Brasil

    Favoritismo de Flávio Bolsonaro põe em xeque reeleição de Motta e Alcolumbre, e centrão se movimenta

    O favoritismo de Flávio Bolsonaro ( PL ) na corrida presidencial ameaça a permanência de Hugo Motta ( Republicanos -PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) na presidência da Câmara dos Deputados e do Senado a partir de fevereiro. O PL pretende assumir o comando de pelo menos uma das Casas, e alas do centrão competem para ficar com a outra. Leia mais (10/09/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    10 de outubro de 2026 às 02:00
    Favoritismo de Flávio Bolsonaro põe em xeque reeleição de Motta e Alcolumbre, e centrão se movimenta
    O presidente Lula (ao centro) e os presidentes da Câmara, Hugo Motta (à esq.), e do Senado, Davi Alcolumbre (à dir.) — Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    O favoritismo de Flávio Bolsonaro ( PL ) na corrida presidencial ameaça a permanência de Hugo Motta ( Republicanos -PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) na presidência da Câmara dos Deputados e do Senado a partir de fevereiro. O PL pretende assumir o comando de pelo menos uma das Casas, e alas do centrão competem para ficar com a outra.

    O presidente Lula (ao centro) e os presidentes da Câmara, Hugo Motta (à esq.), e do Senado, Davi Alcolumbre (à dir.) - Gabriela Biló/Folhapress · Gabriela Biló/Folhapress
    O presidente Lula (ao centro) e os presidentes da Câmara, Hugo Motta (à esq.), e do Senado, Davi Alcolumbre (à dir.) - Gabriela Biló/Folhapress · Gabriela Biló/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Flávio ouviu apelos de dirigentes dos partidos de Motta e Alcolumbre para mantê-los nos postos. Uma ala do PL defende fechar eventuais acordos somente a partir de novembro, depois do segundo turno, para evitar atritos. O grupo também quer ouvir a orientação do ex-presidente Jair Bolsonaro, caso ele seja solto pelo STF (Supremo Tribunal Federal) após a eleição.

    Na noite de terça-feira (6), Flávio conversou com o presidente do União Brasil , o deputado federal eleito Antônio Rueda (RJ). À Folha o dirigente afirmou apenas que defenderia a permanência de Alcolumbre, seu correligionário, no comando do Senado. Procurado, ele não respondeu como foi a conversa.

    Aliados de Rueda e Flávio disseram à reportagem que o diálogo não foi produtivo. O candidato do PL segue resistente a Alcolumbre, e boa parte da bancada do partido cobra a troca de comando no Senado.

    Eleição no Senado, em 1º de fevereiro
    Eleição no Senado, em 1º de fevereiro — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O União Brasil, federado com o PP, já declarou apoio a Flávio na disputa. Os partidos esperam que o gesto seja lembrado na partilha do Congresso e dos ministérios. ACM Neto (União Brasil), derrotado na eleição para o Governo da Bahia, é um dos nomes defendidos para compor a Esplanada.

    Alcolumbre foi eleito presidente do Senado em 2025 com apoio do PL, mas perdeu a adesão da direita ao segurar os pedidos de impeachment de ministros do STF . O afastamento de magistrados do Supremo, principalmente Alexandre de Moraes e Flávio Dino , é o objetivo principal dos bolsonaristas.

    A reaproximação com o presidente Lula (PT) antes da eleição piorou a situação. O cenário ficou ainda mais complicado quando o presidente do Senado pautou a PEC (proposta de emenda à Constituição) do fim da escala 6x1 antes do segundo turno, o que pressiona Flávio a se posicionar contra um tema popular.

    A campanha eleitoral de Hugo Motta na Paraíba
    A campanha eleitoral de Hugo Motta na Paraíba — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na Câmara, a situação é semelhante. Motta foi eleito com o apoio do PL, mas enfrentou sucessivos desgastes com o partido. O principal foi não pautar a anistia aos envolvidos com o 8 de Janeiro, o que poderia dar liberdade ao ex-presidente Bolsonaro. Os deputados votaram um projeto paralelo, com redução de penas, e está suspenso por decisão de Moraes .

    Além disso, Motta atendeu ao governo em diversas pautas, como o próprio fim da escala 6x1, aprovada na Câmara em maio. A gota d'água para os bolsonaristas foi a campanha eleitoral. Ele fez campanha aberta para Lula na Paraíba, estado tradicionalmente petista. O deputado se reelegeu, mas não conseguiu fazer do pai, o ex-prefeito de Patos Nabor Wanderley (Republicanos), senador.

    O presidente do Republicanos, o deputado reeleito Marcos Pereira (SP), conversou com Flávio na quarta-feira (7). O partido fechou acordo para apoiá-lo no segundo turno, e o dirigente levou ao candidato a ideia de manter Motta na presidência da Câmara.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo interlocutores, Flávio ouviu a proposta, mas explicou a resistência do grupo a Motta. O próprio Marcos Pereira é citado como opção para manter o Republicanos na presidência da Câmara, mas a possibilidade não foi discutida na conversa.

    Enquanto isso, alas do centrão se movimentam. Presidente do PP e aliado da família Bolsonaro desde o governo anterior, o senador Ciro Nogueira (PI) foi acionado para atuar em prol de Alcolumbre. O ex-ministro da Casa Civil tem boa relação com Flávio e perdeu a reeleição no Piauí em parte por causa disso.

    Na Câmara, um dos citados como alternativa a Motta dentro do centrão é o Doutor Luizinho (PP-RJ). Seria uma saída agradável aos bolsonaristas, pela relação local do parlamentar fluminense com Flávio, que é senador pelo Rio de Janeiro.

    mapa da apuração 2024 - brasil - normal
    mapa da apuração 2024 - brasil - normal — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Outra possibilidade é a candidatura do líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ). Ele foi vice-presidente da Câmara entre 2023 e 2024 e mantém boa relação com o centrão e até alguns partidos de esquerda, além de ser considerado um bolsonarista fiel e expoente da bancada evangélica.

    Integrantes do PL também falam em pinçar algum nome bolsonarista dentro do centrão para rivalizar com Motta. A possibilidade de negociação dos ministérios nessa composição não é descartada. Deputados do PL citam que cabe ao presidente da Câmara dar início a processos de impeachment do presidente da República, e por isso o posto é estratégico e exige alguém de altíssima confiança.

    Motta já admitiu o plano de ser reeleito e foi procurado por líderes de partidos de esquerda para reforçar o apoio em caso de disputa. O grupo elegeu 124 congressistas, tamanho semelhante ao PL, mas depende de ele conseguir a adesão de pelo menos parte do centrão para se viabilizar. O presidente da Câmara conversou esta semana com dirigentes de União Brasil, PP e outras legendas sobre a eleição.

    No Senado, algumas possibilidades estão à mesa bolsonarista. As principais são o coordenador de campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN), e a ex-ministra da Agricultura do governo Bolsonaro Tereza Cristina (PP-MS).

    Como mostrou a Folha , partidos do centrão passaram a defender o impeachment de um ministro do STF para dar um recado ao Supremo. O movimento visa cacifar suas lideranças para presidir o Senado. O ex-presidente da Câmara e deputado eleito Arthur Lira (PP-AL) é citado como possível candidato consensual.

    Se a escolha for por Marinho no Senado, ganha força a possibilidade de o PL apoiar o nome de outro partido na Câmara. Se a escolhida para chefiar os senadores for Cristina, do PP, o PL deve reivindicar o apoio do centrão para comandar os deputados a partir de 2027.

    O PL terá a partir do ano que vem as maiores bancadas do Congresso. O partido contará com 28 cadeiras no Senado na próxima legislatura, além de 11 senadores de outros partidos que foram eleitos com apoio direto de Flávio Bolsonaro. Para eleger o próximo chefe da Casa, são necessários 41 votos.

    Na Câmara, a situação é mais difusa. O PL tem 121 das 513 cadeiras, mas conta com o apoio de parlamentares que estão em partidos do centrão. A federação União-PP é a maior desse grupo, com 87 eleitos para a próxima legislatura.

    Em caso de uma virada e vitória de Lula, a situação de Motta é vista como mais confortável pelos colegas, e o presidente da Câmara teria poucas dificuldades de ser reconduzido. Já Alcolumbre, mesmo nesse cenário, enfrentaria uma eleição difícil porque a direita terá uma bancada expressiva e disposta a tirá-lo.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    As principais notícias da semana sobre o cenário jurídico e conteúdos exclusivos

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/10/favoritismo-de-flavio-bolsonaro-poe-em-xeque-reeleicao-de-motta-e-alcolumbre-e-centrao-se-movimenta.shtml.

    Imagem 1
    1 / 5

    O presidente Lula (ao centro) e os presidentes da Câmara, Hugo Motta (à esq.), e do Senado, Davi Alcolumbre (à dir.) - Gabriela Biló/Folhapress · Gabriela Biló/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)