Família cobra Enel por jovem que morreu ao pisar em fio em rua de São Paulo
Três anos se passaram desde que o motoboy e promotor de vendas Vinícius Rosa do Nascimento, na época com 25 anos, morreu ao pisar num fio solto em uma rua de São Paulo e tomar um choque de 13 mil volts. A defesa da família briga contra a Enel na Justiça pelo incidente. Leia mais (08/14/2026 - 10h00)

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Três anos se passaram desde que o motoboy e promotor de vendas Vinícius Rosa do Nascimento, na época com 25 anos, morreu ao pisar num fio solto em uma rua de São Paulo e tomar um choque de 13 mil volts. A defesa da família briga contra a Enel na Justiça pelo incidente.

O caso ocorreu em novembro de 2023, na esteira de um forte temporal que atingiu a capital e a região metropolitana de São Paulo e deixou um rastro de destruição . Ao todo, 2,1 milhões de clientes ficaram sem energia naquela ocasião. Árvores caíram, fios se romperam e quatro pessoas morreram.
A Enel disse que não vai comentar o caso, mas defendeu em juízo não ter responsabilidade sobre o episódio porque o fio, segundo ela, se rompeu por uma linha de pipa com cerol.
Vinícius foi eletrocutado enquanto voltava para casa com a namorada, Beatriz, que ainda se lembra dos detalhes daquele dia. "Foi horrível", disse à Folha . Ambos moravam juntos, tinham planos para se mudar, se casar e ter filhos.

O casal estava em uma moto e não viu o fio atravessado sobre a rua José Catarino dos Santos, no bairro Guacuri, região próxima a Diadema. Vizinhos chegaram a gritar para que o casal parasse. Vinícius freou a moto e pisou no cabo assim que colocou o pé no chão. Caiu imediatamente.
Duas enfermeiras que estavam no local tentaram reanimá-lo. A namorada, que também sofreu uma descarga elétrica e conseguiu se soltar, chegou a acionar o resgate. Mas a ambulância demorou a chegar.
Sem resposta, os próprios moradores levaram Vinícius ao hospital. Ele foi colocado na caçamba de uma picape e encaminhado a Diadema. Já não havia mais tempo . Segundo testemunhas, o fio estava no local havia horas sem que a Enel, ciente do problema, tomasse providências.

Representada pelos advogados Júlio Braz, sócio-fundador do Braz & Santos, e Tamires Silva Ferreira, a família processou a concessionária e ganhou em todas as instâncias.
"Quando essa atuação não acontece e a omissão contribui para um resultado trágico, a responsabilidade civil da concessionária torna-se inevitável", afirma Braz.
A Justiça considerou que "nenhuma providência foi tomada pela concessionária com relação ao necessário isolamento do fio ou do local de forma a evitar o evento danoso". O caso já transitou em julgado —a Enel não pode mais recorrer—, mas os valores a serem pagos ainda são discutidos no Poder Judiciário.

A Enel depositou R$ 348 mil em juízo, mas a defesa da família diz que a quantia é maior porque a concessionária não repassou os valores dentro do prazo determinado inicialmente, razão pela qual deve sofrer multa de 10% sobre o valor devido.
Irmã de Vinícius, Kelly do Nascimento diz que o caso foi um baque para a família. "Hoje eu faço terapia; meu irmão já fez e minha mãe, também", afirma.
A morte do irmão, segundo ela, "era completamente evitável". "Se tivesse uma manutenção ali, isso não aconteceria."
Não é a primeira vez que a Enel sofre uma condenação por problemas relacionados à fiação.
A concessionária acumula reveses na Justiça em ações que apontam prejuízos causados a empresas e moradores ante os sucessivos apagões que desde 2023 atingem a área atendida pela empresa.
As falhas na prestação do serviço colocaram em xeque a concessão em São Paulo. Na última terça (11), a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) rejeitou recurso da Enel para barrar o processo na agência reguladora que pode culminar no rompimento do contrato da empresa.
A palavra final sobre a perda da concessão cabe ao Ministério de Minas e Energia, cujo titular, o ministro Alexandre Silveira, já cobrou publicamente o andamento do processo na agência.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/familia-cobra-enel-por-jovem-que-morreu-ao-pisar-em-fio-em-rua-de-sao-paulo.shtml.

Vinícius Rosa do Nascimento, morto ao pisar em um fio que estava atravessado numa rua em São Paulo; ele morreu na hora - Reprodução · Reprodução — Foto: Folha de S.Paulo
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