Falta identidade vibrante de Carmem Virgínia aos pratos do Altar Cozinha
Crítica | SP Altar Cozinha Afro Pop Ancestral R. Simão Álvares, 445, Pinheiros, região oeste. @restaurantealtarsp . Três estrelas (bom) Leia mais (10/01/2026 - 23h00)

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
Crítica | SP Altar Cozinha Afro Pop Ancestral R. Simão Álvares, 445, Pinheiros, região oeste. @restaurantealtarsp . Três estrelas (bom)

Tem mesmo um altar em frente ao restaurante Altar Cozinha Afro Pop Ancestral, casa da chef pernambucana Carmem Virgínia . Colorido e cheio de doces, ele chama a atenção de quem passa na calçada. Uma olhadela para dentro revela paredes esculpidas para abrigar oratórios, uma bela coleção de santos e um quadro de fitinhas do Senhor do Bonfim .
As paçoquinhas, pirulitos, balas e gomas ficam também à disposição dos clientes nas mesas. O garçom avisa que estão lá para quem quiser adoçar o dia. Uma fala simples e gentil, capaz de deixar o cliente à vontade no primeiro minuto. Pena que a atmosfera é abalada quando você é convidado a acessar o menu em QR code.
Começamos com o eparrei (R$ 65). Cinco pequenos acarajés , vatapá , camarões secos e molho lambão, uma saladinha de tomates leve e fresca que lembra vinagrete. Os acarajés estavam bem fritos, num ótimo dendê, com interior macio e aerado. Os acompanhamentos estavam gostosos. Mas, como todo acarajé, os bolinhos têm sustança de sobra. E você corre o risco de acabar com a fome logo no primeiro pedido.

A dica é: peça o eparrei se a ideia for seguir nas porções. De preferência, se for possível ir ao Altar numa tarde para petiscar sem pressa. Neste caso, prove também o "Irandir e Beto e esse pastel de festa que só Recife tem" (R$ 28). Sim, aos moldes do extenso nome da casa, algumas receitas são batizadas de forma incomum. No caso desta, pode até gerar uma acalorada discussão à mesa sobre a origem da receita. Fato é que o pastel em questão é recheado com carne e finalizado com uma chuvinha de açúcar.
Se a ideia for fazer uma refeição completa, vale deixar as frituras para outra visita. Aí, uma opção é provar os caldinhos. Tem de sururu (R$ 30), de bobó de camarão cremoso (R$ 28) e de feijão com camarões secos (R$ 28).
Entre os pratos, provamos "a rota do indivíduo" (R$ 97). Bem servido, vem com carne de sol artesanal feita com ancho, feijão-verde com bacon, cebola roxa grelhada, farofa de banana-da-terra e pirão de leite. Esperava sabores marcantes, em especial da carne de sol. Mas essa sensação se restringiu à farofa, que estava realmente boa. Sem outros destaques, o pirão de leite, que teria a função de suavizar o conjunto, ficou sem propósito.

Sentimos algo parecido com o "arroz haussá de Mãe Stella de Oxóssi" (R$ 83). Um arroz de coco com charque e camarões também de sabor linear, que não entregou todo o potencial. O excesso de dendê deixou o prato pesado e ofuscou os belos, porém insossos, crustáceos.
Senti falta da identidade vibrante e potente de Carmen Virgínia nas receitas do restaurante, aberto no começo do ano em Pinheiros. Toques autorais que, assim como o altar na porta, provocassem e surpreendessem.

Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://guia.folha.uol.com.br/restaurantes/2026/10/falta-identidade-vibrante-de-carmem-virginia-aos-pratos-do-altar-cozinha.shtml.

Arroz haussá de Mãe Stella de Oxóssi (R$ 83) do Altar Cozinha Afro Pop Ancestral - Priscila Pastre/Folhapress · Priscila Pastre/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

