Famílias nos Estados Unidos usavam lacuna nas leis postais para mandar filhos pelo correio
Na década de 1910, pais aproveitavam o serviço de entregas para enviar crianças de trem por tarifas mais baixas que as passagens de passageiros

Em 1913, o governo dos Estados Unidos reformulou o sistema postal do país e criou o serviço de encomendas pesadas, liberando o envio de pacotes com mais de 1,8 quilo. A mudança, projetada para atender produtores rurais e movimentar o comércio, abriu margem para situações inusitadas.
Sem uma regra explícita que proibisse a postagem de seres vivos , algumas famílias identificaram uma oportunidade econômica e passaram a despachar os próprios filhos sob o cuidado dos carteiros.
Assim, muito antes de o transporte de menores desacompanhados se tornar comum na aviação comercial, o correio americano passou a receber cargas que iam de caixões e animais até bebês e crianças pequenas.

O pioneiro dessa prática foi o casal Jesse Beauge, morador da cidade de Glen Este, no estado de Ohio. Em 1913, os pais despacharam o filho de dez meses , que pesava aproximadamente 4,5 quilos, até a residência da avó, a cerca de 1,6 quilômetro de distância.
A viagem custou apenas 15 centavos de dólar em selos, e a família ainda contratou um seguro postal de 50 dólares para garantir a segurança da entrega.
Em áreas rurais , o método ganhou espaço e passou a cobrir distâncias cada vez maiores. A pequena Edna Neff, de 6 anos, percorreu mais de 1.100 quilômetros ao ser enviada de Pensacola, na Flórida, para a casa do pai em Christiansburg, na Virgínia.

Os menores não viajavam trancados em caixas ou embalagens. Eles embarcavam nos vagões postais dos trens sob a supervisão dos funcionários do correio, que frequentemente conheciam as famílias da região.
O episódio mais famoso envolveu a garota May Pierstorff, de 4 anos, em 1914. Para enviá-la de trem até a casa dos avós, no estado de Idaho , os pais colaram os selos postais exigidos diretamente no casaco de pano da menina. A jornada curiosa acabou imortalizada anos depois na obra de literatura infantil Mailing May.
Preocupado com as implicações operacionais e os riscos à segurança das crianças, o diretor-geral do Serviço Postal americano emitiu um alerta ainda em 1914 esclarecendo que seres humanos não se enquadravam na categoria de mercadorias. A proibição formal e definitiva que baniu o transporte de pessoas pelo sistema postal entrou em vigor em junho de 1915.

Mesmo com a lei em vigor, a infraestrutura de frete continuou atraindo tentativas audaciosas de deslocamento.
Em 1980, o americano William DeLucia despachou a si mesmo em um voo comercial dentro de um baú de madeira rotulado como " Instrumentos Musicais ". Acomodado com mantimentos e um cilindro de oxigênio, o passageiro clandestino saiu da caixa em pleno voo para furtar encomendas de alto valor guardadas no porão da aeronave.
O esquema só foi descoberto no aeroporto de Atlanta, quando a estrutura de madeira cedeu durante o desembarque das bagagens, resultando na prisão em flagrante do invasor.




Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/curiosidades/familias-nos-estados-unidos-usavam-lacuna-nas-leis-postais-para-mandar-filhos-pelo-correio/.

Uma fotografia encenada de um carteiro com um bebê. (Museu Nacional dos Correios) • Google · • Google — Foto: CNN Brasil
Compartilhe
Espalhe essa notícia

