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    Famílias desafiam estereótipos com brinquedos sem gênero para crianças

    Pais tratam com naturalidade interesse dos filhos por brincadeiras sem limitá-las a rótulos

    UOL
    12 de outubro de 2026 às 03:00
    Famílias desafiam estereótipos com brinquedos sem gênero para crianças
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    Quando escolheu uma sapatilha da personagem Skye, de "Patrulha Canina", Dante, 3, não pareceu se importar com o fato de o modelo ser cor-de-rosa. Ele costuma dançar balé em casa com a mãe, a professora Ana Elisa Maia, 25. Um tempo depois, a criança questionou se deveria participar da atividade. "Tem menino que dança balé, mamãe?", perguntou. Ana respondeu que sim e mostrou ao filho vídeos de bailarinos para que ele tivesse outras referências masculinas.

    Olivia, 5, brinca com carrinho de controle remoto do Super Mario no quintal de sua casa em Interlagos, na zona sul de São Paulo - Fraga Alves/Folhapress · Fraga Alves/Folhapress
    Olivia, 5, brinca com carrinho de controle remoto do Super Mario no quintal de sua casa em Interlagos, na zona sul de São Paulo - Fraga Alves/Folhapress · Fraga Alves/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Estimular brincadeiras sem restringi-las a estereótipos de gênero é benéfico para o desenvolvimento infantil ao ampliar as possibilidades de experimentação das crianças.

    O relatório Gênero e violência: prevenção e resposta , do Unicef, aborda como os estereótipos orientam o cuidado na infância e refletem expectativas sobre como meninas e meninos devem se comportar e que lugares podem ocupar.

    Segundo o documento, as distinções começam na primeira infância , quando meninas são mais estimuladas a demonstrar atenção às necessidades de outras pessoas e brincar de boneca e casinha, por exemplo.

    Atividades e brinquedos sem gênero para crianças
    Atividades e brinquedos sem gênero para crianças — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Os meninos recebem mensagens que tentam afastá-los das emoções, como a ideia de que não devem chorar ou demonstrar medo. Bola, carrinho e brincadeiras de ação podem reforçar aspectos associados à masculinidade tradicional, como força e agressividade.

    Questionar por que determinada brincadeira seria inadequada para uma criança e inverter o gênero imaginado na situação é uma forma de romper com padrões naturalizados sobre gostos de meninos e meninas, sugere a psicóloga Lu Farcetta.

    Marina, 12, nunca se interessou por bonecas ou maquiagem. Quando mais nova, brincava com carrinho e jogava bola. O pai, o metalúrgico Éder Guilherme Martellini, 42, diz que nunca restringiu as brincadeiras da menina.

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    A jornalista Raquel Reis, 39, conta que os pais a incentivavam a brincar de boneca na infância, enquanto o irmão era encorajado a jogar videogame. "Até hoje sou péssima em matemática e acho que isso tem muito a ver com não ter brincado com jogos que estimulam raciocínio lógico", diz.

    Quando se tornou mãe de Olivia, 5, decidiu deixar a filha livre para escolher como brincar. Embora tenha o rosa como cor preferida, a criança diz não gostar de fantasias de princesa, prefere as do Homem-Aranha e do Super Mario.

    No quarto da menina há uma diversidade de jogos, bolas, carrinhos e uma coleção de pelúcias do Pokémon.

    Mãe do pequeno Bento, de 2 anos, Nathalia Miranda, 27, recorda quando percebeu que, sem se dar conta, levava o filho apenas para os corredores de brinquedos considerados de menino nas lojas. Foi a escola, onde ele tinha contato com diferentes brincadeiras, que fez a família perceber as escolhas da criança.

    "Chegava um recado na agenda dizendo ‘Bento brincou de boneca com as amigas hoje’, porque a escola em que ele estuda não coloca limites para as crianças, não deixa só os meninos jogando bola e as meninas brincando de boneca", conta.

    A partir daí, Nathalia e a família passaram a apresentar ao filho diferentes opções de brinquedos. No último aniversário, Bento ganhou bonecas e um kit de enfermeiro. A mãe diz que não o incentiva especificamente a brincar com o que é considerado "de menina", mas tenta não limitar as escolhas do filho.

    Para a psicóloga, questionar essas divisões e permitir que as crianças experimentem outras brincadeiras significa respeitar o gosto individual delas, sem presumir que indiquem algo sobre sua identidade de gênero ou sexualidade.

    "A gente acaba desrespeitando os gostos da criança formando a ideia de gênero que aquela criança tem que ser", afirma.

    O estímulo a brincadeiras sem amarras de gênero também é positivo para que crianças cresçam com referências que não reproduzem estigmas relacionados ao papel da mulher na sociedade, como em relação às tarefas domésticas e de cuidado. Esse tipo de educação torna-se ainda mais importante diante do aumento de casos de misoginia entre os adolescentes.

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    A liberdade para experimentar, contudo, não elimina os constrangimentos que podem surgir fora de casa.

    Raquel, por exemplo, lembra comentários de familiares, como quando o avô paterno perguntou por que a menina deveria ganhar uma caixa de ferramentas. "Respondi que ela vai crescer e pode precisar trocar um chuveiro, como qualquer adulto funcional."

    Para lidar com essas situações, a psicóloga recomenda que a família mantenha diálogo aberto com os filhos e seja transparente sobre possíveis situações que a criança possa enfrentar.

    "Muitos pais buscam evitar ao máximo o sofrimento da criança, mas isso é impossível e também faz parte do amadurecimento delas", afirma a especialista.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2026/10/familias-desafiam-estereotipos-com-brinquedos-sem-genero-para-criancas.shtml.

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