Explosões solares estão a caminho da Terra; saiba o que pode acontecer
Três explosões solares foram apontadas para a Terra em 24 horas – especialistas monitoram possíveis efeitos sobre o planeta nos próximos dias O post Explosões solares estão a caminho da Terra; saiba o que pode acontecer apareceu primeiro em Olhar Digital .

Depois de dias com erupções fracas, o Sol voltou a chamar atenção com três explosões de classe M (consideradas moderadas) nas últimas 24 horas. Duas partiram da região AR4549, um agrupamento de manchas solares que cresceu rapidamente e ganhou estrutura magnética complexa.
Em entrevista ao Olhar Digital , a física Adriana Valio, professora titular da Universidade Presbiteriana Mackenzie e pesquisadora do Centro de Rádio Astronomia e Astrofísica Mackenzie (CRAAM), explicou a dinâmica das erupções solares. “Essa energia é liberada principalmente por um processo chamado reconexão magnética, que ocorre quando as linhas do campo magnético se reorganizam, convertendo parte da energia magnética em radiação, aquecimento do plasma e aceleração de partículas”, explica a pesquisadora.
Localizada a leste do centro do disco solar, a AR4549 se expandiu em pouco tempo e passou a formar um grande conjunto de manchas. Sua configuração magnética é classificada como beta-gama-delta, a mais complexa entre as categorias usadas para descrever regiões ativas do Sol. Estruturas desse tipo concentram diferentes campos magnéticos, favorecendo o armazenamento e a liberação de energia.

Por isso, a região merece atenção nos próximos dias. Ela tem potencial para produzir novas erupções de classe M e também eventos de classe X, os mais intensos da escala usada para medir essas explosões. Além disso, como a AR4549 está voltada para a Terra, eventuais ejeções de material lançadas por ela podem atingir o planeta.
De acordo com a plataforma de observação EarthSky.org , a maior das três erupções recentes foi classificada como M1.8 e atingiu o pico nesta terça-feira (6), às 5h05 (pelo horário de Brasília). O fenômeno provocou um apagão de rádio de nível R1, considerado menor, quase que instantaneamente sobre o Mar Arábico, na região da costa leste da Somália, quando a radiação interferiu nas comunicações.
Observações feitas logo após o evento também identificaram um escurecimento coronal amplo ao redor da área da explosão, sinal de que parte da atmosfera solar pode ter sido lançada ao espaço. Como a região estava em posição favorável em relação à Terra, levantou-se a possibilidade de uma ejeção de massa coronal estar vindo em nossa direção.

Apesar disso, ainda não é possível confirmar o cenário ou a severidade do impacto. Em publicação no X , o físico espacial e fotógrafo de auroras Vincent Ledvina, que vive no Alaska, EUA, destacou que as imagens disponíveis eram muito recentes e não permitiam estimar com segurança quanto material havia escapado do Sol nem qual seria sua direção.
Essa avaliação contínua depende diretamente da infraestrutura moderna de monitoramento espacial. Como explica Adriana, a ciência hoje pode contar com recursos essenciais para rastrear essa evolução em tempo real. “Atualmente, dispomos de telescópios terrestres e satélites capazes de acompanhar continuamente a evolução das manchas solares e medir seus campos magnéticos. Essas observações permitem identificar regiões ativas que estão acumulando grandes quantidades de energia magnética e que, portanto, apresentam potencial para produzir explosões intensas”.
No entanto, a especialista enfatiza que prever a força exata de um evento vai além da simples observação visual da área atingida. “O tamanho de uma mancha solar, isoladamente, não é suficiente para determinar o grau de intensidade. Além da quantidade de energia magnética armazenada, é necessário considerar a complexidade e a configuração dos campos magnéticos, que determinam como essa energia poderá ser liberada”.

Agora, meteorologistas espaciais analisam imagens de coronógrafos e modelos computacionais para calcular a velocidade e a trajetória do material. A previsão é importante porque, se houver uma interação significativa com o campo magnético terrestre, o episódio poderá provocar uma tempestade geomagnética e favorecer a ocorrência de auroras em regiões mais ao sul do que o normal.
A intensidade dessa tempestade dependerá, entre outros fatores, da orientação do campo magnético incorporado ao material solar ao atingir a Terra. Enquanto isso, a região de manchas AR4545 também segue voltada para o planeta com atividade em elevação, e buracos coronais que se aproximam devem reforçar o fluxo de vento solar rápido, indicando outro período de atividade geomagnética elevada para o fim de semana.
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Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/10/06/ciencia-e-espaco/explosoes-solares-estao-a-caminho-da-terra-saiba-o-que-pode-acontecer/.

Flavia Correia — Foto: Olhar Digital
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