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    Fim do desmatamento ilegal deve ser prioridade para o próximo governo, diz ex-ministra do Meio Ambiente

    O candidato à Presidência da República que vencer as eleições de 2026 terá que acelerar o fim do desmatamento, implementar as decisões da COP30 e o Plano Clima como objetivo estratégico para garantir a relevância do Brasil no cenário internacional, afirma a ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira. Leia mais (10/08/2026 - 12h00)

    Folha de S.Paulo
    8 de outubro de 2026 às 15:00
    Fim do desmatamento ilegal deve ser prioridade para o próximo governo, diz ex-ministra do Meio Ambiente
    Foto: Folha de S.Paulo

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    São Paulo O candidato à Presidência da República que vencer as eleições de 2026 terá que acelerar o fim do desmatamento, implementar as decisões da COP30 e o Plano Clima como objetivo estratégico para garantir a relevância do Brasil no cenário internacional, afirma a ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira.

    Izabella Teixeira, ex-ministra do Meio ambientel, Conselheira do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) e Co-Chair do Painel Internacional de Recursos do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - Ronny Santos - 26.mai.
    Izabella Teixeira, ex-ministra do Meio ambientel, Conselheira do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) e Co-Chair do Painel Internacional de Recursos do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - Ronny Santos - 26.mai. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "O Brasil é o único país que tem emissões significativas de atividades não econômicas, de crime. Isso [o fim do desmatamento] será importante para definir as estratégias setoriais para a descarbonização, por exemplo, da indústria, da agricultura, e da mineração", afirmou em entrevista à Folha na última sexta-feira (2), durante o Global Agribusinesse Festival (Gaffff), em São Paulo (SP).

    Teixeira foi ministra durante o governo Dilma Rousseff ( PT ), de 2010 a 2016, e hoje é copresidente do Painel Internacional de Recursos do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

    Na avaliação dela, os indicadores de desmatamento são resultado de políticas públicas do governo Lula , em contraste com os "resultados muito ruins da gestão passada", de Jair Bolsonaro (PL).

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    Ela afirma que o país tem hoje as menores taxas da história , mas que a queda precisa continuar. "O Brasil tem que parar [de desmatar] porque nós estamos entregando uma riqueza para o crime", afirma.

    Se a emissão fosse de uma atividade econômica, diz Teixeira, seria possível fazer escolhas para equilibrar os danos com atividades formais de energia limpa que geram emprego e imposto. No entanto, como o desmatamento ilegal é predominante no país, a riqueza escoa para o crime organizado.

    Segundo ela, os grupos que atuam no desmatamento da Amazônia são os mesmos ligados ao tráfico de drogas e de armas que passam pela região, além do garimpo ilegal.

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    "Crime se combate com a polícia, com o Estado, com regulação. As atividades econômicas precisam ter esse risco reduzido para poder serem de fato implementadas e estabelecidas nessas regiões com maior segurança e menos risco", diz.

    Sou muito pragmática. O petróleo é um recurso natural e o Brasil tem as melhores tecnologias do mundo em águas profundas. O mundo ainda depende de petróleo e vai continuar assim por um bom tempo. Veja o que acontece com a guerra do Irã: os países reduziram a vulnerabilidade à variação do preço com estoques, e essa reserva precisará ser recomposta. Não estamos mais discutindo só transição energética, voltamos a discutir segurança energética.

    O Brasil vai produzir petróleo. Acho que tem de inovar no modelo de royalties e de compensações, e definir se vai contabilizar a emissão na exportação. Seria possível ter um fundo internacional, um nacional e o fundo soberano para viabilizar o desenvolvimento da Amazônia e do país.

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    E tem de haver transparência, porque o dinheiro dos royalties financia o SUS e a educação. Se você cortar brutalmente, o que faríamos? Então, tem que ter uma visão inteligente e estratégica de como o Brasil vai progressivamente reduzir sua dependência de derivados de petróleo.

    O país ser híbrido, produzindo petróleo e tendo a maior matriz elétrica renovável do mundo, faz parte de contradições de curto prazo que o mundo não conseguiu resolver. Quando a gente começou a discutir clima , a matriz energética global era 88% dependente de petróleo. Hoje ainda são 80%.

    Não é uma decisão minha [explorar petróleo na Foz do Amazonas], é uma decisão de governo. Tomada a decisão, tenho certeza de que a tecnologia e a regulação ambiental do Brasil darão a segurança necessária.

    A conversa tem que ser pragmática, no meu ponto de vista. É preciso entender como manter novos modelos para neutralizar as emissões e, ao mesmo tempo, remunerar o desenvolvimento do país.

    A COP30 não foi fragilizada pelo desembarque dos Estados Unidos do Acordo de Paris. O governo americano pode ter saído, mas a presidência da conferência conseguiu deslocar o foco da negociação para a agenda de ação.

    Essa agenda traz outros atores para a sala: governadores, setor privado, prefeitos. São atores de governo sentados negociando nas Nações Unidas. Todos vieram e estão fazendo as coisas. A conversa, portanto, é diferente das fantasias que dizem.

    Uma coisa é sair do acordo global e não estar sujeito ao regime jurídico que pode imputar responsabilidade às empresas americanas por não cumprirem a meta. Mas ao colocar a agenda de ação, todos estão fazendo negócio, todos estão correndo atrás do mesmo jeito e vão ter que disputar, por exemplo, com a China, que tá aí eletrificando o mundo com os carros.

    A COP31 será híbrida, na Turquia e na Austrália , e terá de dar andamento a temas decididos na COP30, como a transição justa [apoio a trabalhadores e comunidades afetados pela saída dos combustíveis fósseis] e o financiamento. Para mim, a discussão de como avançar nesses temas será o assunto mais quente.

    Ela também servirá de aquecimento para a COP32, na Etiópia, que já deve tratar de adaptação e dos recursos para a realização da conferência, a partir de uma nova agenda global sobre o tema.

    Foi ministra do Meio Ambiente no governo Dilma Rousseff (2010-2016). É copresidente do Painel Internacional de Recursos (IRP), do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), e conselheira do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais). Recebeu o Prêmio Liderança Global em Meio Ambiente, da ONU , em 2013.

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/economia-sustentavel/2026/10/fim-do-desmatamento-ilegal-deve-ser-prioridade-para-o-proximo-governo-diz-ex-ministra-do-meio-ambiente.shtml.

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    Izabella Teixeira, ex-ministra do Meio ambientel, Conselheira do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) e Co-Chair do Painel Internacional de Recursos do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - Ronny Santos - 26.mai. — Foto: Folha de S.Paulo

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