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    Fitas esquecidas em Nashville revelam fase inicial feroz dos Cramps

    Ex-vocalista do Black Flag resgata material em novo álbum

    UOL
    27 de agosto de 2026 às 08:00
    Fitas esquecidas em Nashville revelam fase inicial feroz dos Cramps
    Cantor sem camisa e de sunga preta deitado no chão de palco sujo, segurando microfone próximo à boca. Cabos e lixo espalhados pelo chão, com público visível na parte inferior direita. — Foto: UOL

    Expressa juízo de valor sobre a obra cultural comentada e destaca seus elementos positivos e negativos

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    O vocalista Lux Interior da banda The Cramps durante apresentação - Reprodução/Reprodução · Reprodução/Reprodução
    O vocalista Lux Interior da banda The Cramps durante apresentação - Reprodução/Reprodução · Reprodução/Reprodução — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O grupo The Cramps fez seu último show há 20 anos e encerrou de vez as atividades em 2009, com a morte do vocalista Lux Interior . Por mais de três décadas, Lux e a companheira, a guitarrista Poison Ivy, fizeram alguns dos discos e shows mais alucinantes do rock alternativo e ajudaram a criar um subgênero do rock conhecido por psychobilly, que unia o ritmo primal do rockabilly dos anos 1950 de alucinados como Jerry Lee Lewis, Chuck Berry e Little Richard, ao punk e à psicodelia.

    Os Cramps despontaram na cena de punk rock de Nova York de meados dos anos 1970, que gravitava em torno do clube CBGB's e contava com bandas como Ramones, Blondie e Talking Heads. Nunca fizeram sucesso comercial, mas tinham um fã-clube obsessivo e caloroso, que sofreu com a morte de Lux e com o fim da banda. Há alguns anos, a série "Wandinha", da Netflix , apresentou os Cramps para a geração Z ao usar a música "Goo Goo Muck" numa cena marcante interpretada em que a protagonista Jenna Ortega dança o hit. Mas, fora a cena de "Wandinha", os Cramps permaneceram enterrados na memória dos fanáticos.

    Um desses obcecados pelos sons alucinantes da banda é Henry Rollins, ex-vocalista de grupos históricos do punk como Black Flag e Rollins Band. Rollins viu os Cramps ao vivo pela primeira vez em 1979 e ficou maluco com o grupo, que à época contava, além de Lux nos vocais e Poison Ivy na guitarra, com o baterista Nick Knox e outro guitarrista, Bryan Gregory. Nos últimos anos, Rollins tem se dedicado a lançar discos e organizar arquivos sobre a história do rock alternativo e recebeu uma dica de que existiriam fitas de um disco inédito dos Cramps perdidas num estúdio em Nashville, estado do Tennessee, nos Estados Unidos.

    Veja cenas da segunda temporada de 'Wandinha', que volta à Netflix
    Veja cenas da segunda temporada de 'Wandinha', que volta à Netflix — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Rollins foi atrás da informação e descobriu que realmente havia uma caixa com fitas no depósito de um antigo estúdio. A caixa continha simplesmente a íntegra de gravações realizadas pelos Cramps em 1977 e produzidas pelo genial Alex Chilton, líder da adorada banda de power-pop Big Star. O material precedia inclusive o primeiro LP dos Cramps, "Songs the Lord Taught Us", que só sairia em 1980.

    Pouco a pouco, a história daquelas sessões começou a ser revelada. Chilton assistira a um show dos Cramps com os Ramones no CBGB’s e, impressionado com a energia primitiva e feroz da banda, os convidou a gravar na meca do rockabilly, Nashville, onde ficava a gravadora Sun, casa de ídolos dos Cramps como Elvis Presley, Jerry Lee Lewis, Roy Orbison e Johnny Cash.

    As sessões incluíram canções que seriam lançadas depois em discos dos Cramps –"TV Set", "Jungle Hop", "Domino", "Can’t Find My Mind" e "Rockin’ Bones"– e alguns covers até hoje inéditos, como "Hungry", de Paul Revere and the Raiders, "Problem Child", de Sam Phillips, e a explosiva "Rocket in My Pocket", de Jimmy Lloyd. Depois de meses analisando minuciosamente as fitas e separando as melhores tomadas de cada canção, Rollins finalmente chegou a "Gravest Gravy", um disco de 12 canções e 33 minutos de pura demência psychobilly. Até fãs dos Cramps vão se surpreender com as versões ainda mais toscas e lindamente imperfeitas de clássicos da banda.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    No fim dos anos 1980, Lux e Poison Ivy trabalharam na seleção de músicas das sessões com Alex Chilton e chegaram a fazer fotos para a capa do disco, mas o projeto nunca foi para frente. A banda lançou outros discos de inéditas, e "Gravest Gravy" permaneceu enterrado nas caixas empoeiradas no estúdio de Nashville, até que Henry Rollins as resgatou. Graças a ele, os maníacos por Cramps têm material novo –embora grande parte não seja inédito– para ouvir e se deleitar.

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    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: UOL · Fonte: UOL

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/08/fitas-esquecidas-em-nashville-revelam-fase-inicial-feroz-dos-cramps.shtml.

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    O vocalista Lux Interior da banda The Cramps durante apresentação - Reprodução/Reprodução · Reprodução/Reprodução — Foto: UOL

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