Festival de Veneza começa com filmes que descortinam tensões do mundo atual
O Festival de Veneza chega à sua 83ª edição nesta quarta-feira (2), num momento em que o tapete vermelho divide espaço com conflitos políticos. Entre celebridades do cinema mundial, estreias hollywoodianas e uma competição que reúne veteranos como Werner Herzog , Hirokazu Kore-eda , Lee Chang-dong e Nanni Moretti , a mostra italiana será atravessada por questões políticas, sobretudo a guerra em Gaza. Leia mais (09/01/2026 - 16h36)

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O Festival de Veneza chega à sua 83ª edição nesta quarta-feira (2), num momento em que o tapete vermelho divide espaço com conflitos políticos. Entre celebridades do cinema mundial, estreias hollywoodianas e uma competição que reúne veteranos como Werner Herzog , Hirokazu Kore-eda , Lee Chang-dong e Nanni Moretti , a mostra italiana será atravessada por questões políticas, sobretudo a guerra em Gaza.

A programação, que segue até 12 de setembro no Lido, tem "Ink", de Danny Boyle , como filme de abertura. Protagonizado por Jack O’Connell, Guy Pearce e Claire Foy, o filme acompanha a ascensão de Rupert Murdoch, dono de marcas como The Wall Street Journal, New York Post e The Times, no mundo dos tabloides.
Ao todo, 21 longas disputam o Leão de Ouro na mostra principal, uma das oito seções que compõem a programação da mostra de cinema . Entre os títulos está "Bucking Fastard", novo filme de Herzog, que acompanha gêmeas que dividem o jeito de falar, os sonhos e o amor pelo mesmo homem. O elenco reúne as irmãs da vida real Kate Mara e Rooney Mara.
McDonagh, por sua vez, apresenta "Wild Horse Nine", história de dois agentes da CIA enviados para a Ilha de Páscoa num teste de confiança da dupla. O filme reúne John Malkovich , Sam Rockwell, Steve Buscemi e Tom Waits.

Já o italiano Nanni Moretti volta à competição com "It Will Happen Tonight", filme que acompanha um casal de antigos amantes buscando uma segunda chance.
Outro dos títulos de maior expectativa é "Primetime", de Lance Oppenheim, estrelado por Robert Pattinson . O filme é baseado na história de Chris Hansen, apresentador do programa de TV americano To Catch a Predator, que desmascarava pedófilos.
A competição ainda recebe "Look Back", do japonês Hirokazu Kore-eda, sobre a amizade entre duas jovens unidas pelo mangá .

Na ala competitiva, chama ainda a atenção a baixa presença feminina. Dos 21 filmes, apenas um tem direção de uma mulher, "Woman Unknown", da dinamarquesa May el-Toukhy . Já "Naza" entra parcialmente nessa lista, já que Rachel Szor divide a autoria do longa com Yuval Abraham.
O título é um dos que mais devem repercutir em Veneza, pois repete a parceria que os dois firmaram em " Sem Chão ", documentário vencedor do Oscar que gerou polêmica. O novo filme foi incluído na competição posteriormente e aborda o assassinato de civis palestinos em Gaza.
A presença de "Naza" se dá em meio a protestos do Venice4Palestine, grupo apoiado por figuras como Roger Waters e Annie Ernaux e que cobra do festival um posicionamenro pró-Palestina.

Assim, a tensão política chegou ao Lido antes mesmo das primeiras sessões. A tradicional coletiva de imprensa do júri — presidido por Maggie Gyllenhaal — foi cancelada, por um conflito de agenda, supostamente. Depois da repercussão negativa, a conversa com jornalistas foi remarcada.
O Brasil aparece na competição principal com "Ritorno a Buenos Aires", coprodução ítalo-brasileira dirigida por Marco Bechis. O filme trata de um sobrevivente da ditadura argentina que, depois de 33 anos na Itália, retorna a Buenos Aires para depor contra militares envolvidos em sua tortura.
Fora da competição principal, a presença brasileira se amplia . "London", de Victor Di Marco e Márcio Picoli, estreia mundialmente na 41ª Semana Internacional da Crítica, dedicada a longas de diretores em início de carreira. Na seção Venice Spotlight, Débora Nascimento contracena com Ricky Martin em "Hombre Al Agua", de Gael García Bernal.

A música também aparece na programação paralela. O documentário " Oasis : Don’t Look Back in Anger", dirigido por Dylan Southern e Will Lovelace, acompanha a banda britânica Oasis em sua turnê de retorno aos palcos.
Entre os homenageados, o festival entrega Leões de Ouro pelo conjunto da obra aos atores George Clooney e Ellen Burstyn.
Nesta edição, o festival parece interessado em ir além do que as imagens mostram. Dos tabloides de Rupert Murdoch em "Ink" às exposições de "Primetime", passando pelos segredos de "Wild Horse Nine" e pela violência de "Naza", o evento reúne filmes que investigam o que há por trás das cortinas, mesmo que o discurso oficial do festival fuja dessa ideia.
Confira a lista dos 21 filmes na competição
"Il fuoco che ti porti dentro (The Fire Within You)" — Edoardo De Angelis
"Kvinde Ukendt (Woman Unknown)" — May el-Toukhy
"Nelson san, anata wa hito wo koroshimashitaka? (Mr. Nelson, Did You Kill People?)" — Shinya Tsukamoto
"Succederà questa notte (It Will Happen Tonight)" — Nanni Moretti
"Kami nour (A Bit of Light)" — Ali Asgari
"Ga-neung-han sa-rang (Possible Love)" — Lee Chang-dong
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/09/festival-de-veneza-comeca-com-filmes-que-descortinam-tensoes-do-mundo-atual.shtml.

Cena do filme 'L'Estranea', de Paolo Strippoli - Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo
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