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    Febre de IPOs em Wall Street esfria com demanda fraca e preocupação de investidores

    As ofertas públicas iniciais (IPOs, na sigla em inglês) em Wall Street desaceleraram até quase parar, à medida que a fraca demanda dos investidores por novas operações e as preocupações com avaliações elevadas pesam sobre o que se previa ser um trimestre excepcional para novas listagens. Leia mais (10/04/2026 - 12h00)

    Folha de S.Paulo
    4 de outubro de 2026 às 15:00
    Febre de IPOs em Wall Street esfria com demanda fraca e preocupação de investidores
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    Londres e Nova York | Financial Times As ofertas públicas iniciais (IPOs, na sigla em inglês) em Wall Street desaceleraram até quase parar, à medida que a fraca demanda dos investidores por novas operações e as preocupações com avaliações elevadas pesam sobre o que se previa ser um trimestre excepcional para novas listagens.

    Tela com informações na Bolsa de Nova York - Jeenah Moon - 29.set.26/Reuters · Jeenah Moon - 29.set.26/Reuters
    Tela com informações na Bolsa de Nova York - Jeenah Moon - 29.set.26/Reuters · Jeenah Moon - 29.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O grupo de postos de combustíveis EG Group, a empresa de energia nuclear Holtec, a startup Oura e a empresa de data centers SB Energy suspenderam, nas últimas semanas, seus planos de abrir o capital nos Estados Unidos. A Bamboo Insurance adiou seu IPO no mês passado.

    O adiamento de duas estreias muito aguardadas em Wall Street também piorou o clima nos mercados acionários dos Estados Unidos. A Anthropic, cujos investidores esperam que chegue à Bolsa avaliada em mais de US$ 2 trilhões, deverá abrir o capital em meados de novembro , após as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, mais tarde do que se previa. A rival OpenAI adiou seu aguardado IPO para o próximo ano .

    "Neste momento, ninguém se importa com nada que não seja a Anthropic. Os investidores não estão entusiasmados com essas outras empresas ", afirmou o chefe da área de mercado de capitais acionários de uma grande gestora de ativos dos Estados Unidos.

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    Os bancos de investimento vêm tendo um ano extraordinário, em grande parte graças ao IPO da SpaceX em junho, que captou o valor recorde de US$ 86 bilhões, e a uma onda de emissões de dívida por grupos de tecnologia do Vale do Silício que buscam financiar gastos elevados com data centers.

    Mas o mercado de IPOs perdeu força nas últimas semanas, em meio à crescente preocupação com uma retração no setor de inteligência artificial e à oposição pública aos data centers.

    Muitos dos IPOs menores foram adiados devido ao crescente ceticismo dos investidores em relação às avaliações "alheias à realidade" atribuídas a empresas ligadas ao boom de investimentos em IA, acrescentou o banqueiro. A SB Energy, apoiada pelo SoftBank, almeja uma avaliação de cerca de US$ 50 bilhões, apesar de ainda não ter colocado uma única instalação em operação.

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    As ações das empresas de tecnologia que estrearam na Bolsa neste ano acumulam, em média, queda de cerca de 23% desde o primeiro dia de negociação, segundo a BCA Research, ampliando as preocupações de que os bancos estejam superavaliando as operações. Alguns dos maiores IPOs deste ano, entre eles o da SpaceX, dispararam na estreia, mas perderam esses ganhos nas semanas seguintes.

    "O mercado está ficando muito mais esperto em relação a essas operações", disse um investidor de um banco britânico. "As ações sobem por um dia e depois vão sangrando. [Os IPOs] recebem uma demanda muito superior à oferta, impulsionada por capital especulativo em busca dessas disparadas do primeiro dia."

    Enquanto isso, os primeiros investidores de empresas como a SpaceX acumulam enormes ganhos no papel. "Os novos investidores sabem que estão fazendo um péssimo negócio; todos os ganhos ficam com os acionistas privados", afirmou um ex-banqueiro da área de mercado de capitais acionários.

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    A volatilidade dos preços do petróleo e uma onda global de vendas de títulos públicos aprofundaram a cautela no mercado, o que também pode frustrar dois IPOs no setor de hotelaria nos Estados Unidos e na Europa.

    A Ennismore, empresa de hotéis-boutique apoiada pelo grupo francês Accor, vinha discutindo um plano para abrir o capital em Nova York ainda neste ano. A mudança no sentimento do mercado pode levar ao adiamento, segundo pessoas a par do assunto, que ressaltaram não haver uma decisão definitiva. Accor e Ennismore não quiseram comentar.

    A Hotel Investment Partners, grupo espanhol de lazer adquirido pela Blackstone em 2017, vinha discutindo um IPO neste ano na Espanha que poderia avaliar a empresa em mais de 6 bilhões de euros. A incerteza do mercado significa que esses planos também podem mudar, disseram pessoas a par do assunto. Blackstone e HIP não quiseram comentar.

    A gigante de postos de combustíveis EG Group, que opera sob a marca Cumberland Farms, esperava captar cerca de US$ 1 bilhão com uma avaliação de US$ 9 bilhões em uma listagem em Nova York para este ano.

    Nesta semana, os planos foram adiados para 2027, enquanto a empresa também recebeu manifestações preliminares de interesse de potenciais compradores, entre eles a investidora em infraestrutura Stonepeak.

    Uma pessoa próxima à empresa também atribuiu a decisão à volatilidade dos preços da energia provocada pela guerra no Irã. Outras companhias que apontam a turbulência do mercado como motivo para mudar seus planos talvez não tenham justificativa tão sólida.

    O S&P 500, de Wall Street, continua próximo de sua máxima histórica, apesar das fortes oscilações nos mercados de títulos e commodities, enquanto o índice Vix, que mede a volatilidade de curto prazo do mercado acionário dos Estados Unidos, permanece contido. Banqueiros dos mercados de capitais normalmente pressionam as empresas a abrir o capital quando o Vix está baixo.

    Na Ásia, a AS Watson, parte do conglomerado CK Hutchison, adiou para o próximo ano sua listagem dupla de US$ 30 bilhões em Londres e Hong Kong.

    O grupo varejista de saúde e beleza, cujas marcas incluem as redes britânicas Superdrug e Savers, além da Rossmann na Alemanha, planejava captar cerca de US$ 2 bilhões em uma oferta que permitiria à Temasek, de Singapura, vender sua participação. Três pessoas próximas à situação disseram que a listagem estava sendo adiada devido a complicações regulatórias na Ásia.

    A empresa obteve aprovação do órgão regulador do mercado de valores mobiliários da China, mas ainda aguarda o aval da autoridade de segurança cibernética do país, segundo as mesmas pessoas. A companhia não quis comentar.

    No Reino Unido, a livraria Waterstones, controlada pela Elliott, e o grupo de viagens Loveholidays também adiaram suas listagens. "Todos os nomes que tínhamos para 2026 estão sendo empurrados para 2027", afirmou um banqueiro.

    A Dangote Cement, da Nigéria, é o único outro grande IPO previsto em Londres neste ano.

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/negocios/2026/10/febre-de-ipos-em-wall-street-esfria-com-demanda-fraca-e-preocupacao-de-investidores.shtml.

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