Fable e Astra: estamos mais perto da inteligência artificial geral?
Especialista de IA, Álvaro Machado avalia os novos modelos de ponta da OpenAI e Anthropic

Duas das maiores desenvolvedoras de IA anunciaram, nos últimos dias, seus novos modelos de ponta: a Anthropic apresentou o Claude Fable 5.1, enquanto a OpenAI lançou o GPT-6 Astra. Alguns acreditam que os modelos, os mais avançados de ambas as empresas, nos deixam mais perto da Inteligência Artificial Geral (AGI, na sigla em inglês).
É o caso de Jensen Huang, CEO da Nvidia. Em publicação no X (antigo Twitter), ele parabenizou a OpenAI pelo feito: “Do ChatGPT ao o1 e ao Astra em 4 anos. A Inteligência Artificial Geral chegou”, escreveu.
Durante o quadro Prompt CNN no Fechamento de Mercado , do CNN Money , o neurocientista e colunista Álvaro Machado avaliou que Huang tem interesse direto no tema da AGI, já que a Nvidia fabrica chips usados no treinamento de sistemas de IA.

A inteligência artificial geral é um sistema com capacidade cognitiva igualável (ou superior) à humana. Nesse caso, ele seria capaz de realizar tarefas e aprender por conta própria, sem supervisão.
O conceito ainda é amplo, com cada desenvolvedora e especialista estabelecendo seus próprios parâmetros para definir o que é uma AGI.
Machado explicou que a definição foi refinada nos últimos anos. “Inteligência artificial geral é a inteligência artificial capaz de fazer as atividades que são economicamente relevantes”, afirmou.

Para ele, os modelos mais recentes ainda não atingiram esse limiar, mas representam avanços significativos, especialmente em autonomia.
O especialista avaliou que, nos próximos dois ou três anos, deve haver um consenso social de que a AGI foi alcançada no domínio dos modelos de linguagem treinados com dados da internet, os chamados LLMs. São eles que alimentam chatbots como ChatGPT, Claude e Gemini.
Já em outras frentes, o caminho é mais longo.

No caso dos carros autônomos, ele destacou que a exigência de precisão absoluta — já que erros podem ter consequências físicas graves — e as restrições regulatórias tornam o avanço mais lento. “A punição pelo erro é gigantesca. Consequentemente, o cuidado para o avanço é muito maior”, disse.
A robótica humanoide, por sua vez, foi apontada por Machado como o “grande vetor de uma inteligência artificial geral de verdade do futuro”, embora enfrente o desafio de reunir dados de treinamento suficientes para operar no mundo físico.
Estamos próximos da inteligência artificial geral? Veja no Prompt CNN | CNN Brasil

Ao comparar os dois novos modelos , Álvaro Machado destacou que a escolha depende do tipo de atividade.
Para tarefas em que a superioridade de desempenho é decisiva, como análises no mercado financeiro, vale a pena investir nas IAs mais caras. Já em atividades onde a diferença de qualidade entre modelos pagos e gratuitos é pequena, pode não valer a pena.
Em termos de custo, Machado apontou uma diferença relevante: o Fable, da Anthropic, não cobra pela releitura de estruturas de dados durante o processamento, ao contrário do Astra, da OpenAI. Isso pode tornar o Fable mais econômico em determinados fluxos de trabalho.

Em termos de capacidades, ele observou que o Astra avançou significativamente em capacidade de computação — ou seja, na execução de tarefas práticas de escritório —, enquanto o Fable se destaca em raciocínio lógico e inteligência geral.
“O modelo da OpenAI está para uma linha mais pragmática, mais mão na massa. Enquanto o modelo da Anthropic está para uma linha mais cognitiva, sofisticada do ponto de vista do seu pensamento”, concluiu Machado.


Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/inteligencia-artificial/fable-e-astra-estamos-mais-perto-da-inteligencia-artificial-geral/.

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