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    Falha no transporte de fertilizantes pelo estreito de Hormuz pode gerar crise alimentar, diz ONU

    A falha dos Estados Unidos e do Irã em chegar a um acordo, em poucas semanas, sobre um plano apoiado pela ONU para o transporte de fertilizantes pelo estreito de Hormuz poderia causar uma crise de segurança alimentar em algumas regiões da Ásia e da África , afirmou nesta quarta-feira (14) uma autoridade responsável pela supervisão do esquema proposto. Leia mais (10/14/2026 - 16h12)

    Folha de S.Paulo
    14 de outubro de 2026 às 19:12
    Falha no transporte de fertilizantes pelo estreito de Hormuz pode gerar crise alimentar, diz ONU
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    Bangkok | Reuters A falha dos Estados Unidos e do Irã em chegar a um acordo, em poucas semanas, sobre um plano apoiado pela ONU para o transporte de fertilizantes pelo estreito de Hormuz poderia causar uma crise de segurança alimentar em algumas regiões da Ásia e da África , afirmou nesta quarta-feira (14) uma autoridade responsável pela supervisão do esquema proposto.

    Navio porta-contêineres GFS Pride, que afundou próximo do estreito de Hormuz - Henk Jungerius - 14.out.26/Reuters · Henk Jungerius - 14.out.26/Reuters
    Navio porta-contêineres GFS Pride, que afundou próximo do estreito de Hormuz - Henk Jungerius - 14.out.26/Reuters · Henk Jungerius - 14.out.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    As Nações Unidas criaram uma força-tarefa em março para facilitar a passagem de fertilizantes pelo estreito. O mecanismo elaborado ainda não foi implementado, mas o subsecretário-geral das Nações Unidas, Jorge Moreira da Silva, disse que ele poderia ser ativado dentro de 7 a 10 dias após um acordo entre Washington e Teerã.

    "É absolutamente crucial fechar o acordo nas próximas semanas. Caso contrário, perderemos a época de plantio", disse ele em entrevista em Bangkok, à margem das reuniões anuais do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial.

    A Casa Branca, o Departamento de Estado dos EUA e a Embaixada do Irã em Bangkok não responderam a reportagem.

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    O Irã tem buscado reforçar seu controle sobre o estreito de Hormuz desde os ataques dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro, utilizando esse ponto estratégico para pressionar Washington, que vem mantendo seu próprio bloqueio naval aos portos iranianos.

    Antes da guerra, a via navegável movimentava cerca de um terço da ureia comercializada globalmente —o fertilizante mais utilizado no mundo— e quase metade do enxofre transportado por via marítima, um insumo essencial. É também um importante canal para o abastecimento global de petróleo .

    Os embarques de fertilizantes da região do Golfo permaneceram praticamente paralisados mais de seis meses após o início do conflito, informou o Instituto Internacional de Pesquisa em Política Alimentar, com sede em Washington, em uma nota no mês passado.

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    Os fertilizantes representaram uma parcela "muito insignificante" da retomada de alguns embarques durante um cessar-fogo entre meados de junho e meados de julho, afirmou o instituto.

    Se a interrupção no estreito de Hormuz continuar, os preços das commodities poderão subir até 81% para os cereais, 66% para as culturas oleaginosas e 30% para os produtos de origem animal, de acordo com um relatório de agosto da Câmara de Comércio Internacional.

    "Se perdermos essa época de plantio, a produtividade da agricultura cairá significativamente e o impacto sobre os preços aumentará consideravelmente", disse Moreira da Silva.

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    A operação proposta utilizaria um centro de coordenação em Omã para registrar os navios e coordenar a passagem segura, com monitores da ONU trabalhando em conjunto com as autoridades locais nos portos do Golfo para verificar o carregamento da carga.

    A passagem de apenas cinco navios por dia pelo estreito de Hormuz poderia manter o fluxo de fertilizantes para países em situação de necessidade crítica, disse Moreira da Silva.

    Os navios seriam rastreados durante o trânsito, e inspeções adicionais poderiam ser realizadas caso os países levantassem preocupações sobre um navio ou sua carga, acrescentou.

    O Irã e os Estados Unidos têm trocado propostas por meio de intermediários desde que um cessar-fogo provisório, firmado em junho, fracassou. No entanto, os esforços para reabrir o estreito de Hormuz estão paralisados devido às condições impostas por Teerã e à insistência de Washington em abordar o programa nuclear iraniano desde o início.

    O mecanismo proposto pela ONU poderia operar paralelamente às negociações sobre um acordo abrangente que vise garantir a paz duradoura e a liberdade de navegação, disse Moreira da Silva.

    "O que estamos dizendo a eles é: enquanto vocês continuam suas discussões rumo a um acordo abrangente, deixem-nos trabalhar, deixem-nos fazer nosso trabalho", disse ele, recusando-se a especificar os pontos de impasse exatos para um acordo, já que as discussões continuam com ambos os lados.

    Além da crise de Hormuz, a deterioração da situação na região do Mar Negro, onde navios de carga têm sido alvo de ataques, e uma ofensiva de militantes houthis apoiados pelo Irã ao longo de uma importante rota marítima no Mar Vermelho estão agravando a ameaça à segurança alimentar global.

    "O que estamos testemunhando agora é uma concentração de fatores", disse Moreira da Silva. "A crise climática, a interrupção simultânea de pontos de estrangulamento marítimos no Mar Negro, no Mar Vermelho e no estreito de Hormuz."

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/agro/2026/10/falha-no-transporte-de-fertilizantes-pelo-estreito-de-hormuz-pode-gerar-crise-alimentar-diz-onu.shtml.

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    Navio porta-contêineres GFS Pride, que afundou próximo do estreito de Hormuz - Henk Jungerius - 14.out.26/Reuters · Henk Jungerius - 14.out.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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