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    Faz mal tomar remédio fora do horário? Atrasar antibióticos e medicamentos de uso contínuo pode prejudicar tratamento

    Esquecer de tomar um remédio na hora certa, vez ou outra, é normal. Às vezes, lembramos da dose só no dia seguinte. Alguns medicamentos de uso contínuo, no entanto, exigem um cuidado maior, e tomá-los todos os dias no mesmo horário faz diferença. Leia mais (09/23/2026 - 12h00)

    Folha de S.Paulo
    23 de setembro de 2026 às 15:00
    Faz mal tomar remédio fora do horário? Atrasar antibióticos e medicamentos de uso contínuo pode prejudicar tratamento
    Foto: Folha de S.Paulo

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    Esquecer de tomar um remédio na hora certa, vez ou outra, é normal. Às vezes, lembramos da dose só no dia seguinte. Alguns medicamentos de uso contínuo, no entanto, exigem um cuidado maior, e tomá-los todos os dias no mesmo horário faz diferença.

    Pontualidade ao tomar remédios favorece o tratamento, dizem especialistas - Topntp26/Freepik · Topntp26/Freepik
    Pontualidade ao tomar remédios favorece o tratamento, dizem especialistas - Topntp26/Freepik · Topntp26/Freepik — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Seguir o planejado é importante para manter níveis adequados do princípio ativo no organismo ao longo do dia, afirmam especialistas. A posologia —ou seja, de quanto em quanto tempo a dose é tomada— ajuda o medicamento a alcançar o efeito esperado com segurança, explica a farmacêutica Pâmela Saavedra, integrante da coordenação técnica do CFF ( Conselho Federal de Farmácia ).

    O intervalo entre as doses considera quanto tempo a substância age no organismo e como é eliminada, diz Saavedra. Há medicamentos de liberação mais rápida, que exigem maior frequência, e de liberação prolongada, que liberam o princípio ativo aos poucos e permitem intervalos maiores, ela completa.

    Por isso, alguns remédios precisam de maior pontualidade. Entre eles, estão imunossupressores , anticonvulsivantes, antibióticos , anticoncepcionais , alguns medicamentos psiquiátricos e para arritmias cardíacas .

    Pílula anticoncepcional completa 60 anos no Brasil
    Pílula anticoncepcional completa 60 anos no Brasil — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Toda medicação para tratar uma doença grave deve seguir um rigor com o horário, afirma Paulo Abrão, presidente da SPI (Sociedade Paulista de Infectologia). Atrasos ou perdas de doses podem levar à falha do tratamento, diz.

    A pontualidade melhora a adesão ao tratamento e reduz oscilações que podem provocar perda de eficácia, efeitos adversos ou sintomas de descontinuação, explica Antônio Geraldo da Silva, presidente da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria).

    O atraso ou esquecimento pode reduzir a concentração do medicamento no organismo e, consequentemente, diminuir seu efeito, explicam os especialistas. O impacto varia conforme o remédio e o esquema prescrito.

    60% da população brasileira lê a bula do remédio, segundo pesquisa publicada na Revista Brasileira de Epidemiologia
    60% da população brasileira lê a bula do remédio, segundo pesquisa publicada na Revista Brasileira de Epidemiologia — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No caso de antidepressivos e outros fármacos psiquiátricos, o atraso pode causar reaparecimento de sintomas, oscilações clínicas ou sintomas de descontinuação, como náusea e insônia , explica Silva.

    Não é que o remédio precise ser tomado exatamente no mesmo minuto. Os especialistas dizem que não existe uma margem de esquecimento igual para todos os fármacos. "Em muitos casos, uma pequena variação de minutos ou até uma hora não compromete o tratamento, mas isso depende das características do medicamento, da formulação, frequência das doses e condições do paciente", diz Silva.

    Por isso, o mais seguro é manter o horário o mais próximo possível do estabelecido. "Pequenos atrasos podem ter pouca importância para alguns tratamentos; para outros, a regularidade é mais importante", observa Saavedra.

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    Entre os medicamentos que exigem um cumprimento rigoroso, Silva cita aqueles com menor duração de ação. No transtorno de pânico , por exemplo, a crise pode se instalar rapidamente, e nem sempre há tempo suficiente para que o remédio produza efeito, ele explica.

    Abrão lista os anticonvulsivantes, cujo atraso pode causar crises ep ilépticas , e os imunossupressores —se não forem tomados corretamente em transplantes de rim , por exemplo, podem causar rejeição do órgão, afirma.

    No caso de antibióticos, respeitar o intervalo ajuda o tratamento a funcionar corretamente, explica Saavedra. O atraso pode tornar infecções resistentes e mais graves, acrescenta Abrão.

    A regularidade dos anticoncepcionais também é fundamental, afirma a ginecologista Grazielly Teles, especialista em terapias hormonais . O ideal é tomar todos os dias num horário semelhante, pois isso ajuda a manter a regularidade do uso e evita esquecimentos, diz ela.

    Um pequeno atraso não significa, necessariamente, perda da eficácia, observa a médica. A margem de segurança, no entanto, varia segundo a pílula. As combinadas, que contêm estrogênio e progestagênio, têm tolerância maior. Um atraso isolado inferior a 48 horas geralmente não exige o uso de um método contraceptivo adicional, afirma.

    "O problema é quando ocorrem esquecimentos consecutivos, porque a queda dos níveis hormonais pode permitir a retomada da atividade ovariana e aumentar o risco de ovulação ", explica Telles. O rigor é maior com pílulas que contêm apenas progestagênio, pois algumas formulações têm janela de apenas algumas horas, completa.

    Os especialistas ressaltam que não existe uma regra única para todos os medicamentos quando a dose é esquecida. No geral, recomenda-se tomar assim que lembrar. Mas, se já estiver próximo do horário da dose seguinte, é indicado pular a esquecida e seguir com o esquema habitual, diz o presidente da ABP.

    No caso de anticoncepcionais, a conduta deve considerar qual pílula é utilizada, quantos comprimidos foram esquecidos e em que momento da cartela isso aconteceu, diz Telles.

    O intervalo considerado próximo varia conforme o fármaco e a prescrição. Por isso, deve-se seguir as orientações da bula ou do profissional que acompanha o tratamento. Os especialistas também reforçam que o paciente não deve duplicar ou compensar as doses .

    Tampouco é indicado antecipar a dose. Antecipá-la ou tomar duas doses muito próximas pode aumentar a concentração do medicamento no organismo e, consequentemente, o risco de efeitos adversos ou até de toxicidade , afirmam os especialistas.

    Eles reforçam que o paciente deve seguir a posologia e duração estabelecidas pelo médico, sem modificar ou interromper o tratamento por conta própria.

    Não existe um horário ideal para tomar medicamentos, pois cada um tem sua posologia. O melhor é aquele que respeita a orientação do fármaco e, ao mesmo tempo, se adapta à rotina do paciente, afirma Saavedra, do CFF.

    A prescrição considera as características e os efeitos da substância. Medicamentos que causam sonolência costumam ser administrados à noite, e os que deixam a pessoa alerta, pela manhã.

    Outros pontos devem ser observados, como se o fármaco deve ser ingerido com alimentos ou antes ou depois das refeições, diz a farmacêutica. Um horário fácil de lembrar todos os dias favorece o uso, completa.

    Quando houver a necessidade de alteração, o mais seguro é conversar com o profissional que acompanha o tratamento, ela reforça.

    Tomar vários remédios no mesmo horário é comum e não é necessariamente um problema, segundo Saavedra. Alguns medicamentos, porém, podem interagir entre si, prejudicar a absorção ou exigir intervalos específicos, diz Abrão, da SPI. A avaliação é individual e o paciente deve informar tudo o que utiliza.

    Algumas estratégias simples podem ajudar a lembrar de tomar o remédio na hora certa. Abrão sugere programar alarmes no celular, usar aplicativos de lembrete ou deixar avisos em locais visíveis.

    Também pode ser útil associar a atividades da rotina, como ao tomar café da manhã ou antes de dormir. Ele conclui: "O importante é criar uma rotina fácil de seguir e sem alterar os horários por conta própria".

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/09/faz-mal-tomar-remedio-fora-do-horario-atrasar-antibioticos-e-medicamentos-de-uso-continuo-pode-prejudicar-tratamento.shtml.

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