Fiocruz concede título póstumo a dez pesquisadores alvos da ditadura militar
A Fiocruz concedeu títulos póstumos de pesquisador emérito a dez cientistas da instituição que tiveram seus direitos políticos cassados pela ditadura militar , em 1970, um episódio que ficou conhecido como Massacre de Manguinhos. A apresentação dos títulos ocorreu na última quarta-feira (5) no Rio. Leia mais (08/08/2026 - 04h00)

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A Fiocruz concedeu títulos póstumos de pesquisador emérito a dez cientistas da instituição que tiveram seus direitos políticos cassados pela ditadura militar , em 1970, um episódio que ficou conhecido como Massacre de Manguinhos. A apresentação dos títulos ocorreu na última quarta-feira (5) no Rio.

Receberam o título Augusto Cid de Mello Perissé , Tito Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti , Haity Moussatché , Fernando Braga Ubatuba , Moacyr Vaz de Andrade , Hugo de Souza Lopes , Masao Goto , Sebastião José de Oliveira e Domingos Arthur Machado Filho .
Houve também uma entrega simbólica a Herman Lent, pesquisador emérito da instituição desde 2004.
Sebastião José de Oliveira, por sinal, foi o primeiro cientista negro da Fiocruz.

Também recebeu a honraria Walter Oswaldo Cruz , filho do patrono da Fiocruz e um dos membros fundadores da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência ).
Descendentes —tanto de sangue quanto científicos— representaram os pesquisadores na cerimônia, que ocorreu nas escadarias do Castelo da Fiocruz .
A entrega dos títulos nesse momento fez referência a algo que aconteceu, em 1986, nas mesmas escadarias: a reincorporação à Fiocruz dos pesquisadores.

Em abril de 1970, a cassação, por dez anos, dos direitos políticos dos pesquisadores foi publicada no DOU (Diário Oficial da União), sustentada pelo AI-5 (Ato Institucional 5). Segundo documento da própria Fiocruz, a publicação no DOU, porém, não significava afastamento dos pesquisadores, o que ocorreu devido a um novo decreto, que os aposentou compulsoriamente e os impediu de ensinar ou pesquisar em instituições públicas.
Os títulos haviam sido aprovados pelo Conselho Deliberativo da Fiocruz em maio, em reconhecimento às trajetórias que marcaram o desenvolvimento científico da instituição.
O atual presidente da Fiocruz, Mario Moreira, disse: "houve tempos sombrios quando governantes viam na ciência livre, soberana, uma ameaça [...]. Estamos aqui exatamente para que não se repita. E esta afirmação política ainda é necessária mesmo passados 56 anos da cassação dos nossos pesquisadores. Para que nunca mais a ciência, a educação e a democracia sejam vistas como ameaças. Ao contrário: como partes constituintes de um país mais justo, mais desenvolvido, com dignidade para todos".

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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2026/08/fiocruz-concede-titulo-postumo-a-dez-pesquisadores-alvos-da-ditadura-militar.shtml.

Cientistas que receberam os títulos póstumos de pesquisador emérito da Fiocruz; eles tiveram seus direitos políticos cassados pela ditadura militar, em 1970; a partir da esq.: Augusto Cid de Mello Perissé, Tito Arcoverde de Albuquerque Cava — Foto: Folha de S.Paulo
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