Família deveria ser sinônimo de acolhimento
Parei de acompanhar telenovelas há décadas, mas confesso que às vezes me entrego ao impulso de deixar a mente divagar diante da TV enquanto a tela exibe um folhetim. Foi assim que um dia desses assisti a uma cena sobre preconceito, sexualidade e autoaceitação na novela " Quem Ama Cuida ". Leia mais (08/16/2026 - 12h00)

Jornalista especializada em comunicação pública e vice-presidente de gestão e parcerias da Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública)
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Parei de acompanhar telenovelas há décadas, mas confesso que às vezes me entrego ao impulso de deixar a mente divagar diante da TV enquanto a tela exibe um folhetim. Foi assim que um dia desses assisti a uma cena sobre preconceito, sexualidade e autoaceitação na novela " Quem Ama Cuida ".
Observando a angústia e a insegurança suportadas por um dos personagens diante da intolerância do avô , me peguei refletindo sobre o quanto a família, que deveria ser um espaço seguro e de acolhimento, muitas vezes é tóxica e impregnada de ódio quando o assunto é orientação sexual ou identidade de gênero em desacordo com o padrão cis-heteronormativo.
O apoio familiar serve de base para a saúde mental e o pleno desenvolvimento de todos os indivíduos, o que, obviamente, abrange as minorias sexuais. Esse acolhimento ajuda a reduzir a ansiedade, o medo e a depressão de quem carrega o fardo de não se enquadrar no padrão de uma sociedade que discrimina tudo que foge do convencional.

Há famílias que apoiam, amparam e buscam letramento (em livros, cartilhas, palestras...) e orientação, mas ainda são minoria. Estamos entre os países mais violentos e hostis à população homossexual e transexual. Em 2019, a homofobia e a transfobia foram equiparadas ao crime de racismo, tornando-se passíveis de punição penal.
Contudo, a violência psicológica, física e os homicídios continuam a impactar drasticamente a vida da população LGBTQIAPN+. Ano passado, foram registradas 257 mortes violentas nessa comunidade , número equivalente a um assassinato a cada 34 horas (Grupo Gay da Bahia).
Para além do caráter ficcional, a teledramaturgia retrata a realidade e exerce influência sobre padrões estéticos, costumes e uma porção de coisas. Nesse sentido, tem o condão de reforçar ou de questionar hábitos e valores tidos como tradicionais.
Torcendo para que a novela contribua para que a nossa sociedade se torne mais segura e solidária. Família deveria ser sinônimo de acolhimento e amor.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ana-cristina-rosa/2026/08/familia-deveria-ser-sinonimo-de-acolhimento.shtml.

Tony Ramos e João Victor Gonçalves em cena na novela 'Quem Ama Cuida' - Reprodução/TV Globo · Reprodução/TV Globo — Foto: Folha de S.Paulo
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