Feiras de arte entram num vale tudo global, lutando pelo bolso dos super-ricos
O mercado de arte acordou depois de sonhos intranquilos. Enquanto o verão do hemisfério norte foi bom para adeptos do topless na areia, vendas nunca foram tão glaciais. No Brasil, a última SP-Arte Rotas também não deixou boas lembranças para quem vive de vender arte -o caos eleitoral, com o Supremo em chamas e os fantasmas do banco Master rondando candidatos, explica em parte o receio dos super-ricos. Leia mais (09/07/2026 - 18h00)

Silas Martí é jornalista e crítico de arte. Editor de Ilustrada, foi correspondente em Nova York e escreve sobre arte, arquitetura e design
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O mercado de arte acordou depois de sonhos intranquilos. Enquanto o verão do hemisfério norte foi bom para adeptos do topless na areia, vendas nunca foram tão glaciais. No Brasil, a última SP-Arte Rotas também não deixou boas lembranças para quem vive de vender arte —o caos eleitoral, com o Supremo em chamas e os fantasmas do banco Master rondando candidatos, explica em parte o receio dos super-ricos.
Passada alguma preguiça, as feiras entram agora em setembro em rota de colisão no mundo todo, disputando a fortuna dos endinheirados num vale tudo global.
Essa festa começou com a edição da britânica Frieze em Seul . Duas galerias paulistanas deram as caras na feira recém-encerrada, a onipresente Mendes Wood DM e a jovem Yehudi Hollander-Pappi . A dinâmica segue agora com a Artbo , em Bogotá , com a AM, de Belo Horizonte , e a paulistana Vermelho no páreo, a ArtRio , na capital fluminense, que ainda concentra o grosso do mercado do país na ressaca da SP-Arte , a nova ArPa , em Buenos Aires , que conta com a Almeida & Dale e a Mendes Wood DM ao sul da fronteira, a Contemporary Istanbul, na metrópole turca, com a paulistana Andrea Rehder e a brasiliense Karla Osorio, e a Armory , em Nova York , que terá a presença da Nara Roesler .

O clima é tenso. Além da quebradeira de galerias de peso no mundo todo, estudos recentes mostram que a demanda do mercado está concentrada nas chamadas "obras-troféu", peças caríssimas que só mudam de mão entre super-ricos em operações no altíssimo escalão do mercado, ou seja, de bilionário para bilionário. O resto dos mortais disputa migalhas das vendas de nomes emergentes, que podem até brilhar no circuito, mas não fazem a conta das galerias fechar.
ANJOS TORTOS Longe das locomotivas, a galeria Flexa , no Rio de Janeiro , abre em paralelo à ArtRio uma de suas mostras mais ambiciosas, que olha para a influência do barroco da era colonial do país sobre artistas como Adriana Varejão , Alfredo Volpi , Beatriz Milhazes , Sonia Gomes , Tarsila do Amaral e Tunga .
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/plastico/2026/09/feiras-de-arte-entram-num-vale-tudo-global-lutando-pelo-bolso-dos-super-ricos.shtml.

Obra de Gabriel Massan, artista destacado pela Yehudi Hollander-Pappi, na Frieze, em Seul - Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo
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