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    Fascisminho de esquerda

    "Fascisminho de esquerda." A sentença foi dada por Wagner Moura , sem nenhuma hesitação, numa conversa com o jornalista Pedro Bial . Uma crítica direta ao identitarismo, mais especificamente ao autoritarismo ao qual uma ala progressista sucumbiu ao abraçar e colocar em prática os mesmos métodos autoritários que jura combater. Leia mais (08/11/2026 - 18h22)

    Folha de S.Paulo
    11 de agosto de 2026 às 21:22
    Fascisminho de esquerda
    Foto: Folha de S.Paulo

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    "Fascisminho de esquerda." A sentença foi dada por Wagner Moura , sem nenhuma hesitação, numa conversa com o jornalista Pedro Bial . Uma crítica direta ao identitarismo, mais especificamente ao autoritarismo ao qual uma ala progressista sucumbiu ao abraçar e colocar em prática os mesmos métodos autoritários que jura combater.

    O ator, roteirista e diretor Wagner Moura em Nova York - Adam Gray - 23.abr.26/Reuters
    O ator, roteirista e diretor Wagner Moura em Nova York - Adam Gray - 23.abr.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Não é novidade que personalidades da esquerda tenham apontado que a truculência passou a fazer parte do modus operandi de alguns de seus setores —ainda que seus militantes jurem que isso não acontece. O que é absolutamente novo é que Wagner Moura esteja vivo, que não tenha sofrido um único arranhão com a declaração. Não foi chamado de "macho branco privilegiado", não foi alvo de 200 manifestos de repúdio ou de mutirões de cancelamento.

    Moura viaja com a peça "Um Julgamento – Depois do Inimigo do Povo" , adaptada do clássico do norueguês Henrik Ibsen , escrito em 1882. Assisti à estreia no Rio e a sensação de déjà-vu é assustadora. A trama do homem transformado em ameaça por ousar dizer verdades incômodas contra o consenso de uma maioria histérica é o retrato cuspido e escarrado do nosso tempo.

    Vivemos a distopia em que o livre pensamento sofre constante interdição. Além da própria verdade, o alvo virou qualquer reflexão, obra ou conduta que fuja da cartilha ideológica carimbada, seja ela chancelada pela direita ou pela esquerda. Livros, músicas, trabalhos acadêmicos e debates inteiros são marcados com tarjas morais, soterrados por patrulhas que exercitam o autoritarismo fantasiado de virtude.

    Wagner Moura volta aos palcos em 'Um Julgamento - Depois do Inimigo do Povo'
    Wagner Moura volta aos palcos em 'Um Julgamento - Depois do Inimigo do Povo' — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    É precisamente aí que os dois extremos se mostram cada vez mais iguais. Compartilham a mesma obsessão pela pureza ideológica, o mesmo pavor das nuances e a mesma urgência em aniquilar quem diverge minimamente. Sabemos o que acontece com quem ousou fazer a crítica ensaiada por Wagner Moura. Intelectuais, jornalistas e artistas têm sido execrados, linchados e banidos do círculo progressista e do debate público. O ator passou incólume porque a patrulha não é boba e sabe com quem pode ou não mexer.

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    Homem com cabelo grisalho penteado para trás veste smoking preto com gravata borboleta branca, posando diante de fundo vermelho com logotipos TIME 100 e Booking.com.
    Homem com cabelo grisalho penteado para trás veste smoking preto com gravata borboleta branca, posando diante de fundo vermelho com logotipos TIME 100 e Booking.com. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marilizpereirajorge/2026/08/fascisminho-de-esquerda.shtml.

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