Política

    Ferramenta da USP mapeia desemprego para detectar recessão

    Pesquisadores adaptam métrica internacional para identificar sinais de desaceleração econômica no país

    Poder360
    7 de setembro de 2026 às 11:30
    Ferramenta da USP mapeia desemprego para detectar recessão
    Foto: Poder360

    Pesquisadores adaptam métrica internacional para identificar sinais de desaceleração econômica no país

    Uma publicação do Made (Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades), ligado à Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da USP (Universidade de São Paulo), usa dados do mercado de trabalho para identificar, com mais rapidez, sinais de uma possível recessão no Brasil. O chamado Indicador Made adapta ao cenário brasileiro a Regra de Sahm , regra criada nos Estados Unidos e que permite acompanhar mês a mês mudanças no emprego e no desemprego.

    De acordo com Guilherme Klein, pesquisador do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Faculdade de Economia da USP, e docente na Universidade Federal do Rio de Janeiro, um dos autores da nota, o indicador funciona como um alerta antecipado de recessão, pensado para ajudar o poder público a agir antes que uma crise econômica se consolide.

    Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD . Inscreva-se Inscreva-se

    O indicador é baseado no mercado de trabalho, pois as informações sobre emprego e desemprego são divulgadas com mais frequência. O MADE compara a média da taxa de emprego dos últimos três meses com o pior nível registrado nos 12 meses anteriores. Quando essa diferença ultrapassa o limite definido pelos pesquisadores, o indicador acende um alerta de possível recessão.

    Para funcionar na realidade brasileira, o indicador precisou ser adaptado às características do mercado de trabalho do país. Como o Brasil tem uma alta taxa de informalidade, que atinge mais de um terço da população ocupada, os pesquisadores ajustaram o cálculo para captar oscilações menores no emprego. Assim, o limite que aciona o alerta de recessão foi reduzido para 0,3 ponto porcentual, tornando a ferramenta mais adequada ao cenário brasileiro.

    Os pesquisadores analisaram os dados desde 1980 através da aplicação da regra e encontraram 14 recessões e mais dois indicativos extras entre 2005 e 2006 e em 2013. “Eles não se tornaram recessões de fato, mas, quando a gente olha para a evolução histórica, de fato estavam acontecendo coisas importantes ali, e o indicador sinaliza para a gente que era um momento de inflexão” , explica o pesquisador.

    Durante a pandemia, o indicador também captou a recessão provocada pela covid-19. Segundo Guilherme Klein, o período recessivo ocorreu entre maio de 2020 e julho de 2021 e terminou em agosto de 2021. Desde então, o indicador não registrou uma nova sinalização de recessão, tornando-se o período mais longo da história, desde 1980, sem recessão.

    Enquanto o PIB mede o desempenho geral da economia a partir da produção de bens e serviços, o Indicador MADE acompanha o mercado de trabalho, com foco em emprego e desemprego, para identificar mais rapidamente sinais de deterioração econômica. Segundo Klein, os dois indicadores são complementares: o PIB pode levar mais tempo para confirmar uma recessão, enquanto o MADE funciona como um mecanismo de alerta, capaz de captar mudanças no mercado de trabalho que afetam diretamente o bem-estar da população.

    A proposta, portanto, não é substituir o PIB ou os demais métodos de análise, mas oferecer uma ferramenta complementar de alerta, capaz de ajudar na identificação mais rápida de possíveis períodos de recessão e orientar a adoção de políticas públicas.

    Este texto foi publicado originalmente pelo Jornal da USP, em 24 de agosto de 2026, às 12h05. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360 .

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-economia/ferramenta-da-usp-mapeia-desemprego-para-detectar-recessao/.

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)