Fabricante do Ozempic avalia listar ações diretamente em Nova York
A Novo está aberta à possibilidade de ampliar sua presença na Bolsa de Nova York como parte dos esforços para fortalecer o perfil da fabricante dinamarquesa de medicamentos para perda de peso nos Estados Unidos , após uma iniciativa semelhante adotada pela rival britânica AstraZeneca no início deste ano. Leia mais (09/23/2026 - 11h11)

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Londres | Financial Times A Novo está aberta à possibilidade de ampliar sua presença na Bolsa de Nova York como parte dos esforços para fortalecer o perfil da fabricante dinamarquesa de medicamentos para perda de peso nos Estados Unidos , após uma iniciativa semelhante adotada pela rival britânica AstraZeneca no início deste ano.

"Claramente vejo algumas vantagens nisso", disse ao FT o presidente-executivo da Novo , Mike Doustdar, ao ser questionado sobre a possibilidade de a empresa listar diretamente suas ações na Bolsa de Nova York, substituindo as ADRs (Recibos de Ações Negociados nos Estados Unidos), que atualmente dão aos investidores americanos acesso aos papéis.
"Sou o tipo de pessoa que normalmente não começa com um ‘não’. Começo com um ‘talvez’. Você pode me mostrar os prós e os contras disso? Podemos conversar e discutir a questão", acrescentou. Ele ressaltou, porém, que a empresa não está atualmente estudando a ideia.
A Novo , maior empresa da Dinamarca em valor de mercado, está listada na Nasdaq Copenhagen. Os Estados Unidos, porém, são um mercado cada vez mais importante para a fabricante do Ozempic: o país responde pela maior parte das vendas de seus medicamentos para perda de peso e diabetes e por mais da metade de sua receita, além de representar uma parcela crescente de sua base de investidores.

"Nossa comunidade de investidores, em maior medida, mudou nos últimos 20 anos [para fora da] Escandinávia, e estamos falando cada vez mais com investidores nos Estados Unidos [...] além dos nossos investidores de longo prazo", disse Doustdar.
A AstraZeneca listou diretamente suas próprias ações na Bolsa de Nova York neste ano, em uma tentativa de atrair mais investidores no maior mercado de capitais do mundo. O grupo que integra o índice FTSE 100 manteve sua listagem principal e sua sede no Reino Unido e também possui uma listagem em Estocolmo.
A possibilidade de uma listagem direta da Novo nos Estados Unidos já havia sido discutida na última década, segundo Doustdar. Ele ponderou, porém, que não houve "diálogo ou discussões ativas" sobre o assunto desde que assumiu o cargo de CEO, há pouco mais de um ano.

As ações da Novo caíram quase 8% na segunda-feira (22), depois que Doustdar prometeu recuperar o desempenho da empresa com novos medicamentos capazes de se tornar "blockbusters múltiplos" e expandir a atuação para novas áreas terapêuticas durante um evento com investidores.
As ações da companhia acumulam queda de mais de 20% neste ano, reduzindo seu valor de mercado para cerca de US$ 176 bilhões (R$ 898,5 bilhões), segundo dados da Bloomberg. O valor de mercado da Novo chegou a superar US$ 600 bilhões (R$ 3,06 trilhões) em 2024, e a empresa era, até o ano passado, a companhia mais valiosa da Europa . O grupo havia se beneficiado da popularidade de seus medicamentos pioneiros para perda de peso, mas perdeu espaço para a Lilly.
Agora, o grupo dinamarquês está sob pressão para fechar acordos que reforcem seu portfólio de medicamentos e recuperar terreno na disputa com a rival Lilly, que vem gastando pesadamente em aquisições.

A Novo reduziu sua força de trabalho em 13 mil funcionários no último ano como parte de medidas de corte de custos. Na semana passada, a empresa anunciou uma mudança de marca destinada a aumentar sua atratividade junto aos consumidores, deixando de usar "Nordisk" no nome em situações cotidianas. Na segunda-feira (21), prometeu lançar mais de cinco novos medicamentos com potencial de se tornarem "blockbusters múltiplos" até 2030, além de considerar novas aquisições.
"As negociações [para aquisições] vão continuar, mas de forma disciplinada", disse Doustdar ao FT. "[Não vamos] sair às compras no Natal [porque fazer negócios] está na moda agora."
Doustdar, primeiro estrangeiro a comandar a fabricante dinamarquesa de medicamentos, reconheceu a crescente importância do mercado americano, mas ressaltou a importância das raízes escandinavas da Novo.
"Os Estados Unidos são um país estratégico agora, foram no passado e continuarão sendo no futuro previsível", disse.
Mas acrescentou que a Novo é "uma empresa de origem dinamarquesa que agora é global e internacional e opera com sucesso e orgulho em diferentes partes do mundo. É esse tipo de empresa que gosto de liderar''.
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/negocios/2026/09/fabricante-do-ozempic-avalia-listar-acoes-diretamente-em-nova-york.shtml.

Fabricante do Ozempic promete novos medicamentos e considera aquisições para reforçar seu portfólio - Rubens Cavallari/Folhapress · Rubens Cavallari/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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