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    Famílias organizam funerais sem corpos no Nepal uma semana após catástrofe que matou ao menos 1.130

    Famílias nepalesas fizeram nesta quarta-feira (2) cerimônias fúnebres simbólicas para "libertar as almas" de parentes ainda desaparecidos após a avalanche de lama e rejeitos que, há uma semana, devastou vilarejos inteiros na região do Himalaia , perto da fronteira com a China. Leia mais (09/02/2026 - 06h48)

    Folha de S.Paulo
    2 de setembro de 2026 às 09:48
    Famílias organizam funerais sem corpos no Nepal uma semana após catástrofe que matou ao menos 1.130
    Mulher chorando é ajudada por várias pessoas a sair da água em cerimônia tradicional à margem de rio, com figuras de madeira flutuando. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Famílias nepalesas fizeram nesta quarta-feira (2) cerimônias fúnebres simbólicas para "libertar as almas" de parentes ainda desaparecidos após a avalanche de lama e rejeitos que, há uma semana, devastou vilarejos inteiros na região do Himalaia , perto da fronteira com a China.

    Familiares choram em funerais simbólicos em que incendeiam efígies feitas de palha, seguindo ritos hindus - Prakash Mathema/AFP · Prakash Mathema/AFP
    Familiares choram em funerais simbólicos em que incendeiam efígies feitas de palha, seguindo ritos hindus - Prakash Mathema/AFP · Prakash Mathema/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A tragédia ocorreu em 26 de agosto, quando o colapso de uma geleira provocou uma gigantesca onda de água, rochas, lama e detritos. O desastre atingiu áreas do Nepal e da China e deixou ao menos 1.130 mortos e 4.462 desaparecidos, segundo balanços divulgados pelas autoridades dos dois países.

    Depois de dias de buscas em abrigos e necrotérios, familiares de pessoas que continuam desaparecidas começaram a realizar os últimos ritos. Em cerimônias hindus, eles queimam efígies de palha como forma simbólica de despedida.

    "Precisamos fazer isso para libertar a alma dele, para que fique em paz e feliz onde quer que esteja", afirmou Dolma Newar Tamang, ao lado do filho, durante o funeral do marido. "Vi as notícias e liguei para ele. Liguei várias vezes, mas ele nunca atendeu".

    Inundação e deslizamento matam centenas entre Nepal e China
    Inundação e deslizamento matam centenas entre Nepal e China — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Apesar das cerimônias, as equipes de resgate nepalesas ainda mantêm a esperança de encontrar sobreviventes, principalmente nos túneis de centrais hidrelétricas atingidas pela enxurrada.

    Um dos principais focos está na usina hidrelétrica de Rasuwagadhi, no distrito de Rasuwa, a cerca de 5 km da fronteira com a China. Segundo Amhsu Kiran Shahi, integrante do conselho da Autoridade de Eletricidade do Nepal, 46 pessoas podem estar presas em uma espécie de sala dentro de um dos túneis.

    "Estamos muito confiantes de que devem estar vivas depois de uma semana porque têm comida e água", afirmou Shahi à agência de notícias Reuters.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Até esta quarta, os socorristas recuperaram corpos em túneis bloqueados pela lama, mas continuam escavando, perfurando e retirando toneladas de escombros para tentar alcançar possíveis sobreviventes.

    Ao todo, 279 pessoas já foram resgatadas de projetos hidrelétricos atingidos pela inundação. Pelo menos outras eram 639 consideradas desaparecidas, e algumas podem estar presas nos túneis.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O ministro das Relações Exteriores do Nepal , Shisir Khanal, disse que ainda mantém a esperança de que alguns dos milhares de desaparecidos possam estar vivos. "Milagres acontecem", disse. "No momento, não quero perder completamente a esperança."

    Nepal, Índia e China participam das operações, com especialistas também de outros países. "Estamos usando toda a tecnologia disponível no Nepal neste momento e recebendo ajuda de indianos, chineses e coreanos. Também temos especialistas da Austrália", afirmou Shahi.

    A dimensão da destruição aumentou a indignação no Nepal, país majoritariamente rural com cerca de 30 milhões de habitantes e recursos limitados para responder a uma catástrofe desse porte.

    O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, afirmou que a tragédia é "um sinal sério de que os riscos que na região do Himalaia estão aumentando na mesma proporção das mudanças climáticas".

    Cientistas afirmam que o Himalaia, a maior cordilheira do mundo, está esquentando rapidamente à medida que sobem as temperaturas globais. O aumento do calor acelera o derretimento das geleiras, que formam uma fonte de água para milhões de pessoas na região.

    "As mudanças climáticas são um problema global e a resposta aos desastres também é uma responsabilidade global", escreveu Shah em uma publicação nas redes sociais.

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    A tragédia ocorreu ainda no contexto de dificuldades políticas e econômicas no Nepal. Neste mês, o país completa um ano dos protestos em massa contra a corrupção e uma economia debilitada que levaram à queda do governo anterior.

    Com os necrotérios lotados, as autoridades nepalesas começaram a enterrar centenas de corpos não identificados depois da realização de exames de DNA.

    Entre os desaparecidos estão mais de 800 estrangeiros de mais de 30 países: 583 no Nepal e 261 na China. O grupo inclui turistas que viajavam pela região para fazer trilhas no Himalaia e peregrinos hindus no monte Kailash, no Tibete.

    Pelo menos 17 corpos também foram encontrados em rios na Índia. As autoridades suspeitam que eles possam ser vítimas da avalanche.

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    A escala da destruição é expressiva. Uma estimativa preliminar do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento aponta que o desastre produziu ao menos 2,2 milhões de toneladas de detritos, entre partes de construções, rochas e sedimentos —volume equivalente ao peso de cerca de seis edifícios Empire State.

    Na China, jornalistas estrangeiros enfrentam restrições para cobrir a situação no Tibete, enquanto as autoridades controlam rigorosamente o acesso a fontes de informação na região. Grupos de defesa do Tibete no exílio questionaram a versão apresentada por Pequim sobre o desastre.

    O regime chinês, por sua vez, afirma que "a divulgação de informações tem sido aberta, transparente e oportuna".

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/familias-organizam-funerais-sem-corpos-no-nepal.shtml.

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