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    Extrema direita elege seu 1º presidente de Parlamento estadual na Alemanha desde 1945

    Tobias Rausch, político da AfD (Alternativa para a Alemanha) , foi eleito nesta terça-feira (6), em Magdeburgo, presidente do Parlamento estadual em Saxônia-Anhalt. Um passo notável para a Alemanha contemporânea, descrito de maneira sucinta por uma oposicionista: Rausch é "o primeiro presidente parlamentar de extrema direita desde Hermann Göring". Leia mais (10/06/2026 - 14h25)

    Folha de S.Paulo
    6 de outubro de 2026 às 17:25
    Extrema direita elege seu 1º presidente de Parlamento estadual na Alemanha desde 1945
    Dois homens em trajes formais apertam as mãos e sorriem em sala de reunião. Ao fundo, várias pessoas observam a interação, algumas em pé e outras sentadas, em ambiente corporativo ou institucional. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Tobias Rausch, político da AfD (Alternativa para a Alemanha) , foi eleito nesta terça-feira (6), em Magdeburgo, presidente do Parlamento estadual em Saxônia-Anhalt. Um passo notável para a Alemanha contemporânea, descrito de maneira sucinta por uma oposicionista: Rausch é "o primeiro presidente parlamentar de extrema direita desde Hermann Göring".

    Tobias Rausch, novo presidente do Parlamento em Saxônia-Anhalt, é cumprimentado por Ulrich Siegmund, principal nome da AfD no estado e que deve se tornar governador em dezembro - Jan Woitas/Pool via Reuters · Jan Woitas/Pool via Reuters
    Tobias Rausch, novo presidente do Parlamento em Saxônia-Anhalt, é cumprimentado por Ulrich Siegmund, principal nome da AfD no estado e que deve se tornar governador em dezembro - Jan Woitas/Pool via Reuters · Jan Woitas/Pool via Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Göring, braço direito de Adolf Hitler durante o regime nazista, foi usado como medida histórica por Heidi Reichinnek, líder do partido A Esquerda. Sua fala não mirava a AfD, mas a CDU (União Democrata-Cristã), legenda do primeiro-ministro, Friedrich Merz .

    Em votação secreta, Rausch recebeu 48 votos, mais do que os 44 da soma da AfD (39) com a sigla nanica BSW (5). Os quatro votos extras, especula-se, vieram da bancada dos democratas-cristãos. Verdes, SPD e A Esquerda orientaram o voto contra, enquanto a CDU pregou a abstenção, manobra percebida como ambígua.

    "Quando se tratou de elevar um extremista de direita ao cargo mais alto, 9 dos 15 deputados da União [CDU] decidiram conscientemente abrir caminho para ele, seja votando a favor ou se abstendo", declarou Reichinnek.

    Manifestantes leem a Constituição da Alemanha durante protesto em frente ao Parlamento em protesto contra a AfD, que elegeu o presidente da Casa, nesta terça-feira (6), em Magdeburgo - Odd Andersen/AFP · Odd Andersen/AFP
    Manifestantes leem a Constituição da Alemanha durante protesto em frente ao Parlamento em protesto contra a AfD, que elegeu o presidente da Casa, nesta terça-feira (6), em Magdeburgo - Odd Andersen/AFP · Odd Andersen/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Matthias Miersch, líder do SPD, foi mais diplomático sobre a atitude do parceiro de coalizão federal, mas afirmou que o assunto certamente seria discutido em Berlim . "Trata-se da situação geral dos nossos partidos nessa conjuntura difícil."

    Thorsten Frei, chefe do grupo parlamentar da CDU no Bundestag, o Parlamento Federal, afirmou que viu o episódio com preocupação, mas ponderou que creditar ao partido os quatro votos extras é "pura especulação".

    Horas depois, o enredo da novela piorou, quando Hans-Thomas Tillschneider, figura bem mais controversa da AfD, foi eleito vice-presidente da Casa com 44 votos. Desta vez, quem correu para dizer que não votou no deputado foi a BSW, um partido peculiar, que se diz de esquerda e conservador.

    Mão ergue exemplar da Constituição Alemã (Grundgesetz) em praça pública com grupo de pessoas ao fundo. Edifícios históricos e árvores cercam o local em dia claro.
    Mão ergue exemplar da Constituição Alemã (Grundgesetz) em praça pública com grupo de pessoas ao fundo. Edifícios históricos e árvores cercam o local em dia claro. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    As eleições regionais na Saxônia-Anhalt, um dos estados mais pobres da Alemanha, viraram notícia mundial no mês passado, quando a AfD obteve o apoio de 44% dos eleitores . Seu principal candidato, Ulrich Siegmund, que nesta terça apareceu no Parlamento tomando café em uma caneca com a inscrição "lágrimas da esquerda", deve ser eleito governador em dezembro .

    Como nesta terça, sua confirmação terá como necessária referência o arco histórico com o nazismo . Será a primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial que a Alemanha terá um governo de extrema direita.

    "Não vou exercer esse cargo como presidente de um grupo parlamentar, mas sim como presidente do Parlamento da Saxônia-Anhalt", afirmou Rausch após sua eleição, prometendo evitar manobras regimentais e retaliações.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Os tempos de ‘Brandmauer’ deveriam ser coisa do passado", afirmou, referindo-se ao firewall, a prática de não negociar ou votar com a AfD que os partidos políticos adotam na Alemanha. É esse apelo de supostos tons democráticos que políticos da CDU local usam para justificar uma aproximação com a legenda populista.

    Merz, no fim de semana, durante uma viagem surpresa a Kiev , reiterou que seu partido não trabalharia com a "extrema direita ou extrema esquerda", alegando que isso prejudicaria a segurança da Alemanha. Falava da intenção declarada da AfD, e também da Esquerda, de retomar o diálogo com a Rússia em detrimento do apoio à Ucrânia na guerra.

    A pauta tem um apelo popular, pois voltar a comprar gás russo supostamente diminuiria as contas de energia.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A dinâmica da política regional alemã, porém, é bem outra neste momento. Representantes da CDU se sentem encurralados por um governo Merz cada vez mais impopular e a adesão crescente dos eleitores à AfD. Preocupações ideológicas e o peso do passado ficam cada vez mais de lado.

    Há duas semanas, a pequena Heidenau, na Saxônia, também virou notícia depois que a Câmara Municipal da cidade decidiu proibir as pedras de tropeço , homenagens a vítimas do nazismo, com votos da AfD e da CDU.

    Uma newsletter sobre geopolítica e economia global, editada pelo jornalista João Caminoto, de Paris

    O partido de Rausch e Siegmund é classificado como uma sigla de extrema direita pelos serviços de segurança do governo alemão e tem integrantes e alas investigadas por discurso de ódio e neonazismo.

    Com promessas populistas e reacionárias , o partido lidera as intenções de voto no país desde a última eleição federal, no começo do ano passado. Analistas creditam o sucesso da sigla mais à debilidade dos partidos tradicionais de centro do que a suas propostas, em boa parte inexequíveis.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/10/extrema-direita-elege-seu-1o-presidente-de-parlamento-na-alemanha-desde-1945.shtml.

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    Tobias Rausch, novo presidente do Parlamento em Saxônia-Anhalt, é cumprimentado por Ulrich Siegmund, principal nome da AfD no estado e que deve se tornar governador em dezembro - Jan Woitas/Pool via Reuters · Jan Woitas/Pool via Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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