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    Extrema direita lidera eleição estadual na Alemanha, aponta boca de urna

    AfD, partido de Ulrich Siegmund, teria alcançado 44% dos votos, segundo projeção

    UOL
    6 de setembro de 2026 às 17:00
    Extrema direita lidera eleição estadual na Alemanha, aponta boca de urna
    Placa na parede indica 'Wahllokal 0106' em alemão, com sala de votação visível ao fundo. Duas pessoas estão na sala, uma sentada atrás de mesa e outra em pé, com cabines de votação próximas às janelas grandes que deixam entrar luz natural. — Foto: UOL

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    Pesquisas de boca de urna indicam que a AfD, Alternativa para a Alemanha, alcançou a maior bancada no Parlamento estadual de Saxônia-Anhalt, no leste da Alemanha. Neste domingo (6), em um dia de eleição relativamente tranquilo, o partido de extrema direita, segundo as projeções, teria obtido 44% dos votos.

    Seção eleitoral em Magdeburgo, capital da Saxônia-Anhal, que elege seu Parlamento estadual neste domingo (6) tendo a extrema direita como favorita - Axel Schmidt/Reuters · Axel Schmidt/Reuters
    Seção eleitoral em Magdeburgo, capital da Saxônia-Anhal, que elege seu Parlamento estadual neste domingo (6) tendo a extrema direita como favorita - Axel Schmidt/Reuters · Axel Schmidt/Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Se isso significa uma maioria capaz de fazer o partido indicar Ulrich Siegmund como governador, a apuração responderá nas próximas horas. O objetivo depende de quantos partidos ultrapassam a cláusula de barreira de 5% e comporão a Casa.

    Alice Weidel, colíder do partido, não esperou a consolidação dos resultados para declarar que a AfD obteve um "mandato claro" e que abriaria diálogo com as outras legendas. "Não trabalhamos com partidos extremistas", respondeu quase na mesma hora Franziska Hoppermann, secretária-geral da CDU.

    A eleição de Siegmund, que fez uma campanha de contornos populistas baseada no TikTok, resgatando memórias afetivas da ex-Alemanha Oriental, seria um fato inédito na Alemanha desde a Segunda Guerra .

    Sven Schulz (à esq.), atual governador e candidato à reeleição pela CDU, vota acompanhado de sua mulher, Kati, em Magdeburgo; Ulrich Siegmund (à dir.), ao lado de sua mulher, Julia, vota em Tangermünde, neste domingo (6) - Ronny Hartmann/AF
    Sven Schulz (à esq.), atual governador e candidato à reeleição pela CDU, vota acompanhado de sua mulher, Kati, em Magdeburgo; Ulrich Siegmund (à dir.), ao lado de sua mulher, Julia, vota em Tangermünde, neste domingo (6) - Ronny Hartmann/AF — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Segundo os levantamentos, a CDU, partido do primeiro-ministro, Friedrich Merz, e de Sven Schulz, o atual governador, teria conquistado 18,5% dos votos. O partido A Esquerda (com 9,5%), os Verdes (9%) e os sociais-democratas do SPD (8%) também alcançariam o Parlamento. Há dúvidas se o BWM, que ventilou formar governo com a AfD, teria superado a cláusula de barreira.

    Nesse cenário, o partido de Siegmund teria 41 de 83 cadeiras, ficando próximo do objetivo, mas dependente de uma negociação com outras siglas. "Estendemos a mão a todas as forças democráticas que desejam buscar políticas melhores. O que precisamos na política é confiança", declarou o candidato, reafirmando que a AfD, em uma eventual negociação, não abriria mão de suas principais bandeiras —como imigração, segurança doméstica e uma reaproximação com a Rússia.

    Ainda que parte dos conservadores também transpire a ideia de uma coalizão com a AfD, é mais provável que os democratas-cristãos da CDU optem pela formação de um governo de minoria, com apoio pontual da Esquerda. O arranjo, proibido por resolução do partido, já existe em outros estados da Alemanha.

    Quatro pessoas em dois grupos depositam cédulas em urnas de votação. À esquerda, homem de jaqueta azul e mulher ao fundo em ambiente claro. À direita, casal sorridente, homem de suéter creme e mulher de casaco escuro, em ambiente com parede
    Quatro pessoas em dois grupos depositam cédulas em urnas de votação. À esquerda, homem de jaqueta azul e mulher ao fundo em ambiente claro. À direita, casal sorridente, homem de suéter creme e mulher de casaco escuro, em ambiente com parede — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O dia de votação na Saxônia-Anhalt foi relativamente tranquilo. O número de policiais nas ruas da capital Magdeburgo superava o de manifestantes, em vários dos protestos programados para a jornada. Uma pequena altercação entre militantes da AfD e de movimentos sociais foi testemunhada pela reportagem, assim como a chegada em segundos de dois policiais.

    Com um bebê no colo adornado com um adesivo "FCK, AFD", um funcionário da prefeitura de Magdeburgo acompanhava com a mulher um protesto de movimentos sociais antes do fechamento das urnas. "Deveriam ter banido o partido, que é flagrantemente inconstitucional, lá atrás. Quanto maior ele fica, mais difícil vai ser impedi-lo", disse o servidor, que pediu para não informar o nome devido ao emprego.

    "Vão sair fortes disso agora. Se não fizerem o governo agora, daqui a alguns anos vão fazer algum outro ou até mesmo o Bundestag, em Berlim. É preciso começar a chamá-los pelo nome: são uns fascistas."

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    O pleito teve forte participação do eleitorado. A duas horas do fechamento das urnas, o comparecimento superava 65%, contra 41% do último pleito, em 2021.

    Criada por economistas em 2013, na esteira da crise do euro, a AfD se notabiliza por ganhar tração com temas controversos e por não ter nenhum pudor de repetir o passado. Surfou na onda anti-imigração, detonada a partir da política de portas abertas de Angela Merkel, de 2015, assim como na contestação de bandeiras associadas à esquerda, como ambientalismo, transição energética e direitos de minorias.

    Siegmund é um dos produtos dessa lógica oportunista . Sua presença no partido cresceu durante a pandemia, quando viralizou com críticas às restrições impostas pelo governo.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A AfD replica padrões do populismo europeu, mas destaca-se de seus pares por abdicar, pelo menos até aqui, de qualquer tipo de amenização na prática política ou no discurso.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/extrema-direita-lidera-eleicao-estadual-na-alemanha-aponta-boca-de-urna.shtml.

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    Seção eleitoral em Magdeburgo, capital da Saxônia-Anhal, que elege seu Parlamento estadual neste domingo (6) tendo a extrema direita como favorita - Axel Schmidt/Reuters · Axel Schmidt/Reuters — Foto: UOL

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