Febre de “Jingle do Osmarzinho”: saiba quem inventou a primeira mensagem publicitária cantada no Brasil
"Jingle do Osmarzinho", viral em 2026, fez parte de campanha eleitoral há dez anos e é exemplo de estratégia de marketing usada desde 1929 no país

O "Jingle do Osmarzinho" viralizou nas redes sociais, mas nasceu como estratégia de campanha em uma disputa eleitoral pela prefeitura de Cocal dos Alves, Piauí , em 2016. Embora não tenha sido eficaz em impedir a vitória do político, foi marcante o suficiente para voltar à tona e fazer sucesso dez anos depois.
O jingle é um dos muitos exemplos da música sendo usada como artifício do marketing político; uma prática que começou no Brasil em 1929, na campanha presidencial de Júlio Prestes.
Dez anos após ser utilizado contra o candidato Osmarzinho em Cocal dos Alves, no Piauí, um antigo jingle político voltou a viralizar e se tornou um hit nas redes sociais. O caso exemplifica como certas músicas de campanhas eleitorais conseguem resistir ao tempo e ganhar um fôlego inesperado quando resgatadas pela internet.

A música, que contém acusações contra o candidato Osmarzinho e sua família, não foi gerada por inteligência artificial, mas ressurgiu com força nas redes sociais.
Devido à repercussão, Osmarzinho conseguiu uma decisão judicial para retirar o conteúdo do ar. No entanto, a decisão não reverte a ampla divulgação do conteúdo.
Formato importado da publicidade dos Estados Unidos, o jingle chegou no Brasil durante a disputa entre Getúlio Vargas e Júlio Prestes para as eleições de 1930. Inspirado nas marchinhas carnavalescas, que já apresentavam teor político, o compositor Francisco José Freire Júnior escreveu o primeiro jingle de campanha do país, "Seu Julinho Vem", em apoio a Prestes.

A canção marcou história ao entoar nas rádios uma melodia memorável, que fortalecia a presença do candidato na mente dos eleitores. Mas a carreira de Freire Júnior vai muito além da publicidade: o artista foi um dos compositores mais celebrados da música popular brasileira e do teatro de revista.
No entanto, Prestes perdeu a eleição e Vargas veio a assinar um decreto que deu força ainda maior aos jingles. Em 1932, o então presidente autorizou e regulamentou a publicidade no rádio via Decreto Lei nº 21.111. A presença das marcas no meio aumentou, desde leituras cruas de nomes de empresas e produtos até experimentos mais criativos com músicas e efeitos sonoros.
A estratégia chegou a ser impedida anos depois, quando o uso do rádio na propaganda eleitoral foi proibido durante a ditadura do Estado Novo. Em 1950, seria novamente Getúlio Vargas que inspiraria um dos jingles mais populares da política brasileira e tornaria a música-tema uma arma indispensável de campanha.

"Retrato do Velho" foi o hino do retorno de Vargas ao poder, e foi o primeiro de uma sequência de jingles icônicos em eleições presidenciais. "Juscelino é o Homem" marcou a campanha de Kubitschek na disputa seguinte, assim como "Varre, Varre Vassourinha" virou febre na candidatura de Jânio Quadros em 1960.
A popularidade do formato fez com que candidatos a eleições em âmbitos cada vez menores passassem a criar e veicular seus próprios jingles.




Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/curiosidades/febre-de-jingle-do-osmarzinho-saiba-quem-inventou-a-primeira-mensagem-publicitaria-cantada-no-brasil/.

Júlio Prestes teve o primeiro jingle político do Brasil, "Seu Julinho Vem", veiculado nas rádios durante as eleições de 1929 • Wikimedia Commons · • Wikimedia Commons — Foto: CNN Brasil
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