Faraó dos Bitcoins admite ter manipulado mercado das criptomoedas
Em depoimentos inéditos, Glaidson e Mirelis detalharam à Justiça o funcionamento da GAS. Carteira de criptoativos ainda é um mistério

Glaidson Acácio dos Santos , conhecido como o Faraó dos Bitcoins , e sua esposa, Mirelis Yoseline Diaz Zerpa, detalharam em depoimentos inéditos à Justiça como funcionava o negócio comandado pelo casal.
Os trechos foram revelados pelo Fantástico, da TV Globo, neste domingo (6/9), enquanto o processo que apura possíveis crimes contra o sistema financeiro entra na reta final.
Segundo as autoridades, o esquema teria movimentado mais de R$ 38 bilhões e deixado cerca de 77 mil vítimas.

A GAS Consultoria, empresa ligada ao casal, prometia rendimentos acima dos praticados no mercado e atraiu milhares de investidores, entre eles artistas, jogadores de futebol e pessoas que chegaram a contrair empréstimos para aplicar dinheiro.
Em juízo, Glaidson admitiu que era uma espécie de “baleia” do mercado de criptomoedas . O termo é utilizado para investidores que concentram quantidade suficiente de ativos para influenciar os preços.
“Como ‘baleia’, eu consigo manipular outras criptomoedas. E entro em contato com outras ‘baleias’ e vamos falar o seguinte: ‘Ó, você aposta na queda, alavanca 10 vezes que nós vamos derreter o preço’”, contou. Ainda conforme Santos, a estratégia poderia provocar uma forte queda no valor de determinada criptomoeda. “No mercado, uns riem, outros vendem lenços”, afirmou.

Glaidson Santos e a esposa Mirelis Zerpa
Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como “Faraó dos Bitcoins”
Mirelis não foi presa junto com o marido em 2021. Após a operação policial, ela deixou o Brasil e foi para os Estados Unidos. Três anos depois, acabou detida pela imigração norte-americana e deportada para responder à Justiça brasileira.

Em depoimento, ela negou que administrasse a carteira de clientes da GAS. Segundo Mirelis, sua função era estudar o mercado e realizar operações com criptomoedas para ampliar os ganhos.
“Meu trabalho sempre foi estudar criptomoedas, multiplicar o dinheiro em criptomoedas e fazer trading de criptomoedas”, afirmou. Ela também disse ter lido todo o processo e classificou as acusações como semelhantes a uma “obra de ficção científica”. O MPF , porém, sustenta que Mirelis dividia com Glaidson a liderança do esquema.
Ainda não se sabe quanto Glaidson mantém em sua carteira de criptomoedas, guardada pela Polícia Federal. Em depoimento, ele não revelou o valor por temer pela própria segurança, mas afirmou ter recursos suficientes para pagar os credores.

Após sua prisão, investigadores identificaram o saque de cerca de 4,5 mil bitcoins, que valiam aproximadamente R$ 1 bilhão à época, de contas na região de Kissimmee, na Flórida.


Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/brasil/farao-dos-bitcoins-admite-ter-manipulado-mercado-das-criptomoedas.

Reprodução/Internet — Foto: Metrópoles
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