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    F1: Lewis Hamilton e o sonho de uma utopia que virou realidade

    Ser criança é acreditar sempre que tudo é possível. Quando uma criança sonha, ela constrói o próprio futuro. Parece até trecho de conto de fadas, mas eu prefiro Dom Casmurro. “Os sonhos do acordado são como os outros sonhos, tecem-se pelo desenho das nossas inclinações e das nossas recordações”. Machado de Assis, escritor de sucesso cuja negritude foi apagada durante anos, vanguarda, sonhador, referência, assim como Sr. Lewis Hamilton, outro gigante entusiasta dos sonhos. Todo grande sonho de adulto um dia nasceu na imaginação de uma criança. Comigo foi assim e com o maior campeão da história

    GE Esportes
    4 de setembro de 2026 às 11:50
    F1: Lewis Hamilton e o sonho de uma utopia que virou realidade
    Foto: GE Esportes

    Ser criança é acreditar sempre que tudo é possível. Quando uma criança sonha, ela constrói o próprio futuro. Parece até trecho de conto de fadas, mas eu prefiro Dom Casmurro. “Os sonhos do acordado são como os outros sonhos, tecem-se pelo desenho das nossas inclinações e das nossas recordações”. Machado de Assis, escritor de sucesso cuja negritude foi apagada durante anos, vanguarda, sonhador, referência, assim como Sr. Lewis Hamilton, outro gigante entusiasta dos sonhos.

    Todo grande sonho de adulto um dia nasceu na imaginação de uma criança. Comigo foi assim e com o maior campeão da história da F1 não foi diferente. A utopia do amanhã é sempre incerta, seja para o Luiz ou para o Lewis, pois, em casos assim, a cor da pele importa demais, independentemente do sobrenome, pode ser Hamilton ou Teixeira, principalmente quando se quer materializar o utópico, mas este não é um relato pessoal, então voltemos ao heptacampeão.

    Lewis Hamilton no treino 1 para o GP da Itália de F1 2026 — Foto: Jakub Porzycki/Reuters

    A vida de sonhos de quem se permite vive-los, mesmo diante do incerto, trouxe um novo sorriso para aquela criança britânica que planejou tornar realidade tudo o que está vivendo hoje. E o sorriso de Lewis Hamilton brilhou mais forte na semana do GP de Monza, na Itália, diante da materialização da própria F40.

    “Este é o carro dos meus sonhos, e sempre foi, desde que me entendo por gente”, com esta frase, Hamilton apresentava, para os mais de 60 milhões de seguidores nas diversas redes sociais, as primeiras fotos da nova (e rara) conquista. Era o sonho de infância diante dos olhos e das mãos tatuadas daquele que muitos imaginavam já ter conquistado tudo na vida.

    Último carro da marca supervisionado pelo comendador. Enzo Ferrari, o modelo F40 marcou uma geração no fim da década de 80 e início da década de 90, justamente quando Lewis Hamilton estava começando no automobilismo e tinha apenas o sonho como matéria prima para alimentar a utopia de que tudo é possível e de que o amanhã sempre traz um novo sorriso.

    Lewis Hamilton criança e atualmente com a F40 restaurada pela Ferrari — Foto: Reprodução

    Na biografia de Hamilton, Frank Worrall, que assina a obra, destaca que “Lewis sempre foi alguém que tentava deliberadamente triunfar sobre a adversidade” e foi assim desde a infância, na construção do sonho, daquele devaneio de pilotar sua própria Ferrari F40, inclusive.

    Em busca do sonho de infância, Hamilton, já adulto, consagrado e milionário, se desfez da frota de carros que tinha como colecionador, inclusive as raridades da Mercedes, deixando claro que a utopia ferrarista se tornaria realidade e o único carro que o faria tirar dinheiro do bolso (e voltar a ser criança!) era uma F40. No entanto, neste caso, “só” dinheiro não era suficiente para sonhar acordado. Até porque, não estamos falando de dinheiro, mas sim de sonhos.

    O modelo dos sonhos de Lewis não é fabricado há décadas. No mundo, existem pouco mais de mil exemplares e, para você comprar um F40, o dono atual precisa querer vender e Hamilton achou um para comprar. Usado, empoeirado, com muito trabalho para os mecânicos de Maranello, mas com baixa quilometragem e tudo original, do motor biturbo v8 a tração traseira e cinco marchas no câmbio manual.

    Desde que foi anunciado pela Ferrari, Lewis Hamilton fez questão de deixar claro (e também nas entrelinhas) sua paixão pela F40. Da primeira aparição em Maranello aos drifts e fotos pelas ruas do Japão em 2025, o piloto britânico não desgrudava de uma F40, mas não eram a sua F40.

    E como diz Sigmund Freud no livro “A Interpretação dos Sonhos”, “O sonho é a estrada real que conduz ao inconsciente”, tal inconsciente que fez com que Hamilton encontrasse não só a tão sonhada Ferrari F40, mas uma cujo motor trazia o número 44 gravado, exatamente o número utilizado pelo piloto na Fórmula 1. Coincidências e sonhos, mesmo não sendo materiais, existem e número 44 sabe muito bem disso.

    Luiz Teixeira, criança, 'jornalista' com um telefone na mão depois do parabéns — Foto: Arquivo pessoal

    De sonhar ninguém se cansa, porque sonhar é esquecer e Lewis Hamilton não se esqueceu daquele garotinho de Stevenage que transformou a utopia em realidade, 30 anos depois. Aliás, é muito difícil você se esquecer da infância quando se é um garoto negro em busca de um espaço onde não te querem ou não te aceitam.

    Lewis e F40 têm quase a mesma idade. Ambos nasceram no fim da década de 1980 e são raridades cujo layout não tem mais cópia. Luiz Teixeira é da mesma época, também tem muitos sonhos, alguns realizados e outros em processo, mas o mais importante é nunca deixar de sonhar, pois utopia só existe para, um dia, virar realidade. Certamente, nenhuma vitória ou título mundial trará a Lewis uma sensação tão nostálgica e gratificante do que a de guiar o sonho com as próprias mãos.

    Luiz Teixeira, adulto, jornalista com um telefone na mão depois do parabéns — Foto: Arquivo pessoal

    Publicado originalmente por GE Esportes. Leia a matéria completa em https://ge.globo.com/motor/formula-1/blogs/voando-baixo/post/2026/09/04/f1-lewis-hamilton-e-o-sonho-de-uma-utopia-que-virou-realidade.ghtml.

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