Excesso de peso ultrapassa pressão alta e vira o principal fator de risco à saúde do brasileiro
Martino Galliano, de 57 anos, passou por uma cirurgia no coração em 2013 e sofreu um infarto em 2022 Arquivo Pessoal O coração de Martino Galliano já passou pelo que o Brasil aprendeu a tratar e pelo que o país ainda não consegue conter. Em 2013, uma cirurgia desobstruiu a artéria que estava 98% fechada, e ele chegou a perder 80 kg na reabilitação. Nove anos depois, com parte do peso de volta, sofreu um infarto. A trajetória dele se repete num estudo publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Americas. A pesquisa mostra que o índice de massa corporal (IMC) elevado se tornou,
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Martino Galliano, de 57 anos, passou por uma cirurgia no coração em 2013 e sofreu um infarto em 2022 — Foto: Arquivo Pessoal
O coração de Martino Galliano já passou pelo que o Brasil aprendeu a tratar e pelo que o país ainda não consegue conter. Em 2013, uma cirurgia desobstruiu a artéria que estava 98% fechada, e ele chegou a perder 80 kg na reabilitação. Nove anos depois, com parte do peso de volta, sofreu um infarto.
A trajetória dele se repete num estudo publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Americas. A pesquisa mostra que o índice de massa corporal (IMC) elevado se tornou, em 2023, o principal fator de risco à saúde do brasileiro , à frente da pressão alta. Em 1990, o IMC ocupava o sétimo lugar.

No mesmo período, o país conseguiu reduzir as mortes por infarto e por acidente vascular cerebral (AVC), que foram as causas que mais contribuíram para o aumento da expectativa de vida.
Os pesquisadores atribuem esse ganho ao controle da hipertensão e à queda do tabagismo. O peso seguiu o caminho inverso : entre todos os fatores de risco analisados, o IMC e a glicose alta foram os que menos recuaram em mais de três décadas.
Martino, hoje com 57 anos e aposentado, chegou a pesar 172 kg. Quando descobriu o problema no coração, estava com 130 kg e não sentia nada. A obstrução apareceu num teste ergométrico de rotina e estava no tronco da coronária esquerda, a artéria que irriga a maior parte do coração.
A cirurgia resolveu a artéria, mas não resolveu o peso. Para o cardiologista Elzo Mattar, diretor do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e professor da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), a recaída de Martino não representa uma falha individual, e sim o comportamento esperado de uma doença crônica.
"A obesidade não tem cura, tem controle. O organismo guarda a memória do maior peso e trabalha o tempo todo para recuperá-lo", afirma.
Publicado originalmente por G1. Leia a matéria completa em https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/09/29/excesso-de-peso-ultrapassa-pressao-alta-e-vira-o-principal-fator-de-risco-a-saude-do-brasileiro.ghtml.

g1 em 1 Minuto: 66% associam obesidade a escolhas pessoais, aponta levantamento — Foto: G1
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