o professor Sá e Silva. "As contas com o STF eles vão acertar depois, caso ganhem e tenham a maioria do Senado alinhada."

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/flavio-bolsonaro-faz-inflexao-no-discurso-sobre-stf-e-fala-em-proteger-corte-mas-mantem-contradicoes.shtml.

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