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    Existe uma explicação por trás de cada mulher que decidiu não ser mãe

    Recebi o mesmo print três vezes em três grupos diferentes, de três amigas que não se conhecem, e isso nunca tinha acontecido comigo, ainda mais relacionado a um estudo de economia. Fui atrás do artigo inteiro, voltei a ele duas vezes e, desde então, não saio de uma frase de Claudia Goldin , economista de Harvard: quanto mais os homens conseguem provar, com gesto e não com promessa, que serão pais presentes, maior a chance de as mulheres decidirem ter filhos. Leia mais (08/12/2026 - 14h00)

    Folha de S.Paulo
    12 de agosto de 2026 às 17:00
    Existe uma explicação por trás de cada mulher que decidiu não ser mãe
    Podcast Radio Folhinha — Foto: Folha de S.Paulo

    Multiempreendedora e fundadora do Natalia Beauty Group

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    Catarina Pignato/Folhapress · Catarina Pignato/Folhapress
    Catarina Pignato/Folhapress · Catarina Pignato/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Recebi o mesmo print três vezes em três grupos diferentes, de três amigas que não se conhecem, e isso nunca tinha acontecido comigo, ainda mais relacionado a um estudo de economia. Fui atrás do artigo inteiro, voltei a ele duas vezes e, desde então, não saio de uma frase de Claudia Goldin , economista de Harvard: quanto mais os homens conseguem provar, com gesto e não com promessa, que serão pais presentes, maior a chance de as mulheres decidirem ter filhos.

    Óbvio, dito assim, mas é justamente o óbvio que a gente raramente nomeia em voz alta, ainda mais no mês em que se celebra o Dia dos Pais .

    Goldin passou a carreira tentando entender por que mulheres com mais estudo e mais liberdade tiveram menos filhos. A resposta a que ela chega agora é mais simples e mais dura do que qualquer política pública de incentivo à natalidade. Não é dinheiro, não é licença- maternidade , não é creche gratuita, é confiança no parceiro.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A economista comparou países que cresceram rápido demais, sem tempo de ajustar a tradição à realidade, com países que cresceram devagar, por décadas. No Japão e na Itália, onde a diferença de horas de trabalho doméstico entre homens e mulheres passa de três horas por dia, a fecundidade despencou. Na Suécia e na Dinamarca, onde essa diferença é de menos de uma hora, ela se manteve bem mais alta. Quando o homem divide de verdade, a mulher tem filho, quando não divide, ela pesa os prós e os contras e, cada vez mais, escolhe não ter.

    Aqui em casa essa mudança tem nome em cada geração. Minha avó teve pai ausente, provedor de corpo presente, mas de afeto que nunca chegava e ninguém questionava. Minha mãe teve um pai mais por perto, mas ainda coadjuvante, que "ajudava" como quem faz favor num território que não é seu.

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    Tive amigas que nem chegaram a conhecer o pai, outras que cresceram entre padrastos e tios, outras que enterraram o pai cedo demais e aprenderam sozinhas o que significa colo. Hoje vejo, na nova geração que cria filhos, uma safra de pais que trocam fraldas sem que ninguém peça, que faltam à reunião de trabalho pela reunião de escola, que existem sem cobrar aplauso por isso.

    O problema é que essa safra nova ainda é exceção, não regra. Enquanto for exceção, mulher racional segue fazendo a mesma conta que Goldin descreve no artigo, investindo na carreira, adiando o filho, às vezes desistindo dele, porque a aposta num parceiro que se comprometa de verdade ainda custa caro demais.

    Não se trata de culpar homem nenhum em particular, mas, sim, de entender que toda estrutura que carregamos, avó, mãe, filha, foi moldada por quanto um pai esteve disposto a se colocar por inteiro. Simone de Beauvoir, escritora que eu amo de paixão, escreveu que ninguém nasce mulher, torna-se. Vale o espelho para os homens: ninguém nasce pai, torna-se todo santo dia na escolha de ficar.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/natalia-beauty/2026/08/existe-uma-explicacao-por-tras-de-cada-mulher-que-decidiu-nao-ser-mae.shtml.

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