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    Figura misteriosa encontrada no Google Earth intriga arqueólogos nos Andes

    Estrutura de pedras a mais de três mil metros de altitude, na Argentina, pode ter sido usada em cerimônias antigas; pesquisadores vão investigar sua origem e função O post Figura misteriosa encontrada no Google Earth intriga arqueólogos nos Andes apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    14 de outubro de 2026 às 10:00
    Figura misteriosa encontrada no Google Earth intriga arqueólogos nos Andes
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    Uma estrutura de pedras com formas circulares, corredores e áreas retangulares, encontrada nas imagens do Google Earth , está intrigando arqueólogos nos Andes argentinos. Localizado na cordilheira do Tigre, na província de Mendoza, o conjunto pode ser um geoglifo de origem antiga, mas sua idade e finalidade ainda são desconhecidas.

    A descoberta chamou a atenção de pesquisadores por suas características incomuns e pela localização remota, a mais de três mil metros de altitude. Uma das hipóteses investigadas é que o local tenha sido utilizado em cerimônias durante o período inca , embora os especialistas não descartem outras origens e funções.

    O estudo faz parte do projeto ArqueoAndes, colaboração entre pesquisadores da Argentina e da Espanha dedicada à investigação das transformações históricas da paisagem na alta montanha dos Andes.

    Figura vista no Google Earth – Imagem: Reprodução/Google Earth
    Figura vista no Google Earth – Imagem: Reprodução/Google Earth — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Vista de cima, a disposição das pedras forma uma figura que pode ser interpretada como um geoglifo. Esse termo é utilizado para descrever desenhos de grandes dimensões feitos diretamente no terreno, por meio de escavações ou da disposição de materiais, como pedras.

    A comparação com as famosas Linhas de Nazca, no Peru, é inevitável. Entretanto, os pesquisadores ressaltam que existem diferenças importantes entre as estruturas.

    Enquanto os desenhos de Nazca foram produzidos principalmente por meio da remoção de pedras e da exposição do solo, o conjunto encontrado em Mendoza apresenta construções formadas pelo empilhamento de rochas e pela criação de corredores.

    Rodrigo Mozelli
    Rodrigo Mozelli — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Por isso, a semelhança visual observada nas imagens de satélite não significa que as duas estruturas tenham a mesma origem, técnica de construção ou finalidade.

    A classificação do achado argentino como geoglifo ainda precisa ser investigada. Os arqueólogos também não sabem se a formação foi construída em um único período ou se passou por modificações ao longo do tempo.

    Uma das principais hipóteses é que a estrutura tenha sido utilizada durante o período inca, entre os séculos XV e XVI. A possibilidade é considerada porque os incas atribuíam importância religiosa a montanhas, caminhos e outros elementos da paisagem.

    Figura vista no Google Earth – Imagem: Reprodução/Google Earth
    Figura vista no Google Earth – Imagem: Reprodução/Google Earth — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Nesse contexto, o local poderia ter desempenhado alguma função cerimonial ou simbólica. Ainda assim, não há evidências suficientes para confirmar essa interpretação.

    A localização também levanta dúvidas. A área é de difícil acesso e não possui fontes de água próximas, características que tornam menos provável uma ocupação residencial permanente.

    Durante o primeiro reconhecimento, os exploradores não encontraram fragmentos de cerâmica nem restos de alimentos na superfície que indicassem a presença de uma comunidade vivendo continuamente no local.

    Os pesquisadores consideram, portanto, a possibilidade de a estrutura ter servido como acampamento sazonal ou ter desempenhado diferentes funções ao longo de sua história. Também não descartam que a construção seja anterior ou posterior ao período inca.

    A ausência de materiais arqueológicos na superfície, porém, não é suficiente para determinar a idade ou o uso do sítio. Essas questões dependerão de análises mais detalhadas.

    Uma nova expedição está prevista para dezembro de 2026, com participação de pesquisadores argentinos e espanhóis. Gobbi deverá acompanhar a equipe como guia até o local.

    O trabalho de campo pretende mapear a estrutura com drones e equipamentos de GPS de precisão, realizar escavações e coletar sedimentos para análises. Os dados poderão ajudar a estabelecer a idade da construção e reconstruir as condições ambientais da região durante os períodos em que ela pode ter sido utilizada.

    A pesquisa integra o ArqueoAndes, que reúne especialistas do Instituto Argentino de Nivologia, Glaciologia e Ciências Ambientais, vinculado ao Conicet, da Universidade Nacional de Cuyo e da Universidade de Jaén, na Espanha.

    Além de esclarecer a origem da estrutura, os pesquisadores pretendem compreender como as populações antigas ocupavam e atribuíam significado à paisagem montanhosa.

    O trabalho também deverá considerar a relação do patrimônio com as comunidades originárias da região de Uspallata. A investigação arqueológica precisa seguir procedimentos que preservem o local e evitem danos às estruturas encontradas.

    Até que a expedição seja concluída e os resultados sejam analisados, a idade, a função e a possível ligação do conjunto com os incas continuarão em aberto. Por enquanto, o Google Earth foi o ponto de partida para uma investigação que pode revelar novos detalhes sobre a presença humana nos Andes.

    Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/10/14/ciencia-e-espaco/figura-misteriosa-encontrada-no-google-earth-intriga-arqueologos-nos-andes/.

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    Figura vista no Google Earth – Imagem: Reprodução/Google Earth — Foto: Olhar Digital

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