Falta de enzima na gravidez pode originar esquizofrenia, diz estudo
Pesquisa com participação da USP e Unicamp revela que alterações na PHGDH afetam o desenvolvimento do cérebro e podem gerar o distúrbio

Uma nova pesquisa, conduzida por cientistas brasileiros, apontam que a inibição de uma enzima durante o período de formação do cérebro pode estar ligada ao surgimento da esquizofrenia.
O estudo investigou a importância da PHGDH (fosfoglicerato desidrogenase), uma enzima considerada chave para o desenvolvimento do sistema nervoso, para a interação entre neurônios e astrócitos do cérebro em formação.
Os resultados do trabalho apontam que a inibição da PHGDH afeta o desenvolvimento neurológico e está implicada em distúrbios como a esquizofrenia.

A pesquisa foi publicada na revista científica Glial Health Research e contou com a participação da FMRP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto) da USP (Universidade de São Paulo), Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), IDOR (Instituto D’Or de Pesquisa e Educação), UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).
Os distúrbios do neurodesenvolvimento estão ligados a deficiências em redes biológicas complexas . O funcionamento cerebral depende da interação neurônio-astrócito – células que trabalham para o funcionamento do cérebro – e o o neurotransmissor D-serina é essencial para essa comunicação. Por isso, a desregulação dos níveis de D-serina tem sido relacionada à esquizofrenia.
De acordo com a USP, o estudo utilizou modelos neurais humanos desenvolvidos em laboratório para compreender como alterações metabólicas em período precoce podem afetar o desenvolvimento das conexões cerebrais e aumentar a vulnerabilidade a transtornos neuropsiquiátricos.

Estudos anteriores já haviam mostrado que a PHGDH apresentava alterações em pacientes com esquizofrenia. Isso levantou a hipótese de que ela poderia desempenhar um papel importante no desenvolvimento do cérebro e, consequentemente, na doença.
De acordo com Daniel Martins de Souza, um dos pesquisadores do IDOR e professor de Bioquímica da Unicamp, os cientistas se interessaram em estudar a enzima ao encontrá-la desregulada no tecido cerebral de pacientes com esquizofrenia e de células derivadas de pacientes.
“No início, não tínhamos certeza de que a inibição da PHGDH levaria a alterações relacionadas a transtornos do neurodesenvolvimento. Nossa ideia era entender melhor qual era o papel dessa enzima nas fases iniciais da formação do cérebro”, conta Flávio Veras.

Pesquisadores usaram células-tronco humanas para criar neuroesferas, miniaturas 3D que simulam o cérebro em formação, compostas por neurônios e astrócitos (células que alimentam e protegem os neurônios).
A enzima PHGDH foi inibida para avaliar como isso afetava o desenvolvimento dessas células usando diferentes técnicas. Ao bloquear a enzima PHGDH nessas estruturas, eles observaram:
“Foi a partir desse conjunto de evidências que concluímos que alterações na PHGDH podem aumentar a vulnerabilidade a problemas do neurodesenvolvimento, oferecendo uma nova perspectiva para compreender mecanismos relacionados à doença”, afirma Veras.




Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/saude/falta-de-enzima-na-gravidez-pode-originar-esquizofrenia-diz-estudo/.

Imagem de uma mulher grávida. • Pexels · • Pexels — Foto: CNN Brasil
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