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    Facções brasileiras expandem seu poder com violência nas fronteiras da Bolívia

    Às margens do fronteiriço rio Mamoré, dezenas de viajantes sobem e descem das lanchas sem parar no controle migratório em Guayaramerín, uma das portas de entrada das facções brasileiras que expandem sua violência pela Bolívia . Leia mais (08/20/2026 - 13h03)

    Folha de S.Paulo
    20 de agosto de 2026 às 16:03
    Facções brasileiras expandem seu poder com violência nas fronteiras da Bolívia
    Vista aérea mostra bairro residencial com casas de telhados vermelhos e ruas pavimentadas. Ao fundo, rio largo com vegetação na margem oposta sob céu claro. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Às margens do fronteiriço rio Mamoré, dezenas de viajantes sobem e descem das lanchas sem parar no controle migratório em Guayaramerín, uma das portas de entrada das facções brasileiras que expandem sua violência pela Bolívia .

    Guayaramerín, na fronteira entre a Bolívia e o Brasil - Aizar Raldes/AFP · Aizar Raldes/AFP
    Guayaramerín, na fronteira entre a Bolívia e o Brasil - Aizar Raldes/AFP · Aizar Raldes/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Nunca ninguém revista" os passageiros, diz Donald Somoza, pedreiro aposentado de 75 anos, nas proximidades do pequeno porto amazônico que vive do comércio com o Brasil.

    A pequena cidade de 40 mil habitantes, com pistas de terra avermelhada que contrastam com o verde da floresta, parece calma em meio ao intenso calor do dia. Mas os moradores denunciam uma insegurança crescente.

    Segundo o governo boliviano, Guayaramerín, assim como outras localidades fronteiriças da Bolívia, viraram um "refúgio" do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV ( Comando Vermelho ), facções brasileiras que disputam o controle de corredores para traficar cocaína pelo Atlântico.

    Pessoas chegam de barco pelo Rio Mamoré em Guayaramerín, na fronteira entre a Bolívia e o Brasil (departamento de El Beni, Bolívia), em 11 de agosto de 2026. Às margens do Rio Mamoré, que delimita a fronteira, dezenas de viajantes embarcam
    Pessoas chegam de barco pelo Rio Mamoré em Guayaramerín, na fronteira entre a Bolívia e o Brasil (departamento de El Beni, Bolívia), em 11 de agosto de 2026. Às margens do Rio Mamoré, que delimita a fronteira, dezenas de viajantes embarcam — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Nas últimas semanas, uma dúzia de homicídios atribuídos a estas facções surpreenderam o país, onde é incomum ver crimes tão violentos, entre eles a chacina de uma família, a descoberta de corpos decapitados ou o homicídio de um agente da polícia .

    Somoza garante ter testemunhado um assassinato com grande repercussão que aterrorizou a população local semanas atrás: a vítima estrangeira levou mais de 80 tiros em plena praça central em um suposto acerto de contas do narcotráfico.

    Este é "um fenômeno bastante novo na Bolívia", um "país muito seguro até alguns anos atrás", explica à AFP o pesquisador Joaquín Chacín, especialista em crime organizado .

    Entrada da sede da polícia em Guayaramerin; membros de facções entram e circulam pelo território livremente - Aizar Raldes/AFP · Aizar Raldes/AFP
    Entrada da sede da polícia em Guayaramerin; membros de facções entram e circulam pelo território livremente - Aizar Raldes/AFP · Aizar Raldes/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    As quadrilhas de narcotraficantes antes trabalhavam com certa permissividade do Estado, que não as confrontava para evitar um surto de violência, enquanto vigorava entre elas uma "pax mafiosa", diz. "Isto se rompeu de alguma forma", acrescenta.

    Ariana Roca, uma professora boliviana de 35 anos, volta com suas sacolas de compras após cruzar o tranquilo rio Mamoré. Ela vem da cidade brasileira de Guajará-Mirim, visível do lado boliviano.

    Ela conta à AFP que agora os crimes acontecem com maior frequência e "às vezes acontecem coisas até debaixo do nariz dos policiais".

    Cinco pessoas descem escada azul para embarcar em barcos coloridos atracados em um rio largo. Vegetação densa aparece na margem oposta sob céu claro.
    Cinco pessoas descem escada azul para embarcar em barcos coloridos atracados em um rio largo. Vegetação densa aparece na margem oposta sob céu claro. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Entre janeiro e setembro de 2025, foram denunciados 774 homicídios de todo tipo, diante dos 325 no mesmo período do ano anterior, segundo dados do Ministério do Governo (Interior).

    Também cresce uma forte sensação de insegurança por assaltos à mão armada, sequestros e outras agressões.

    O agente de câmbio Adhemar Zapata, protegido do sol com uma sombrinha, ultimamente foi atacado duas vezes por assaltantes, a última no começo de agosto. Um deles era brasileiro, segundo as investigações.

    Placa grande com o brasão da Polícia Boliviana e os anos 1826 e 2026, indicando o Comando de Fronteira Policial. Ao fundo, três pessoas, duas em uniforme militar e uma de camiseta branca, conversam na entrada do prédio com a inscrição 'Coma
    Placa grande com o brasão da Polícia Boliviana e os anos 1826 e 2026, indicando o Comando de Fronteira Policial. Ao fundo, três pessoas, duas em uniforme militar e uma de camiseta branca, conversam na entrada do prédio com a inscrição 'Coma — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O governo do presidente Rodrigo Paz (centro direita), que pôs fim a 20 anos de governos socialistas de Evo Morales (2006-2019) e Luis Arce (2020-2025), acusa seus antecessores de terem permitido a propagação da criminalidade.

    Segundo o Ministério do Governo, desde o início da gestão de Paz, em novembro, foram capturados 17 chefes de quadrilhas criminosas internacionais.

    Na semana passada, Paz lançou em Guayaramerín um plano de segurança para aumentar a presença policial nas fronteiras, trocar informação de inteligência com o Brasil e capturar criminosos foragidos dos dois lados.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Para Chacín, contingentes policiais nas fronteiras podem dissuadir a violência, mas o crime organizado deve ser atacado em sua estrutura econômica, é preciso investigar como se lava o dinheiro e quem enriquece.

    "Faz falta um plano sério, mas não se ouve que se esteja trabalhando em algo assim", diz.

    Paz anunciou, ainda, que em Guayaramerín será construída uma ponte que ligará o Brasil à Bolívia, como parte do que será um corredor viário que chegará ao Pacífico, no Peru .

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    Muitos moradores, como o agente de câmbio Zapata, concordam porque dinamizará o comércio, embora também lhes gere preocupação.

    "As quadrilhas, as máfias de roubo, podem atravessar" com mais facilidade, teme Yestin Durán, uma vendedora de bebidas tropicais de 31 anos.

    O próprio chefe de polícia da localidade, coronel Johnny Rivas, o admite. A violência, diz à AFP, "vai aumentar" e "vai nos exigir que aumentemos os efetivos".

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/faccoes-brasileiras-expandem-seu-poder-com-violencia-nas-fronteiras-da-bolivia.shtml.

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    Guayaramerín, na fronteira entre a Bolívia e o Brasil - Aizar Raldes/AFP · Aizar Raldes/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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