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    Facções tomam Brasil como Hitler tomou Europa, diz secretário do RJ

    Victor dos Santos diz que facções avançam por territórios e afirma que favelas do Rio também servem de refúgio a criminosos de outros estado

    Metrópoles
    12 de agosto de 2026 às 14:24
    Facções tomam Brasil como Hitler tomou Europa, diz secretário do RJ
    Foto: Metrópoles

    O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro , Victor Cesar Carvalho dos Santos, comparou o avanço territorial das facções criminosas pelo país à estratégia adotada por Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. Para ele, organizações como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital ( PCC ) já se espalharam como “metástases” pelo Brasil.

    “É isso que o crime organizado vem fazendo no Brasil. Tomando o Brasil de forma fracionada. Na Segunda Guerra Mundial, Hitler fez a mesma coisa com a Europa. Ele foi tomando pequenos países e assim expandindo o seu poder”, afirmou durante o COP Internacional, realizado em São Paulo. 6 imagens Fechar modal. 1 de 6 Veículos e armas ocupam espaço de eventos

    Artesão faz trabalhos usando cápsulas de munição, vendidas durante a COP Internacional

    Alfredo Henrique/Metrópoles
    Alfredo Henrique/Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Forças policiais também participam do evento expondo equipamentos e uniformes

    Secretário da Segurança do Rio de Janeiro, Victor Cesar

    Segundo o titular da pasta da segurança fluminense, o domínio deixou de se limitar ao tráfico de drogas. O crime passou a se apropriar do território, da economia e do voto, três ativos que ele considera fundamentais ao Estado. Na apresentação, na tarde dessa terça-feira (11/8), ele definiu esse cenário como um “poder paralelo”, capaz de restringir a circulação de moradores, monopolizar atividades econômicas e exercer influência política.

    Homem e terno, sentado, fala ao microfone - Metrópoles
    Homem e terno, sentado, fala ao microfone - Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    À coluna, Victor Cesar afirmou ainda que comunidades do Rio passaram a funcionar como uma espécie de refúgio para criminosos de outros estados ligados a grupos que mantêm relações comerciais com o CV. Segundo ele, diferentemente do PCC, que tende a buscar o próprio domínio, o Comando Vermelho privilegia alianças com organizações criminosas locais.

    Dados da Secretaria de Polícia Penal do Rio ajudam a dimensionar esse movimento. O número de presos no estado que possuíam mandados de prisão expedidos pela Justiça de outras unidades da Federação cresceu 63% entre 2022 e 2025, segundo levantamento do órgão, divulgado pelo governo fluminense.

    Um exemplo ocorreu na megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, em outubro de 2025. Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Pará, cinco mandados expedidos pela Justiça paraense foram cumpridos no Rio. Outros 15 alvos do Pará morreram em confronto durante a ação, ainda de acordo com o governo paraense. Eles eram investigados por crimes como tráfico de drogas, organização criminosa, homicídios, extorsões, roubos e ataques a agentes de segurança.

    Facções tomam Brasil como Hitler tomou Europa, diz secretário do RJ - destaque galeria
    Facções tomam Brasil como Hitler tomou Europa, diz secretário do RJ - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A dinâmica também já apareceu em investigações paulistas. Como mostrou o Metrópoles , Leonardo Felipe Panono Scupin Calixto, o Bode, apontado como liderança do CV em Rio Claro, no interior de São Paulo, foi “batizado” pela facção no Rio e teve ligação com integrantes do grupo instalados em comunidades cariocas.

    Victor Cesar sustenta que a própria geografia do Rio potencializa esse domínio. O estado reúne cerca de 17 milhões de habitantes, 70% deles na região metropolitana. Na capital, 21,73% da população vive em favelas, segundo os dados apresentados pela secretaria.

    “No Rio de Janeiro você vira uma esquina e está na favela. Você está em Copacabana, dobra uma esquina e está no Pavão, Pavãozinho”, exemplificou. Para o secretário, a proximidade entre áreas formais da cidade e territórios dominados pelo crime amplia a mobilidade de criminosos e dificulta as ações de segurança.

    Artesão faz trabalhos usando cápsulas de munição, vendidas durante a COP Internacional
    Artesão faz trabalhos usando cápsulas de munição, vendidas durante a COP Internacional — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Ao defender a retomada desses territórios, o secretário do Rio afirmou que operações policiais continuarão ocorrendo e que o planejamento “não deseja que morram tantos criminosos”,

    “Essa é a opção deles. Se tiver a próxima, que morra 200, que morra 300, que morra 500. O que não pode é o homem do bem, o pai de família ou alguém que mora na comunidade inocente vir a morrer por conta da dominação do território”, acrescentou. Ocupar não basta Para Victor Cesar, porém, apenas entrar nas comunidades com forças policiais não resolve o problema. O plano apresentado pelo governo do Rio prevê ações em cinco eixos. São eles: Segurança Pública e Justiça, desenvolvimento social, urbanismo e infraestrutura, desenvolvimento econômico, além de governança e sustentabilidade.

    “Reocupar é mais do que entrar. É permanecer”, resume a apresentação da Secretaria da Segurança. A proposta, segundo o titular da pasta, é impedir que o vácuo deixado depois das operações permita ao crime retomar território, renda e influência sobre a população.

    Forças policiais também participam do evento expondo equipamentos e uniformes
    Forças policiais também participam do evento expondo equipamentos e uniformes — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Victor Cesar durante palestra
    Victor Cesar durante palestra — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Expositores na COP Internacional 2026
    Expositores na COP Internacional 2026 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Secretário da Segurança do Rio de Janeiro, Victor Cesar
    Secretário da Segurança do Rio de Janeiro, Victor Cesar — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/colunas/alfredo-henrique/faccoes-tomam-brasil-como-hitler-tomou-europa-diz-secretario-do-rj.

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