Exposição Utopias: projetos de Niemeyer ganham forma tridimensional
A mostra inédita Utopias em Construção: Brasília nas Dobras do Tempo entra em cartaz no Museu Nacional da República nesta terça-feira (11/8)

A exposição Utopias em construção: Brasília nas dobras do tempo está prestes a entrar em cartaz. Além de reunir documentos históricos sobre a construção da capital , a mostra contará com quatro maquetes especialmente desenvolvidas para representar obras de Oscar Niemeyer que jamais chegaram a ser construídas .
A proposta é que o público experimente uma dimensão da obra do arquiteto normalmente restrita aos arquivos e aos desenhos históricos.
As maquetes foram desenvolvidas pelo Bernardes – van Schaijk & Partners , escritório de arquitetura e engenharia especializado em arquitetura sustentável, administração de obras e desenvolvimento de maquetes de alta complexidade para projetos arquitetônicos, urbanísticos e museográficos.

Segundo a equipe responsável pelo projeto, o principal desafio consistiu em transformar documentos históricos em objetos tridimensionais capazes de revelar a espacialidade imaginada por Niemeyer, permitindo ao visitante experimentar projetos que, até então, existiam apenas no papel.
“Mais do que construir maquetes, o desafio foi transformar desenhos incompletos em uma experiência espacial capaz de revelar a arquitetura imaginada por Oscar Niemeyer.” Ao contrário do que normalmente ocorre na produção de maquetes arquitetônicas, a documentação disponível não era composta por projetos executivos completos. De acordo com os profissionais, grande parte do material recebido consistia em estudos preliminares, croquis e desenhos históricos que, em diversos casos, não apresentavam cotas, medidas ou informações suficientes para uma reprodução direta.
“A produção das maquetes exigiu, portanto, um cuidadoso trabalho de investigação e interpretação arquitetônica “, afirmam. Como as maquetes foram desenvolvidas Ao Metrópoles , a equipe do Bernardes – van Schaijk & Partners detalha como as maquetes foram desenvolvidas.

Primeiro, os profissionais partiram das dimensões conhecidas dos terrenos, da modulação estrutural, das proporções entre os elementos desenhados, das alturas presumidas dos pavimentos, da linguagem arquitetônica característica de Oscar Niemeyer e da coerência entre plantas, cortes e fachadas para reconstruir virtualmente cada projeto.
Depois que a temporada no museu acabar, a exposição não vai desaparecer. Ela deve ganhar uma versão menor no próprio Arquivo Público do Distrito Federal
Trabalhadores atuam na construção das grandes estruturas em Brasília

Foto mostra mapa de construção da região
Inauguração do primeiro centro binacional do Planalto Central
Segundo eles, em muitos momentos foi necessário “decifrar” a arquitetura.

“A altura de um pavimento permitia estimar a altura total de um edifício. As dimensões conhecidas do terreno serviam de referência para estabelecer proporções inexistentes nos desenhos. A comparação entre plantas, fachadas e cortes possibilitou reconstruir relações espaciais que jamais haviam sido explicitamente representadas. “ Tecnologia e trabalho artesanal
A produção das maquetes combinou tecnologia e trabalho artesanal. Elementos de alta precisão foram fabricados por impressão 3D , enquanto outros componentes foram feitos em madeira , PVC expandido e materiais tradicionais da arquitetura .
Depois, todas as peças foram ajustadas e finalizadas manualmente , unindo a precisão da fabricação digital à riqueza dos acabamentos artesanais e garantindo maior fidelidade aos projetos originais de Oscar Niemeyer.

Operários iniciam as fundações de moradias provisórias em Brasília, em meio a canteiros improvisados que marcaram os primeiros anos da nova capital.
A caixa d'água em Ceilândia, considerada cartão postal da região
A exposição também pensou na forma como o público irá interagir com as maquetes. As bases circulares transformam cada esboço em um verdadeiro objeto museográfico .

Ao eliminar uma frente principal, convidam o visitante a percorrer visualmente cada projeto, descobrindo diferentes perspectivas da arquitetura . A observação em 360 graus reforça a percepção espacial das obras e evidencia a riqueza formal característica da arquitetura de Niemeyer.”
Essa concepção expográfica valoriza não apenas os edifícios, mas também a relação entre arquitetura, paisagismo, espaço livre e implantação urbana.








Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/vida-e-estilo/exposicao-utopias-projetos-de-niemeyer-ganham-forma-tridimensional.

Mondadori Portfolio/Getty Images — Foto: Metrópoles
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