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    Fachin apenas expôs à nação o quarteto da impunidade

    Se o presidente do Supremo Tribunal Federal ( STF ), Edson Fachin , tinha alguma estratégia para fazer avançar a investigação das ligações entre o ministro Alexandre de Moraes e o corruptor Daniel Vorcaro , ela fracassou. Leia mais (09/16/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    17 de setembro de 2026 às 01:00
    Fachin apenas expôs à nação o quarteto da impunidade
    Homem calvo veste terno, gravata azul e toga preta, sentado em cadeira de couro marrom claro, gesticulando com as mãos durante sessão formal. Microfone e laptop à sua frente, ambiente interno com pessoas desfocadas ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo

    Texto não assinado que expressa a opinião da Folha

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    Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) - Antonio Augusto - 15.set.26/Divulgaçao STF · Antonio Augusto - 15.set.26/Divulgaçao STF
    Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) - Antonio Augusto - 15.set.26/Divulgaçao STF · Antonio Augusto - 15.set.26/Divulgaçao STF — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Se o presidente do Supremo Tribunal Federal ( STF ), Edson Fachin , tinha alguma estratégia para fazer avançar a investigação das ligações entre o ministro Alexandre de Moraes e o corruptor Daniel Vorcaro , ela fracassou.

    A tão aguardada sessão pública para a deliberação óbvia e urgente se tornou histórica pelo pior motivo —uma exposição de rara clareza da degradação de uma instituição fundamental do Estado democrático de Direito.

    Sobraram quase apenas dúvidas de todo o falatório e das trocas de ofensas entre os ministros. Não se sabe quais serão os próximos passos do rito processual, muito menos se haverá como desfazer o impasse criado pela divisão dos ministros.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A única certeza é que, mais uma vez, o recurso ao pedido de vista foi utilizado como artifício protelatório a partir de um pretexto esfarrapado. Com isso, o exame do tema ficará parado por até 90 dias, talvez à espera de um escândalo maior que ocupe o noticiário, talvez na expectativa de um conluio salvador para todos.

    Para o fiasco decerto contribuiu a inesperada e mal-explicada saída de cena de Kassio Nunes Marques , que se declarou impedido com a risível alegação de estar no comando do Tribunal Superior Eleitoral ( TSE ) e diante de um caso com potencial impacto no pleito.

    Pouco antes, divulgara-se que nas mensagens do celular de Daniel Vorcaro —cujo conteúdo havia sido requisitado pelos ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes , além de Moraes— havia menções a pagamentos feitos a um filho de Nunes Marques. Não muito depois, soube-se de uma agressiva troca de mensagens entre Nunes Marques e Gilmar.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Com menos um voto esperado a favor da investigação, a sessão foi dominada pelo quarteto da impunidade —o próprio Moraes, que, a exemplo de Dias Toffoli , deveria ter declarado sua suspeição, Flávio Dino , responsável pelo pedido de vista , Gilmar e Zanin.

    Sem nenhum vestígio de escrúpulo ou constrangimento, o grupo exibiu à nação um vasto repertório de chicanas regimentais, verborragia bacharelesca e, quando necessário, provocações grosseiras. Fachin, cuja autoridade foi questionada desde o início, serviu ao papel de tirar das sombras do tribunal a atuação dos que defendem o indefensável.

    Pois, ao fim e ao cabo, tudo não passa de pretender que um ministro do Supremo não se sujeite às mesmas leis que aplica aos demais cidadãos —e, mesmo se dizendo inocente, não possa se submeter a um mero procedimento investigativo no qual teria oportunidade de esclarecer os fatos.

    Contra o descaramento resta, por ora, a vigilância da sociedade, dado que seus representantes se encontram às voltas com cálculos eleitorais a poucos dias do pleito. Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ), por exemplo, busca se distanciar de Moraes com platitudes como "se cometeu delito, tem de pagar", mas sem defender abertamente uma investigação.

    A política nacional parece fadada a tratar do tema doravante.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/fachin-apenas-expos-a-nacao-o-quarteto-da-impunidade.shtml.

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    Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) - Antonio Augusto - 15.set.26/Divulgaçao STF · Antonio Augusto - 15.set.26/Divulgaçao STF — Foto: Folha de S.Paulo

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