Familiares relatam tentativas de suicídio de militares a bordo de porta-aviões dos EUA no Oriente Médio
Secretário de Defesa americano rebate acusações de má condição de trabalho, e Marinha diz oferecer apoio psicológico

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O secretário de Defesa dos Estados Unidos , Pete Hegseth , afirmou nesta quinta-feira (13) que as notícias sobre as más condições a bordo do porta-aviões USS Abraham Lincoln no Oriente Médio são "completamente deturpadas".

Dois veículos americanos especializados em assuntos militares, o Navy Times e o Stars and Stripes, noticiaram nesta semana tentativas de suicídio a bordo do navio, que conta com 5.000 tripulantes e está no mar desde novembro de 2025.
Trata-se de um período extremamente longo sem aportar: em condições de paz, navios da Marinha americana costumam visitar um porto a cada 45 dias. Durante operações militares, o período entre visitas a portos amigos costuma ser de, no máximo, seis meses. O porta-aviões está desde janeiro no Oriente Médio, participando da guerra dos EUA contra o Irã .
"Garantimos que cada navio, cada tripulação, cada capitão tenha tudo o que podemos oferecer a eles a cada momento. Algumas missões são mais longas do que outras, e tenho mais respeito e gratidão por esses marinheiros do que por qualquer outra pessoa. O que eles fazem em alto mar, nessas condições austeras e com menos escalas em portos é incrível", disse Hegseth.

O NavyTimes noticiou que mais de 200 familiares de militares que estão no navio participaram de uma reunião em San Diego na semana passada com o secretário interino da Marinha, Hung Cao. Durante outra reunião virtual, realizada horas depois, as famílias também expressaram preocupação com a saúde mental, o esgotamento e a segurança dos marinheiros
O vice-almirante Joseph Cahill, comandante das Forças Navais de Superfície, reconheceu a pressão sobre os marinheiros e suas famílias durante esta reunião. "Ouvimos vocês em alto e bom som [em relação ao] impacto que isso tem sobre as famílias, sobre os militares e sobre nossa capacidade a longo prazo de manter e sustentar a saúde de nossas forças", disse Cahill, de acordo com a emissora MS NOW.
Cahill disse que "especialistas em resiliência" e sacerdotes a bordo de navios de guerra, bem como profissionais do Conselhos de Fatores Humanos, atuam para analisar aspectos que afetam o bem-estar dos marinheiros e identificar riscos associados.

A Marinha afirmou que a liderança do porta-aviões USS Abraham Lincoln avalia continuamente a prontidão psicológica dos oficiais e que o navio tem acesso a terapeutas, religiosos, profissionais médicos e outros serviços de apoio. A corporação não forneceu um número preciso de marinheiros que tentaram cometer suicídio a bordo do USS Lincoln durante o atual desdobramento.
Missões longas podem representar uma enorme pressão sobre a saúde mental das tripulações, especialmente em tempos de guerra, e sempre foram um desafio para a Marinha dos EUA. Os marinheiros devem manter um estado elevado de alerta e prontidão, especialmente diante da ameaça de ataques com drones e mísseis do Irã .
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Uma autoridade americana, falando sob condição de anonimato, disse que o porta-aviões George Washington está se dirigindo à região com a intenção de substituir o porta-aviões Lincoln . Essa medida foi planejada com antecedência, afirmou a autoridade.
Políticos democratas estão insatisfeitos com a prorrogação da mobilização do porta-aviões Lincoln e com as condições a bordo do navio.
"Tem havido relatos generalizados de escassez de suprimentos básicos, contaminação da água, problemas no encanamento, deterioração da saúde mental, preocupações com a segurança no convés e interrupções no sistema de correio, o que fez com que muitos pacotes de ajuda a caminho do navio ficassem perdidos no transporte por meses", escreveu o senador Richard Blumenthal a Hegseth e ao secretário da Marinha nesta semana.
Quando questionada sobre os relatos de más condições no navio, a porta-voz da Casa Branca Olivia Wales disse que o presidente Donald Trump e Hegseth estão empenhados em garantir que as Forças Armadas do país estejam "equipadas com os recursos necessários para combater qualquer ameaça aos EUA".
Se você estiver precisando de ajuda, o CVV, Centro de Valorização da Vida, atende 24 horas por dia pelo número 188.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/familiares-relatam-tentativas-de-suicidio-de-militares-a-bordo-de-porta-avioes-dos-eua-no-oriente-medio.shtml.

Caças americanos decolam do porta-aviões USS Abraham Lincoln, em operação no Oriente Médio - Divulgação Marinha dos EUA - 3.mar.26/via Reuters · Divulgação Marinha dos EUA - 3.mar.26/via Reuters — Foto: UOL
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