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    Fazendas especializadas em produzir gado para a UE é a alternativa

    Mais de 200 pecuaristas já demonstraram interesse em participar do programa que certifica animais para exportação à União Europeia, sem uso de antimicrobianos

    CNN Brasil
    20 de agosto de 2026 às 08:01
    Fazendas especializadas em produzir gado para a UE é a alternativa
    Foto: CNN Brasil

    A pressão da União Europeia para restringir o uso de antimicrobianos na produção animal deve levar o Brasil a ampliar os sistemas de segregação de bovinos, suínos e aves.

    No caso da avicultura e suinocultura a adequação deve ser mais rápida e fácil. Além do ciclo mais curto de produção esses setores trabalham de forma integrada. Geralmente as industrias fornecem os animais e os insumos a produtores parceiros que se responsabilizam pelo trato documentando tudo que acontece dentro da atividade.

    O desafio brasileiro está na produção de carne bovina devido à estrutura da cadeia produtiva. Um animal pode passar por diferentes propriedades ao longo de sua vida, nas etapas de cria, recria e engorda, antes de chegar ao frigorífico. O ciclo produtivo mais longo, de cerca de 30 meses ou mais, aumenta a quantidade de informações que precisam ser registradas e preservadas para comprovar o histórico sanitário do rebanho.

    Senado amplia articulação sobre exigências da UE para carne bovina
    Senado amplia articulação sobre exigências da UE para carne bovina — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O Sindan (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal) defende que o país aumente o controle sobre o histórico sanitário desses animais, comprove quais produtos foram utilizados durante a produção, especialmente nos lotes destinados ao mercado europeu, e que incentive fazendas especializadas nesse tipo de produção.

    Em entrevista do CNN Agro News nesta quarta-feira (19) Emílio Salani, vice-presidente executivo do Sindan, afirmou que uma proposta de protocolo de segregação já foi apresentada às autoridades europeias.

    Durante reunião da Câmara Setorial da Carne Bovina, realizada em Brasília esta semana, foi informado que diversas indústrias, confinamentos e produtores já aderiram ao protocolo.

    SRB reforça pressão do setor contra exigências da UE sobre antimicrobianos
    SRB reforça pressão do setor contra exigências da UE sobre antimicrobianos — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Em junho, o Ministério da Agricultura homologou o Protocolo de Exportação de Bovinos Livres de Antimicrobianos, destinado a produtores que desejam vender à UE. Mais de 200 fazendas já demonstraram interesse em participar comprovando que não utilizam antimicrobianos em nenhuma fase de vida do animal.

    "Isso é importantíssimo para nós, mostrar para a comunidade europeia que este protocolo de não uso de antimicrobianos em bovinos de corte é factível, é viável", destacou Salani.

    Segundo Salani, para que os animais já estivessem hoje aptos às exigências europeias a documentação deveria ter sido iniciada há pelo menos dois anos antes, devido ao ciclo longo da atividade.

    Protocolo de transição ainda está em discussão para exigências da UE
    Protocolo de transição ainda está em discussão para exigências da UE — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    "A ideia hoje é iniciar e começar a demonstrar para a comunidade europeia, para que permita ela fazer auditoria e que possa validar o nosso protocolo e aceitar alguns períodos de certificações de não uso", explicou. A proposta é que, em vez de exigir certificação por toda a vida do animal, seja possível certificar parcialmente os lotes e, assim, mantê-los competitivos no mercado europeu.

    As negociações com a União Europeia revelaram uma postura inflexível por parte do bloco.

    Salani confirmou que as tentativas de obter um prazo adicional para a adaptação não foram bem-sucedidas. "Eles foram irredutíveis", afirmou. No entanto, houve um ponto de convergência: ficou estabelecido que a solução não seria banir completamente a classe terapêutica dos antimicrobianos, uma vez que eles são utilizados em outras espécies e para outras finalidades. "Já foi um ganho para nós", avaliou Salani, acrescentando que o processo representa um aprendizado para o setor.

    SRB reforça pressão do setor contra exigências da UE sobre antimicrobianos
    SRB reforça pressão do setor contra exigências da UE sobre antimicrobianos — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Quanto aos custos de adaptação, Salani reconheceu a dificuldade de estimá-los, pois variam de propriedade para propriedade. O não uso dos antimicrobianos, usados como melhoradores de desempenho, pode trazer desvantagens no período de terminação do animal e no ganho de peso. "Eu acho que vai ser pareado com o preço que a Europa estiver disposta a pagar", disse.

    Além das exigências europeias, o setor vem enfrentando outro problema relevante: a escassez de vacinas clostridiais , consideradas fundamentais para a viabilidade dos bezerros e para a prevenção de mortes súbitas no rebanho. Salani explicou que duas das oito empresas produtoras desse imunizante migraram sua produção do modelo nacional para o importado, o que gerou um vácuo no abastecimento.

    Segundo Salani, o Sindan atuou junto ao Ministério para evitar que a crise se agravasse, conseguindo liberar mais de 40 milhões de doses até o momento. "Nós estamos voltando à normalidade das clostridiais", afirmou. O consumo nacional desse tipo de vacina é estimado entre 160 e 180 milhões de doses por ano. A expectativa é de que, até dezembro, a demanda prevista para 2026 seja atendida, com retorno à plena normalidade a partir de 2027, incluindo outras vacinas de uso obrigatório, como as de brucelose e raiva.

    Senado amplia articulação sobre exigências da UE para carne bovina
    Senado amplia articulação sobre exigências da UE para carne bovina — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
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    Protocolo de transição ainda está em discussão para exigências da UE — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/agro/fazendas-especializadas-em-produzir-gado-para-a-ue-e-a-alternativa/.

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