Flávio Bolsonaro dá dinheiro aos 'peixes' da milícia
Ao lançar a campanha da reeleição, em agosto, Lula bateu duro no atual sistema de emendas parlamentares. O plano apresentado defende o estabelecimento de limites e controles e classifica as emendas impositivas como "grave distorção" que sequestra recursos do Executivo. Leia mais (09/25/2026 - 16h42)

Jornalista, atuou como repórter e editor. É autor de "Dicionário Amoroso do Rio de Janeiro"
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Ao lançar a campanha da reeleição, em agosto, Lula bateu duro no atual sistema de emendas parlamentares. O plano apresentado defende o estabelecimento de limites e controles e classifica as emendas impositivas como "grave distorção" que sequestra recursos do Executivo.
O tema, contudo, está submerso, intocável. A dinâmica da disputa contra o bolsonarismo impôs à campanha outros rumos de discussão —crise do STF , Lulinha, vazamentos do Master, interferência dos Estados Unidos, endividamento das famílias, escala 6x1, guerra contra a jogatina eletrônica.
O Congresso, que deverá ter baixa renovação, agradece o refresco. Prepara a proposta orçamentária de 2027 prevendo que, até 2030, o espaço disponível para emendas parlamentares crescerá em ritmo três vezes maior que as despesas escolhidas pelo Executivo. Não é mais uma farra, uma baderna institucional.

É preciso arranjar outra palavra para descrever a voracidade de deputados e senadores, os donos do país. Apesar das denúncias na imprensa e de mais de cem inquéritos no STF, os casos de desvio de finalidade e corrupção se multiplicam. O mais recente aponta o senador Flávio Bolsonaro , um candidato a presidente da República campeão de escândalos.
O filho 01 mandou uma emenda de quase R$ 200 mil para Robson Calixto, o Peixe, miliciano condenado por envolvimento na morte de Marielle Franco . O dinheiro foi destinado a um projeto de escolinha de futebol no bairro da Taquara, área de influência do ex-deputado Chiquinho Brazão e do conselheiro do TCE Domingos Brazão —condenados pela morte da vereadora.
A convivência da família Bolsonaro com milícias não é novidade. Pelos diálogos coletados pela PF no celular do Peixe (gíria carioca usada para se referir a alguém de confiança), nota-se a naturalidade com que a transação é realizada: "Amiga, vê com o nosso senador se consegue nos ajudar".
Flávio Bolsonaro desenhou o mapa da mina: desvio de emendas e infiltração do crime organizado na política convergem para o mesmo ponto.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/alvaro-costa-e-silva/2026/09/flavio-bolsonaro-da-dinheiro-aos-peixes-da-milicia.shtml.

Flávio Bolsonaro em campanha em Natal (RN) - Alexandre Lago - 21.set.26/Reuters · Alexandre Lago - 21.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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