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    Filha com doença rara que causou a morte da mãe consegue transplante renal

    Diagnóstico silencioso levou à hemodiálise, mas doação permitiu transplante e mudança de rotina após meses de espera

    Metrópoles
    19 de setembro de 2026 às 14:22
    Filha com doença rara que causou a morte da mãe consegue transplante renal
    Foto: Metrópoles

    A campanha Setembro Verde chama atenção para a importância da doação de órgãos, um gesto que pode mudar vidas. Foi o que aconteceu com a gestora hospitalar Adriana Teles, de 49 anos, que recebeu um transplante de rim após ser diagnosticada com a mesma doença que levou a mãe à morte enquanto aguardava por um órgão.

    Adriana descobriu a doença aos 41 anos, durante exames exigidos para um processo de mudança para o Canadá . Sem apresentar sintomas, foi surpreendida ao saber que os rins já estavam comprometidos.

    “Eu não tive nenhum sintoma. Descobri a doença por acaso, e isso me mostrou que a doença renal pode ser silenciosa”, relata.

    Arquivo pessoal
    Arquivo pessoal — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A investigação levou ao diagnóstico de glomeruloesclerose segmentar e focal ( GESF ) , a mesma condição que afetou sua mãe anos antes. No caso dela, a doença tinha origem genética.

    Segundo o nefrologista Edison Souza, professor associado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ), a GESF afeta os pequenos filtros dos rins, chamados glomérulos, responsáveis por limpar o sangue. Com o tempo, pode levar à perda progressiva da função renal.

    Ele explica que os sinais nem sempre são claros no início. “Os sintomas podem ser leves ou até imperceptíveis, o que contribui para que a doença seja descoberta mais tardiamente”, afirma.

    Adriana Teles passou a atuar na conscientização sobre a doação de órgãos. Metrópoles
    Adriana Teles passou a atuar na conscientização sobre a doação de órgãos. Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Com o diagnóstico, Adriana iniciou a hemodiálise e entrou na fila por um transplante de rim . Foram cerca de 10 meses de tratamento, com sessões semanais que passaram a fazer parte da rotina.

    “A hemodiálise é um tratamento ao qual você é obrigado a se adaptar. É a máquina que passa a te ajudar a continuar vivendo enquanto você aguarda o transplante”, conta.

    Durante esse período, a expectativa pelo órgão compatível passou a fazer parte do dia a dia. “Você não escolhe estar na fila, mas pode escolher como vai viver enquanto espera. Eu escolhi esperar vivendo”, diz.

    A experiência também trouxe uma referência próxima. A mãe de Adriana teve a mesma doença, entrou na fila por um transplante, mas morreu após seis anos sem conseguir um doador.

    A espera por um transplante durou cerca de três meses. Foi nesse período que Adriana recebeu a notícia de que havia um rim compatível. A doação foi autorizada por uma família do Rio Grande do Sul. “Existe uma família que, em meio à própria dor, tomou uma decisão capaz de salvar outras vidas. A gente só consegue agradecer”, reflete.

    O transplante é indicado quando os rins já não conseguem mais manter suas funções. Nesses casos, o procedimento passa a ser a principal alternativa para substituir a função renal.

    “Para muitos pacientes, o transplante representa a melhor opção de tratamento, pois pode proporcionar maior sobrevida e melhor qualidade de vida em comparação à diálise por longos períodos”, explica Sílvia Casas, diretora médica de transplantes da Werfen na América Latina.

    Após o procedimento, segundo a especialista, muitos pacientes conseguem retomar atividades do dia a dia, como trabalhar, estudar e praticar exercícios , embora seja necessário acompanhamento contínuo e uso de medicação.

    Adriana foi transplantada em 2019 e, desde então, passou a atuar na conscientização sobre a doação de órgãos . Hoje, relata uma rotina diferente da que tinha durante o tratamento. “Tomar água, por exemplo, é algo tão simples, mas que, para quem viveu uma doença renal, passa a ter um significado enorme”, diz.

    A experiência pessoal também influenciou sua atuação. “É uma forma de agradecer e de lutar pelas pessoas que ainda estão na fila” , afirma.

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    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/saude/filha-com-doenca-rara-que-causou-a-morte-da-mae-consegue-transplante-renal.

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