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    FAB apura áudio de provocação a piloto em MG: ''Não manda nem em casa"

    FAB afirma que uso indevido ou interferência em frequências de rádio da aviação pode configurar crime contra a segurança da navegação

    Metrópoles
    14 de setembro de 2026 às 17:23
    FAB apura áudio de provocação a piloto em MG: ''Não manda nem em casa"
    Foto: Metrópoles

    Belo Horizonte – A Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), informou, nesta segunda-feira (14/9), que está ciente do áudio em que o piloto ouviu a provocação “ você não manda nem em casa, quer mandar aqui ?”. Segundo a FAB, os registros da frequência de rádio utilizada estão sendo analisados .

    O piloto, de 35 anos, seguia do Rio de Janeiro para Varginha , no Sul de Minas, quando questionou uma mudança de rota determinada pelo controle de tráfego aéreo. De acordo com a FAB, os controladores agiram dentro dos procedimentos previstos, com a cortesia e o profissionalismo exigidos.

    “Mudanças de rota e o gerenciamento de fluxo seguem critérios técnicos rigorosos para garantir a segurança e a eficiência dos voos”, informou.

    Flightradar/ Reprodução
    Flightradar/ Reprodução — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Sobre a provocação, a FAB afirmou que não é possível identificar quem fez a transmissão . A fala pode ter partido de outra aeronave ou até mesmo de uma estação em solo.

    Segundo a FAB, todas as comunicações feitas pelos órgãos de controle são gravadas. No entanto, o sistema de rádio utilizado na aviação não permite descobrir, apenas pelo áudio gravado, de onde partiu determinada transmissão.

    “Embora todas as comunicações dos órgãos de controle sejam gravadas, a tecnologia de rádio VHF não permite rastrear a fonte emitente por meio dos áudios gravados” , explicou.

    Piloto questiona mudança de rota e ouve: “Você não manda nem em casa”
    Piloto questiona mudança de rota e ouve: “Você não manda nem em casa” — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A FAB ressaltou ainda que o uso indevido ou a interferência nessas frequências de rádio pode resultar em punições administrativas e até configurar crime contra a segurança da navegação aérea, previsto no artigo 261 do Código Penal.

    O episódio ocorreu em 4 de setembro . O piloto estava acompanhado do copiloto e de um passageiro. Durante a comunicação, Pedro Costa questionou a inclusão de um ponto que, segundo ele, aumentaria desnecessariamente o trajeto. “Poxa vida, será que não pode rever essa rota, não? Porque a Multica fica muito fora da rota”, afirmou.

    A controladora explicou que o desvio era necessário por causa de aeronaves que faziam a descida para o Aeroporto do Galeão. “É porque tem tráfegos que descem bem na rota do senhor. Por isso que tem que ir para Multica, para o senhor quebrar um pouquinho para a direita e depois prosseguir o destino”, explicou.

    O piloto disse compreender a situação, mas argumentou que havia outras possibilidades de rota que não interfeririam no tráfego. A controladora pediu que ele aguardasse enquanto verificava uma alternativa. Na sequência, outra voz entrou na frequência e disparou: “Você não manda nem em casa, quer mandar aqui”.

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    Pedro explicou que o voo já havia saído de Jacarepaguá com uma rota diferente da inicialmente planejada. A intenção era seguir diretamente para Varginha, mas o trajeto precisou ser alterado antes da decolagem para contornar uma área militar que estava ativa.

    Já durante o voo, segundo ele, o controle determinou um novo desvio. A mudança faria a aeronave seguir inicialmente para uma direção diferente da de Varginha, aumentando ainda mais a distância percorrida. “Essa alteração representaria um acréscimo significativo de milhas à rota previamente planejada e aprovada, conduzindo inicialmente a aeronave em direção oposta ao destino pretendido” , explicou ao Metrópoles na semana passada.

    Segundo Pedro, uma mudança desse tamanho não significa apenas levar mais tempo para chegar ao destino. O aumento da distância também interfere na quantidade de combustível necessária e no tempo que a aeronave consegue permanecer no ar, fatores calculados antes da decolagem.

    “Hoje percebo constantemente falhas na coordenação e, quando isso traz grande impacto para o voo, é papel [do piloto] garantir que essa informação seja transmitida para eles conseguirem rever a solicitação”, afirmou.

    Ele também fez questão de diferenciar a provocação da atuação da controladora com quem conversava. Segundo Pedro, o diálogo entre os dois foi cordial e profissional durante todo o episódio.

    “A profissional mostrou-se solícita, compreendeu a preocupação apresentada e explicou de forma clara a dimensão da alteração, sua motivação e que se tratava de uma medida destinada à organização do fluxo de tráfego aéreo”, afirmou. Sobre a frase “você não manda nem em casa, quer mandar aqui”, Pedro disse considerar esse tipo de comentário inadequado. “A comunicação aeronáutica deve ser objetiva, clara, concisa e voltada exclusivamente às necessidades operacionais e à segurança do voo” , afirmou.

    “Independentemente de quem tenha realizado o comentário, considero importante que o episódio seja analisado sob a perspectiva da segurança operacional, e não como uma questão pessoal”, completou.

    O áudio ganhou repercussão nas redes sociais após ser identificado por Thamiris dos Passos, de 24 anos, moradora de Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Entusiasta de aviação , ela costuma acompanhar transmissões ao vivo de aeroportos e as comunicações entre pilotos e controladores de tráfego aéreo.

    Segundo Thamiris, a conversa foi transmitida durante uma live do Aeroporto Internacional do Galeão, no canal AVTV, no YouTube. O canal exibe imagens dos aeroportos e o áudio das comunicações entre pilotos e controladores.

    Ao ouvir a conversa, Thamiris percebeu que o diálogo fugia do padrão das comunicações que costuma acompanhar e decidiu compartilhar o caso. “ Foi algo que ocorreu diferente do que ocorre normalmente e senti vontade de poder falar sobre o que tinha ocorrido. Não imaginei que ia dar essa repercussão ”, contou.

    Para Thamiris, o questionamento feito pelo piloto sobre a mudança de rota faz parte da dinâmica da aviação e não representou um problema na comunicação. “Na aviação, não há problema em perguntar. Perguntar é essencial. Mesmo que o piloto estivesse certo ou errado , ele questionou com relação à mudança da rota. Acredito que o que o piloto falou foi coerente e necessário ”, afirmou.

    A jovem afirmou que não esperava que o episódio alcançasse tanta gente, mas acredita que a repercussão contribuiu para ampliar o debate sobre o caso. “Não imaginei que isso estaria acontecendo, mas acredito que ajudou o pessoal a repercutir e debater, porque é algo que acho necessário falar na aviação”, disse.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/minas-gerais/fab-analisa-audio-de-provocacao-a-piloto-em-mg-nao-manda-nem-em-casa.

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