Fazer mais com menos
A publicação da segunda edição do Ranking de Eficiência dos Estados (REE-F) , desenvolvido pela Folha em parceria com o Datafolha , lança luz sobre uma contradição incômoda do federalismo brasileiro. Leia mais (09/27/2026 - 22h00)

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A publicação da segunda edição do Ranking de Eficiência dos Estados (REE-F) , desenvolvido pela Folha em parceria com o Datafolha , lança luz sobre uma contradição incômoda do federalismo brasileiro.
A abundância de recursos financeiros nos cofres públicos não se traduz, necessariamente, em melhores serviços de saúde , educação , segurança e infraestrutura para o cidadão.
Ao cruzar indicadores de áreas fundamentais com a receita corrente líquida per capita de cada unidade da Federação, o levantamento demonstra que a capacidade de gestão e a continuidade das políticas públicas são aspectos mais relevantes do que o volume de caixa disponível.

Os dados desmistificam a tese de que apenas a falta de verbas explica os gargalos na máquina pública, já que os estados que lideram a disponibilidade financeira por habitante amargam as piores posições na lista.
É fato que a região Norte enfrenta desafios geográficos, como a baixa densidade populacional e as imensas distâncias territoriais que encarecem a logística de serviços essenciais.
No entanto essa realidade não justifica inteiramente o mau desempenho da região. Indicadores críticos persistem mesmo em áreas urbanas e capitais, onde a escala populacional deveria facilitar o atendimento.

Em contrapartida, o Ceará consegue alcançar a vice-liderança , mesmo ostentando a menor receita per capita do país. Trata-se do fruto de duas décadas de cooperação entre o governo estadual e os municípios.
Paraná ficou na primeira colocação, e São Paulo, na terceira. No fim da lista, está o Amapá, cuja receita per capita é mais que o dobro da paranaense.
Essa discrepância revela que o problema central do setor público brasileiro está na alocação e no monitoramento do dinheiro. Persistem sistemas de saúde regionais desintegrados, redes de ensino sem apoio pedagógico contínuo e investimentos irrisórios em saneamento básico.
É inaceitável que gestores continuem a atribuir carências unicamente à restrição orçamentária, enquanto ignoram falhas administrativas evidentes ou mantêm o comprometimento excessivo de receitas com despesas operacionais e de pessoal.
A função primordial da administração pública é entregar serviços de excelência ao menor custo para o contribuinte. Ao evidenciar boas práticas e revelar gargalos, o ranking oferece uma ferramenta para que a sociedade exija maior racionalidade no uso dos recursos disponíveis.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/fazer-mais-com-menos.shtml.

Orla de Fortaleza, capital do Ceará. - Jarbas Oliveira - 8.set.26/Folhapress · Jarbas Oliveira - 8.set.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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