Falta de recursos em agência da ONU pode deixar 8,3 milhões de refugiados sem assistência
Acnur enfrenta déficit de recursos de US$ 5,8 bilhões após cortes de doadores, aponta relatório

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O agravamento de uma crise de financiamento pode deixar quase 8,3 milhões de refugiados e pessoas deslocadas à força sem acesso à assistência neste ano e levar os sistemas de proteção de a lguns países à beira do colapso , alertou nesta terça-feira (29) a agência das Nações Unidas para refugiados.

O Acnur (sigla da agência em português) enfrenta uma das piores crises de financiamento de sua história, após cortes na ajuda dos Estados Unidos e de outros países. A agência tem um déficit de US$ 5,79 bilhões (cerca de R$ 30,2 bilhões), segundo novo relatório, depois que os recursos disponíveis caíram 24% de 2024 a 2025.
Até julho, o Acnur havia recebido apenas 32% dos US$ 8,51 bilhões (R$ 44,3 bilhões) de que necessitava em 2026, enquanto o número de pessoas deslocadas à força e apátridas em todo o mundo permanece próximo de níveis recordes.
O Acnur prevê que a população sob seu mandato chegue a 131,2 milhões até o fim do ano, ante 129,4 milhões no final do ano passado.

"Abaixo de certo limite, o sistema não encolhe, ele entra em colapso", afirmou a agência no relatório de 26 páginas, que detalha o impacto dos cortes orçamentários sobre o registro de refugiados , os programas de proteção infantil e os serviços destinados a sobreviventes de violência de gênero.
O relatório destacou graves consequências em países que acolhem grandes populações deslocadas. No Chade , para onde refugiados fugiram do conflito no vizinho Sudão , 319 mil pessoas enfrentam atrasos no registro, enquanto 200 mil mulheres e meninas podem perder o acesso a espaços seguros e programas de prevenção.
No Sudão —que a ONU considera palco da pior crise de deslocamento do mundo devido à guerra civil, que entrou em seu quarto ano em abril—, cerca de 140 mil refugiados e solicitantes de asilo continuavam sem registro em meados do ano, após a suspensão das atividades de cadastramento nos primeiros cinco meses de 2026.

No Afeganistão , os auxílios concedidos pelo Acnur às pessoas que retornam ao país foram reduzidos de US$ 375 para US$ 170 por pessoa. Ao mesmo tempo, o país recebeu mais de 1 milhão de pessoas apenas neste ano, em razão de retornos forçados ou voluntários de países vizinhos , incluindo Irã e Paquistão .
O Acnur afirmou que novas medidas de contenção de custos não seriam capazes de compensar a falta de recursos, depois de já ter reduzido seu quadro de funcionários em 33% em 2025, fechado escritórios em 140 localidades e encerrado operações em 15 países em comparação com 2024.
A agência também afirmou que uma parcela cada vez maior dos recursos dos doadores tem destinação rígida, passando de 19%, cinco anos antes, para 51% em 2026, o que limita sua capacidade de redirecionar recursos para as prioridades mais urgentes.

O Acnur alertou que a redução do financiamento vem deteriorando gradualmente o sistema de proteção, aumentando o risco de refugiados permanecerem sem documentação e de sobreviventes de violência de gênero ficarem sem o apoio de que necessitam.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/falta-de-recursos-em-agencia-da-onu-pode-deixar-83-milhoes-de-refugiados-sem-assistencia.shtml.

Mulheres e crianças fazem fila para receber alimentos gratuitos distribuídos no campo de deslocados de al-Mohayra, na região sul de Kordofan, Sudão - 29.jun.26/AFP · 29.jun.26/AFP — Foto: UOL
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