Flamengo entra em campo com mensagem contra proibição das bets
Time era patrocinado pela casa de apostas on-line Betano; uniforme do clube traz frase: "Proibir não é proteger”

Time era patrocinado pela casa de apostas on-line Betano; uniforme do clube traz frase: “Proibir não é proteger”
O Flamengo entrou em campo nesta 5ª feira (8.out.2026) com uma mensagem de protesto contra a proibição das casas de apostas esportivas no Brasil. Na partida contra o Santos, na Vila Belmiro, pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro, os jogadores exibiram a frase “ Proibir não é proteger ” na parte central da camisa. O espaço anteriormente era ocupado pela marca da Betano , patrocinadora master do clube.
O clube carioca tinha o maior contrato de patrocínio do futebol brasileiro com a Betano, firmado em agosto de 2025 e com prazo até dezembro de 2028. O acordo garantia cerca de R$ 268,5 milhões anuais ao Flamengo. Foi diretamente afetado pela medida provisória que proibiu a operação e a publicidade de empresas de apostas no país. O clube já avaliava utilizar a mensagem como forma de protesto.

A frase integra uma campanha organizada pela ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias) e pelo IBJR (Instituto Brasileiro de Jogo Responsável), entidades que representam empresas do setor. As associações argumentam que a proibição das plataformas regulamentadas não acaba com as apostas, mas incentiva a migração dos usuários para sites clandestinos.
As organizações defendem a manutenção do mercado regulado, com medidas como verificação de idade, autoexclusão e restrições à publicidade.
A campanha já havia aparecido nas placas de publicidade do MorumBis, em São Paulo, durante a partida entre São Paulo e Santos, em 2 de outubro. Na ocasião, empresas associadas à ANJL e ao IBJR exibiram mensagens como “ Proibir não é proteger ” e “ A proibição não acaba com as apostas ”. Foi a 1ª partida realizada depois da publicação da medida provisória. A mobilização também foi reproduzida no confronto entre Atlético-MG e Red Bull Bragantino.

Desde o início efetivo da proibição da publicidade, em 6 de outubro, clubes brasileiros passaram a disputar partidas sem as marcas das bets. Na Série B, o Sport substituiu a Betnacional por um patrocínio pontual da plataforma de fotografias Banlek. O Athletic passou a divulgar sua loja oficial no espaço antes ocupado pela mesma casa de apostas, enquanto o Goiás entrou em campo sem patrocinador master.
As casas de apostas se tornaram uma das principais fontes de receita dos clubes brasileiros. Em 2025, o setor respondeu por 34% das receitas de marketing dos 20 maiores times do país, segundo levantamento da Sports Value . Dos R$ 3,2 bilhões movimentados pelos clubes em marketing naquele ano, cerca de R$ 1,1 bilhão veio de patrocínios de bets.
Antes da proibição, equipes da Série A já haviam divulgado uma nota conjunta intitulada “ O fim do futebol brasileiro ”, na qual alertavam para os impactos financeiros de uma eventual proibição das apostas esportivas.
A proibição foi determinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por meio da MP (Medida Provisória) 1.394 de 2026 , assinada em 25 de setembro. O texto proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa, incluindo apostas esportivas e jogos on-line.
As empresas tiveram até 5 de outubro para retirar suas propagandas e encerrar as operações, com a saída das plataformas do ar em 6 de outubro. O governo justifica a decisão como uma forma de combater o endividamento das famílias e os problemas de saúde associados à dependência em jogos. A medida ainda precisa ser analisada pelo Congresso Nacional.
A proibição também é alvo de uma disputa no STF (Supremo Tribunal Federal). A ANJL e o IBJR acionaram a Corte para tentar suspender os efeitos da MP ou ampliar em 6 meses o prazo de transição. O caso está sob relatoria do ministro Luiz Fux.
O Flamengo ingressou como amicus curiae (quer dizer “ amigo da Corte ” ou “ amigo do tribunal ”), condição que permite ao clube apresentar argumentos nos processos. Outras equipes e entidades do setor também questionam a medida. Alegam insegurança jurídica, prejuízos financeiros e impactos sobre contratos de patrocínio anteriormente firmados.
Na 3ª feira (6.out), a AGU (Advocacia Geral da União) pediu a Fux que mantivesse integralmente a proibição. O órgão argumenta que o modelo de regulamentação anterior não foi suficiente para conter os prejuízos sociais e financeiros associados às apostas.
A AGU também sustenta que as empresas não têm direito adquirido à manutenção das regras do setor e que cabe à União definir quais modalidades de loteria podem funcionar no país.
Eis quem já acionou o Supremo contra a MP 1.394:
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-sportsmkt/flamengo-entra-em-campo-com-mensagem-contra-proibicao-das-bets/.

Foto: Poder360
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