Fertilizantes seguem caros e demanda deve cair no Brasil, diz Rabobank
Poder de compra do produtor melhora após pico da guerra, mas continua negativo, principalmente nos fosfatados

O mercado global de fertilizantes continua pressionado por preços elevados e pelo enfraquecimento do poder de compra dos produtores rurais, mesmo após a redução das cotações observada desde o pico da guerra no Oriente Médio.
É o que aponta o relatório semestral da Rabobank para o segundo semestre de 2026, publicado nesta quarta-feira (2). Segundo o banco, a recuperação da chamada affordability — indicador que mede a relação entre o custo dos fertilizantes e a renda obtida com as commodities agrícolas — ainda não foi suficiente para estimular uma retomada da demanda.
No Brasil, a combinação entre preços mais altos dos insumos, margens apertadas no campo e restrições financeiras levou a Rabobank a revisar para baixo sua projeção de entregas de fertilizantes em 2026. A estimativa passou de 47 milhões de toneladas, divulgada em abril, para 45,1 milhões de toneladas, abaixo do recorde de 49,1 milhões registrado em 2025. O banco afirma que uma nova revisão para baixo ainda é possível caso as condições no Oriente Médio permaneçam adversas.

O relatório mostra que o índice global de affordability melhorou desde abril, quando os preços dos fertilizantes atingiram os níveis mais elevados após a escalada do conflito no Oriente Médio. Ainda assim, o indicador permanece abaixo da linha neutra e continua classificando os fertilizantes como "não acessíveis" para os produtores nas principais regiões agrícolas do mundo.
O Rabobank projeta melhora gradual ao longo dos próximos 12 meses, mas afirma que a normalização será lenta devido aos problemas persistentes de oferta e à volatilidade do mercado.
Entre os nutrientes, os fosfatados seguem na situação mais crítica. O índice de acessibilidade do fosfato está em -0,59, o pior entre os principais fertilizantes, refletindo preços elevados e custos de produção pressionados pelo enxofre. O potássio aparece próximo da neutralidade, enquanto o nitrogênio também permanece em território negativo.

O Rabobank avalia que a demanda brasileira entrou em um ciclo de ajuste depois do crescimento registrado em 2025. Segundo o banco, produtores seguem reduzindo alavancagem e enfrentando níveis recordes de inadimplência, o que mantém o controle de custos como prioridade nas propriedades rurais pelos próximos 18 meses.
O impacto aparece principalmente nas importações de fertilizantes. No primeiro semestre de 2026, as compras brasileiras de ureia caíram 31% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as importações de nitrogênio, em base nutriente, recuaram cerca de 22%. Já o MAP (fosfato monoamônico) teve queda de 24% em volume, embora parte dessa redução tenha sido compensada por um aumento de aproximadamente 40% nas importações de TSP (super fosfato triplo).
O banco destaca que o índice brasileiro de affordability deteriorou rapidamente após o início do conflito. O indicador passou de 0,05 em janeiro para -0,14 em abril, enquanto o índice específico para nitrogenados caiu de 0,22 para -0,25 no mesmo período.

Desde então, a acessibilidade da ureia voltou a melhorar e atingiu 0,19 em julho, movimento que, segundo a Rabobank, deve estimular novas compras nos próximos meses e reduzir parte da defasagem das importações antes da safra de milho safrinha de 2027. Ainda assim, o banco alerta que o atraso nas compras de ureia pode representar um risco para o abastecimento da próxima safrinha.
Para os fosfatados, a recuperação deve ser mais lenta. O banco holandês afirma que os preços internacionais continuam elevados e não oferecem incentivo suficiente para uma recomposição das importações. Nesse cenário, produtores brasileiros tendem novamente a utilizar o estoque de fósforo já presente no solo, estratégia semelhante à adotada em 2022.
O potássio é a exceção entre os principais nutrientes no mercado brasileiro. As importações cresceram 6% no primeiro semestre de 2026, sustentadas por preços internacionais mais estáveis e por uma oferta considerada confortável pelo banco.

A perda de acessibilidade também deve reduzir o consumo de fertilizantes em outros mercados. O Rabobank estima que a demanda global por ureia cairá cerca de 5% em 2026, após as importações mundiais entre janeiro e julho ficarem aproximadamente 20% abaixo do registrado em 2025. O banco espera recuperação parcial em 2027, à medida que os preços recuem e a China retome parte das exportações.
Nos fosfatados, o cenário é mais restritivo. A instituição projeta queda de 7% na demanda global em 2026 e de mais 5% em 2027, o que representaria três anos consecutivos de retração no consumo. Segundo o relatório, o mercado continua pressionado pela oferta limitada de enxofre, matéria-prima essencial para a produção de fosfatados, e pelos custos elevados de produção.
O Rabobank ressalta que os preços dos fertilizantes recuaram em relação aos picos observados durante os primeiros meses do conflito no Oriente Médio, mas a melhora não foi acompanhada por uma recuperação equivalente nos preços das commodities agrícolas. Com margens ainda comprimidas, produtores seguem adiando compras , reduzindo doses de aplicação ou substituindo nutrientes sempre que possível.



Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/agro/fertilizantes-seguem-caros-e-demanda-deve-cair-no-brasil-diz-rabobank/.

• Divulgação · • Divulgação — Foto: CNN Brasil
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