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    Extinto há 13 mil anos, 'guepardo' americano era parente do puma

    Extinto há 13 mil anos, o felino da América do Norte Miracinonyx trumani , também chamado de guepardo americano é, na verdade, mais aparentado com os pumas do que com o guepardo africano ( Acinonyx jubatus ). Leia mais (09/07/2026 - 06h00)

    Folha de S.Paulo
    7 de setembro de 2026 às 09:00
    Extinto há 13 mil anos, 'guepardo' americano era parente do puma
    Ilustração detalhada de um felino pré-histórico Miracinonyx sp. em perfil, com pelagem amarelada e manchas escuras irregulares. O animal está em pé sobre fundo bege texturizado, exibindo cauda longa com anéis escuros e corpo robusto. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Extinto há 13 mil anos, o felino da América do Norte Miracinonyx trumani , também chamado de guepardo americano é, na verdade, mais aparentado com os pumas do que com o guepardo africano ( Acinonyx jubatus ).

    Uma representação artística de Miracinonyx trumani. - Julie Meachen · Julie Meachen
    Uma representação artística de Miracinonyx trumani. - Julie Meachen · Julie Meachen — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Além disso, esse felino de corpo longilíneo e pernas velozes diversificou sua dieta no norte do continente pelo menos 30 mil anos atrás, onde hoje é o Canadá , consumindo peixes e outros animais que pescava em riachos, contrariando a ideia que fosse um predador exclusivo de mamíferos herbívoros , como o antilocapra ( Antilocapra americana ), espécie de antílope-americano.

    As observações constam de um novo estudo publicado na última sexta-feira (4) na revista especializada Current Biology .

    O M. trumani já era conhecido do registro do Pleistoceno americano , com dezenas de fósseis escavados nos últimos anos onde hoje é o Canadá e os Estados Unidos . Só que as características dos ossos encontrados, sobretudo de membros superiores e pernas, indicavam adaptações para a corrida, semelhantes ao guepardo do outro lado do Atlântico.

    Guepardo americano era parente do puma e viveu até o Ártico
    Guepardo americano era parente do puma e viveu até o Ártico — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Só que ao empregar técnicas de DNA antigo , que consiste em extrair material genético de organismos já extintos para entender seu posicionamento filogenético, os pesquisadores da Universidade da Califórnia em Santa Cruz (UCSC) viram que o animal dividia um ancestral comum com o Puma concolor . As duas linhagens divergiram há 2,6 milhões de anos, e o M. trumani se adaptou e viveu na América do Norte até ser extinto ao final da última Era Glacial, há aproximadamente 13 mil anos.

    Os dados de DNA foram extraídos de quatro espécimes, três encontrados em localidades de altas latitudes, no norte do Canadá, e uma da formação Natural Trap Cave, em Wyoming, no oeste dos EUA, além de material genético de outras nove espécies de felinos modernas. As localidades ao norte revelam, ainda, uma distribuição de cerca de 20 graus de latitude mais altas do que a distribuição conhecida até então, no atual território de Yukon, no Ártico canadense.

    Além da análise utilizando o DNA ambiental, os cientistas também analisaram isótopos de carbono e nitrogênio preservados nos fósseis para avaliar o tipo de dieta consumida.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os espécimes originários de Yukon tinham uma alta concentração de nitrogênio, compatível com uma alimentação baseada em animais aquáticos. Já o espécime de Wyoming apresentou níveis de concentração de isótopos de carbono e nitrogênio semelhantes aos de predadores de topo, que se alimentam principalmente de herbívoros terrestres.

    "Eles podem ter capturado peixes vivos, consumido carcaças de peixes após a desova ou feito as duas coisas. Os fósseis e isótopos que temos hoje não permitem distinguir entre essas possibilidades", diz Molly Cassatt-Johnstone, doutoranda do laboratório de Shapiro , na UCSC, e primeira autora do estudo.

    Mas o resultado talvez mais surpreendente tenha sido que a população ártica tinha uma mutação em um gene associado ao ritmo circadiano, que na prática inativava essa função nos animais. Isso pode ser esperado em organismos que vivem em altas latitudes, onde a exposição à luz do sol é inexistente por metade do ano. Uma inativação deste relógio interno possibilitaria os "guepardos" do norte a continuarem regulando seu ciclo de vigília e sono mesmo durante os meses de escuridão.

    Surfista Ítalo Ferreira durante eclipse solar em praia entre as cidades de Natal e Baía Formosa, no Rio Grande do Norte - (Foto: Marcelo Maragni / Red Bull Content Pool)
    Surfista Ítalo Ferreira durante eclipse solar em praia entre as cidades de Natal e Baía Formosa, no Rio Grande do Norte - (Foto: Marcelo Maragni / Red Bull Content Pool) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os autores concluem, assim, que há um "erro" duplo ao utilizar o nome popular "guepardo americano" para M. trumani , pois eles não eram relacionados.

    "Gosto de imaginá-lo como um puma que desenvolveu de forma independente um corpo semelhante ao do guepardo. Ele se parecia com os guepardos em alguns aspectos, e com os pumas em outros, provavelmente era um predador para o qual não temos hoje um equivalente claro", diz a bióloga.

    Segundo os autores, o segundo erro está em reduzir o corpo esguio de M. trumani a um tipo de exploração ecológica que é, na realidade, reducionista, uma vez que o escopo de adaptações e especializações do felino, que incluía predadores generalistas em campos a exploradores especializados de recursos aquáticos no Ártico, é muito maior.

    " M. trumani apresentava uma flexibilidade ecológica comparável à dos grandes felídeos modernos com ampla distribuição geográfica, como leões e pumas, sem um equivalente moderno direto. A denominação ‘guepardo-americano’ é, portanto, duplamente enganosa, pois sugere parentesco com A. jubatus ou uma convergência ecológica —hipóteses que não são corroboradas por nossos dados", escrevem.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2026/09/extinto-ha-13-mil-anos-guepardo-americano-era-parente-do-puma.shtml.

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    Uma representação artística de Miracinonyx trumani. - Julie Meachen · Julie Meachen — Foto: Folha de S.Paulo

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