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    Extrema direita vence eleição histórica na Alemanha, mas terá que negociar maioria

    Em resultado histórico, a AfD (Alternativa para a Alemanha ), alcançou a maior bancada no Parlamento estadual de Saxônia-Anhalt, no leste do país. Neste domingo (6), após um dia de eleição relativamente tranquilo, o partido de extrema direita obteve 44% dos votos, segundo projeções com a apuração já em curso. Leia mais (09/06/2026 - 13h11)

    Folha de S.Paulo
    6 de setembro de 2026 às 16:11
    Extrema direita vence eleição histórica na Alemanha, mas terá que negociar maioria
    Homem de terno escuro e camisa branca segura microfone e está ao lado de mulher sorridente com blazer bege e blusa marrom. Bandeira desfocada nas cores vermelho, amarelo e preto aparece em primeiro plano à esquerda. Fundo escuro destaca os — Foto: Folha de S.Paulo

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    Em resultado histórico, a AfD (Alternativa para a Alemanha ), alcançou a maior bancada no Parlamento estadual de Saxônia-Anhalt, no leste do país. Neste domingo (6), após um dia de eleição relativamente tranquilo, o partido de extrema direita obteve 44% dos votos, segundo projeções com a apuração já em curso.

    Ulrich Siegmund, candidato do partido de extrema direita AfD, ao lado da esposa, Julia, comemora resultado da eleição estadual em Magdeburgo (Saxônia-Anhalt), no leste da Alemanha - Ronny Hartmann/AFP · Ronny Hartmann/AFP
    Ulrich Siegmund, candidato do partido de extrema direita AfD, ao lado da esposa, Julia, comemora resultado da eleição estadual em Magdeburgo (Saxônia-Anhalt), no leste da Alemanha - Ronny Hartmann/AFP · Ronny Hartmann/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ainda que esmagadora, a vitória não garante uma maioria capaz de transformar Ulrich Siegmund em ministro-presidente, cargo equivalente a governador. O objetivo dependerá, provavelmente, de uma negociação com outros partidos, possibilidade inserida nos discursos do partido desde o fechamento das urnas.

    Alice Weidel, colíder da AfD, não esperou a consolidação dos resultados para declarar que a sigla obteve um "mandato claro", "que não se limita à Saxônia-Anhalt, estende-se aos outros estados e até ao Bundestag [Parlamento alemão]", em clara referência às eleições federais de 2029. Reiterou que o partido está disposto a dialogar com as outras legendas, até aqui refratárias em se associar à extrema direita.

    "Não trabalhamos com partidos extremistas", respondeu quase na mesma hora Franziska Hoppermann, secretária-geral da CDU, partido do primeiro-ministro Friedrich Merz , o grande derrotado do dia.

    Sven Schulze (à esq.), atual governador, cumprimenta Ulrich Siegmund, da AfD, antes de entrevista conjunta dos candidatos na TV pública alemã logo após o anúncio dos primeiros resultados da eleição - Annegret Hilse/Reuters · Annegret Hilse/
    Sven Schulze (à esq.), atual governador, cumprimenta Ulrich Siegmund, da AfD, antes de entrevista conjunta dos candidatos na TV pública alemã logo após o anúncio dos primeiros resultados da eleição - Annegret Hilse/Reuters · Annegret Hilse/ — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A eleição de Siegmund, que fez uma campanha de contornos populistas baseada no TikTok, resgatando memórias afetivas da ex-Alemanha Oriental, seria um fato inédito na Alemanha desde a Segunda Guerra .

    "Não importa o que venha a acontecer nas próximas horas, não importa o que aconteça nos próximos dias, estamos no caminho certo", declarou o candidato antes de cantar o hino alemão, ao lado de seus correligionários.

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    Dois homens de terno apertam as mãos em ambiente interno com cortinas azuis ao fundo. Um deles está de perfil, o outro de frente, ambos com expressão séria. Dois seguranças observam a cena ao fundo.
    Dois homens de terno apertam as mãos em ambiente interno com cortinas azuis ao fundo. Um deles está de perfil, o outro de frente, ambos com expressão séria. Dois seguranças observam a cena ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo os levantamentos, a CDU, do atual governador, Sven Schulze, conquistou 17,5% dos votos, algo como a metade do último pleito no estado, em 2021. A Esquerda (com 8,6%), os Verdes (8,9%) e os sociais-democratas do SPD (9,2%) também alcançaram o Parlamento, segundo as projeções. A BSW, que ventilou formar governo com a AfD, surpreendeu e pode ter superado a cláusula de barreira com 5,1%.

    Nesse cenário, o partido de Siegmund teria 39 cadeiras, ficando próximo do objetivo (42), mas dependente de uma negociação de semanas com outras siglas para governar. "Estendemos a mão a todas as forças democráticas que desejam buscar políticas melhores. O que precisamos na política é confiança", declarou o candidato, reafirmando que a AfD, em uma eventual negociação, não abriria mão de suas principais bandeiras —como imigração, segurança doméstica e uma reaproximação com a Rússia .

    A declaração vai de encontro ao Brandmauer (firewall), a prática dos partidos democráticos de não se associar à AfD. Segundo os serviços de inteligência do país, a legenda é "comprovadamente de extrema direita" e tem integrantes investigados por discurso de ódio e neonazismo.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ainda que parte dos conservadores transpire a ideia de uma coalizão com a AfD, é mais provável que os democratas-cristãos da CDU optem pela formação de um governo de minoria, se tiverem chance. Teriam que contar com o apoio pontual da Esquerda. O arranjo, proibido por resolução da CDU, já existe em outros estados da Alemanha.

    "Isso é democracia", declarou Schulze, da CDU, parabenizando os rivais, em evidente contraste com alguns de seus colegas, que lamentaram o resultado.

    A derrota é ainda mais amarga para Merz. Para alguns observadores, a expressiva votação da AfD, de caráter antissistema, reflete a debilidade de seu governo . "É um sinal para Berlim", afirmou Lars Klingbeil, líder do SPD e vice-premiê. Os sociais-democratas fazem parte do governo Merz.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O dia de votação na Saxônia-Anhalt foi relativamente tranquilo. O número de policiais nas ruas da capital Magdeburgo superava o de manifestantes, em vários dos protestos programados para a jornada. Uma pequena altercação entre militantes da AfD e de movimentos sociais foi testemunhada pela reportagem, assim como a chegada em segundos de dois policiais.

    Com um bebê no colo adornado com um adesivo "FCK, AFD", um funcionário da prefeitura de Magdeburgo acompanhava com a mulher um protesto de movimentos sociais antes do fechamento das urnas. Uma imensa bandeira do arco-íris, símbolo LGBTQIA+ que a AfD promete banir, era estendida na Dom Platz.

    "Deviam ter banido esse partido, que é flagrantemente inconstitucional , lá atrás. Quanto maior ele fica, mais difícil vai ser impedi-lo", disse o servidor, que pediu para não informar o nome devido ao emprego.

    "Vão sair fortes disso agora. Se não fizerem o governo agora, daqui a alguns anos vão fazer algum outro ou até mesmo o Bundestag, em Berlim. É preciso começar a chamá-los pelo nome: são uns fascistas."

    O pleito teve forte participação do eleitorado, com 78% de comparecimento. A mobilização, segundo observadores, reflete o esforço da AfD em buscar o voto de indecisos e dos desiludidos com a CDU, até 2021 a principal força no estado.

    Criada por economistas em 2013, na esteira da crise do euro, a AfD se notabiliza por ganhar tração com temas controversos e por não ter nenhum pudor de repetir o passado. Surfou na onda anti-imigração, detonada a partir da política de portas abertas de Angela Merkel, de 2015, assim como na contestação de bandeiras associadas à esquerda, como ambientalismo, transição energética e direitos de minorias.

    Siegmund é um dos produtos dessa lógica oportunista . Sua presença no partido cresceu durante a pandemia, quando viralizou com críticas às restrições impostas pelo governo.

    A AfD replica padrões do populismo europeu, mas destaca-se de seus pares por abdicar, pelo menos até aqui, de qualquer tipo de amenização na prática política ou no discurso.

    Defende forte intervenção na educação e na cultura , áreas de atuação estadual, mas também ideias radicais de atribuição federal, como remigração, deportação em massa, proibição de médicos estrangeiros, a volta do marco alemão e a saída da União Europeia .

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/extrema-direita-lidera-eleicao-estadual-na-alemanha-aponta-boca-de-urna.shtml.

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    Ulrich Siegmund, candidato do partido de extrema direita AfD, ao lado da esposa, Julia, comemora resultado da eleição estadual em Magdeburgo (Saxônia-Anhalt), no leste da Alemanha - Ronny Hartmann/AFP · Ronny Hartmann/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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